O Tao do Reiki

Descobrir, Desenvolver e Crescer com Reiki

Category: Filosofia de Vida (Page 1 of 6)

Nem sempre são pessoas felizes os praticantes de Reiki

O que pode fazer de nós pessoas felizes sem nos estarmos a iludir? Será que Reiki pode fazer de nós pessoas felizes ou é apenas um apregoar publicitário?

Um caminho para sermos pessoas felizes e porque nem sempre os praticantes de Reiki o são

O que nos traz infelicidade?

  • A pressão diária dos afazeres quotidianos;
  • O não termos tempo para nós mesmos;
  • A incapacidade de exprimirmos o que sentimos;
  • Estarmos em sofrimento inconsciente;
  • A mente incontrolável com pensamentos excessivos;
  • O sentirmo-nos incompreendidos;
  • As obrigações sociais;
  • A cultura e crenças que nos são incutidas, mas que não correspondem ao que sentimos ser melhor;
  • A incapacidade de relacionar harmoniosamente com os outros;
  • A falta de crença na humanidade;
  • Entre muitas outras coisas…

Quando iniciamos a nossa aprendizagem de Reiki, podemos ir ao engano de pensarmos que vai fazer de nós pessoas felizes. Isso pode mesmo ser um grande engano.

Ao iniciares a tua prática de Reiki, irás aprender que o Mestre Usui indicava que é “A Arte Secreta de Convidar a Felicidade“. Isto quer dizer que, ao praticares os cinco princípios, estarás a desenvolver consciência e a mudar a atitude perante ti mesmo e perante os outros.

Só por hoje, sou calmo, confio, sou grato, trabalho honestamente, sou bondoso.

Então, não há uma promessa de felicidade, mas sim uma indicação clara que terás que trabalhar, diligentemente, para construires o caminho interior que te leva pela felicidade.

Quando encaramos o Usui Reiki Ryoho desta forma, compreendemos que sim, os praticantes de Reiki podem ser pessoas felizes, mas apenas se realmente praticarem aquilo que é a base estrutural do Reiki – a filosofia de vida.

Encarares a vida com uma filosofia assente em cinco princípios poderá parecer simplista, mas na verdade é um trabalho árduo que irá exigir de ti a criação da harmonia, o desenvolvimento da confiança, o entendimento pelas lições de vida, a diligência e a bondade genuína, à qual podemos chamar compaixão e amor incondicional.

Assim, não penses que os praticantes de Reiki são pessoas felizes ou que milagrosamente o iremos ser, os praticantes de Reiki são pessoas que continuam numa vida comum, com os problemas que todos têm e a lidar com as mesmas dificuldades que todas as pessoas lidam, todos os dias. No entanto, eles têm os cinco princípios e, passo a passo, vão construindo o seu caminho na Arte Secreta de Convidar a Felicidade… Possivelmente é esse trabalho, o viver esse caminho, que os faz verdadeiramente pessoas felizes. A mim faz, apesar de todas as dificuldades.

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Como trabalhar um pensamento obsessivo com Reiki

O pensamento obsessivo é algo como uma ideia que está sempre presente na nossa mente e se torna o centro da atenção na maior parte do nosso tempo, chegando a perturbar momentos de concentração noutras tarefas, assim como desviar o nosso estado emocional para o foco resultante desse pensamento obsessivo.

A desconstrução do pensamento obsessivo com a prática de Reiki

Se és praticante de Reiki sabes que o Mestre Usui indicava este método como sendo “A Arte Secreta de Convidar a Felicidade” e que tal representa o trabalho interior que cada um deve fazer, para alcançar a felicidade que está dentro de si.

Ele também indicava que a nossa prática é para a melhoria da mente e do corpo. Então, como poderemos nós tratar um pensamento obsessivo com a prática de Reiki?

Em primeiro lugar não te podes esquecer que deves pedir ajuda profissional no caso de algum tipo de distúrbio mental.

Compreendemos que o pensamento é gerado pela mente e que ela apenas está a desempenhar o seu papel, no entanto, a consciência, deve gerir a mente e não a mente gerir a consciência. Assim, quando existe um pensamento persistente ou pensamento obsessivo, poderemos fazer o seguinte através da prática de Reiki:

  1. Desenvolver a consciência;
  2. Saber estar no momento presente;
  3. Compreender a existência do pensamento obsessivo através da prática dos cinco princípios;
  4. Substituir o pensamento obsessivo por uma forma de estar e não por outro pensamento que pode também ele tornar-se obsessivo;
  5. Aplicar o autotratamento.

A prática do Joshin Kokyu Ho é muito importante, é o desenvolver não só da consciência, como do momento presente. Essa mesma prática pode levar-te a compreender o estado em que tudo o que tu és – corpo, mente, emoções, essência – deve estar. É sentindo esse estado de harmonia que te pode levar a desapegar do pensamento obsessivo, ou seja, não é substituires um pensamento por outro, mas sim um pensamento por uma forma de estar, que te transporta ao momento presente, à consciência de ti mesmo e a um estado de harmonia.

Para reforçares esta prática, poderás ainda usar o nentatsu, reforçando a tua força de vontade em querer praticar o Joshin Kokyu Ho.

Como praticar o aqui e agora

Estar no aqui e agora nem sempre é fácil e notamos isso quando nos perdemos nos pensamentos, quando estamos desatentos e nos esquecemos do que fizemos, ou até quando nem nos apercebemos do que estamos a fazer.

A prática do aqui e agora segundo o Usui Reiki Ryoho

Quando o Mestre Usui criou os preceitos que são a fundação do seu método, ele indicou cinco princípios que começam por uma constatação e atitude – Só por hoje (kyo dake wa).

Este só por hoje serve para nos remeter ao momento presente, ao aqui e agora para que toda a nossa concentração esteja no presente, pois onde está a nossa atenção, está a nossa energia. Estes preceitos falam também que a sua correta aplicação leva à “melhoria do corpo e da mente”, ou seja, ao equilíbrio entre corpo, mente e coração. Então, na prática de Reiki, podemos desenvolver o estar no momento presente, no aqui e agora, da seguinte forma:

  • Através da técnica da respiração – Joshin Kokyu Ho, levando a nossa atenção ao processo da respiração, do ar que entra e sai, da energia que circula no corpo;
  • Através da prática consciente dos cinco princípios, ou seja, ao recitar cada princípio, levar a atenção a cada palavra, sentir, refletir, viver;
  • Através do sentir que se está num momento único e experimentar algo como inspirar e ao expirar dizer “Só por hoje”, ou ao expirar dizer “estou no aqui e agora, neste momento presente”;
  • Através da prática do enraizamento, que pode ser aplicado em qualquer circunstância e momento.

O aqui e agora é uma forma de estar, é o levar da concentração até ao momento presente, o sentir do corpo, do saber que não se está nem no passado nem no futuro, mas sim neste momento presente. O aqui e agora não é uma desresponsabilização ou falta de planeamento, ou ainda incapacidade de rever o passado, é sim uma forma centrada de evitar a ansiedade ou mesmo os sentimentos depressivos pela repetição do reviver de memórias.

Como lidar com a perda aplicando os conceitos de Reiki

A perda de alguém querido deixa-nos sempre com um vazio interior, bastante impossível de preencher, assim como muitas vezes nos leva a sentimentos de dúvida, raiva, tristeza, entre muitos outros. Podemos observar a perda de alguém querido através da prática de Reiki, como ferramenta auxiliar no processo, devendo também consultar alguém especializado no campo médico.

A perda e como lidar com ela através da prática de Reiki

A relação que temos com a família, poderá ser de ligação tão grande que é como se essa pessoa tivesse uma parte de nós dentro dela e, naturalmente, uma parte dela dentro de nós. No momento em que ela falece, fica um vazio em nós, não só pela sua ausência física, mas pela ligação emocional, mental e energética que tínhamos com ela.

Uma das formas de compreendermos a perda é entender que, ao nível energético, a ligação sempre existirá, que apesar da pessoa não estar connosco fisicamente, a energia continua. Claro que não conseguiremos falar com ela, procurar o seu conselho, proteção, força, carinho, amizade, mas ela não deixa de estar connosco. Então, compreender que a ligação continua, é muito positivo. Precisamos cultivar esta nova ligação de uma forma bondosa, ou seja, não expressarmos sempre tristeza, mas partilharmos alegria, boas vivências e agradecimento.

É exactamente pelo agradecimento que podemos continuar a ligação a essa pessoa, auxiliando a ultrapassar a perda. É honrando os seus ensinamentos, a sua vida, aquilo que nos transmitiu que nós também podemos fazer crescer no nosso coração um jardim bonito, que irá ultrapassar o buraco que nele sentimos.

A prática de Reiki sugere que se faça autotratamento, com a intenção de compreender realmente porque há essa dor na perda. Esse entendimento ajudará a desapegar da dor e da necessidade física da pessoa, compreendendo a dimensão em que as essências estão sempre interligadas. Caso não consigas, por favor contacta um profissional para te auxiliar.

Podes ainda enviar Reiki para a situação, promovendo o teu bem-estar, talvez até criando uma situação em que te despedes deste momento físico com a pessoa, em paz, em serenidade, com um bom abraço, porque depois, no campo da energia tudo acontece.

Lembra-te dos cinco princípios. Lembra-te da harmonia que a pessoa ajudou-te a criar, das lições de autoconfiança e outras que foram ensinadas, do trabalho e da forma de estar, de todos os momentos bondosos – estes são tesouros no nosso coração, que o tempo não apaga e esses sim, podem ajudar a suplantar o vazio da perda.

A perda acontece, é mesmo assim e é preciso chorar, fazer o luto, compreender o estado em que se está no momento presente sem a pessoa. E a partir daí, construir o mais bonito jardim em nós, como homenagem a ela. A saudade nunca sai de nós, é natural, mas a forma de a encarar, essa vai mudando.

Tem força, serenidade, vai fazendo coisas bonitas com a memória que tens.

Não confiar pode fechar a nossa vida, o que fazer?

Não confiar nos outros e muitas vezes em nós mesmos, é uma tónica comum nos dias de hoje. Há pessoas já descrentes nos outros e outras que, pior ainda, dificilmente acreditam nelas próprias. Não confiar pode mesmo fechar a nossa vida e isolar-nos das experiências e do crescimento, mas como podemos mudar essa atitude?

Passar de não confiar a saber confiar

Confiar e saber confiar são duas atitudes muito distintas. A confiança tem a ver com abertura, transparência e comunicação verdadeira.

Em muitas situações na vida vamos perdendo a confiança nos outros e, de forma mais grave, em nós mesmos. Então, precisamos compreender o nosso padrão na falta de confiança. Experimenta colocar a ti mesmo estas questões:

  • Quando perco a confiança em alguém o que sinto em mim e como se reflete isso no meu corpo?
  • Quando perco a confiança em mim, o que me dá vontade de fazer? O que sinto?

Nestas duas situações ao não confiar estamos a ficar cada vez mais distantes dos outros e até de nós mesmos, o que nos dará uma sensação mais profunda de tristeza, desilusão e abandono. Se ações nos levam a não confiar, precisamos cultivar uma nova aprendizagem para a confiança e aqui pode entrar a nossa prática de Reiki.

O Mestre Usui indicava que a prática é “A Arte Secreta de Convidar a Felicidade“,  o que quer dizer que precisamos trabalhar interiormente para ir cultivando e preparando este caminho de ser feliz. A confiança é algo que surge em nós quando estamos bem connosco, quando estamos bem orientados e com uma força interior que nos traz serenidade. Vamos tentar observar esta forma de estar através dos cinco princípios:

  • Só por hoje – a confiança é vivida um dia de cada vez, isto ensina-nos a saber gerir expectativas e a não criar ansiedade;
  • Sou calmo – criar harmonia é muito importante, por vezes necessitamos da confiança de outra pessoa para nos sentirmos bem, ou queremos confiar noutra pessoa porque faz parte da nossa forma de estar na vida, mas isto leva-nos a considerar o que entregamos como valor da nossa confiança e de que forma queremos que o outro saiba valorizar e guardar o que entregamos… será isso criar harmonia ou realmente necessário?
  • Confio – saber confiar significa ter um entendimento alargado sobre o outro e compreender que todas as pessoas têm um mau momento, ou que têm os seus limites, que poderão ser diferentes dos nossos. Num momento de necessidade, precisamos de alguém, queremos confiar em alguém para auxiliar e se ninguém corresponde, ficamos desiludidos… Saber confiar é compreender os limites, o que damos, o que queremos, o que é realmente necessário. Saber confiar é compreender as relações humanas;
  • Sou grato – a gratidão representa a aceitação, desapego, nas lições aprendidas. Esta aceitação significa compreender o que a vida nos ensinou quando em algum momento não confiamos e tudo o que daí adveio. A gratidão é uma das mais incríveis formas de nos libertarmos da dor e tristeza por não confiar;
  • Trabalho honestamente – comunicar verdadeiramente é muito importante para qualquer relação. A entrega é necessária, assim como a lealdade e transparência. Quando compreendemos que a comunicação é um pilar para que qualquer relação de confiança funcione, tudo começa a melhorar. Esta comunicação tem que começar, em primeiro lugar, connosco, ou seja, com o teu diálogo interior. Depois, vamos então tentar compreender para onde a vida nos está a levar, para comunicarmos corretamente com a pessoa na qual queremos confiar;
  • Sou bondoso – o último princípio é como uma constante na vida que deve estar sempre presente. A confiança precisas estar de mãos dadas com a bondade. Isto não é ser bonzinho, é mesmo ser bondoso, connosco em primeiro lugar, para depois sabermos ser com os outros.

A confiança pode construir-se com estes cinco pontos de vista, compreendendo a importância da harmonia, do valor das relações, da aprendizagem das lições, da comunicação genuína e da bondade que sempre deve existir. Acima de tudo, compreende também os limites da confiança e que deves cultivar em ti algo de muito valioso – a amizade por ti mesmo.

Como separar as crenças na prática de Reiki

A espiritualidade faz parte de todo o ser humano, de forma muito própria, assim como a religião e as crenças que são parte fundamental da construção intrínseca dos valores e da moral de cada um, assim como a bússola orientadora para a vida. Na prática de Reiki, como poderás tu não misturar as crenças e evitar algumas confusões?

Como separar as crenças na prática de Reiki

Não há ninguém que não tenha crenças, dogmas, filosofia de vida, consciente ou inconscientemente. Tudo isso faz parte da nossa vida, mais consciente para uns, mais inconsciente para outros e é fruto daquilo que os nossos pais nos transmitem, ou mesmo daquilo que a sociedade ensina inconscientemente.

Enquadrar a prática de Reiki é muito importante. O Mestre Usui indicou como a prática de uma filosofia de vida assente em cinco princípios e no trabalho terapêutico com a Energia Universal ao qual deu o nome de Reiki.

Apesar de ele ser japonês, onde as crenças budistas e xintoístas estão sempre presentes, nunca nos disse para seguirmos determinada crença ou crenças. Por isso, em respeito ao criador do Método e ao Método do Usui Reiki Ryoho, não devemos também levar as nossas crenças para lá. Desta forma, tudo funcionará de forma correcta.

Em Portugal, ainda temos muito o estigma do espiritismo e apesar de sermos uma sociedade aberta, ainda estamos muito aquém de compreender a crença de cada um. Então, se alguém que é seguidor do espiritismo vai aprender a praticar Reiki, precisa saber separar muito bem os conceitos. Daí existir uma máxima excelente – a mente de aprendiz. Que nos indica que devemos ir de mente aberta para aprender o que nos ensinam e não ir com uma mente já cheia de preconceitos que irão trazer prejuízo à prática.

Então, compreendendo que devemos separar as crenças e que Reiki não implica qualquer tipo de religião ou espiritualismo, pois é um método de filosofia de vida universal, cuja única “crença” é a de que tudo no universo é composto por energia, podemos pensar da seguinte forma em relação às nossas crenças pessoais:

Como um espírita pode praticar Reiki

Na prática de Reiki apenas trabalhamos com energia e nunca com espíritos. A prática espírita também lida com energia, no entanto nada tem a ver com a prática de Reiki, são conceitos diferentes. Se a tua mente se focar na prática que estás a fazer, tudo estará correcto, ou seja, espiritismo no centro espírita, Reiki na escola de Reiki.

  • Não invocar guias;
  • Não invocar espíritos;
  • No caso de sentir energia densa quando há um tratamento, esta deve ser tratada com a prática de Reiki;
  • Manter o enraizamento;
  • Não arrotar ou expelir o ar com força, manter o enraizamento;
  • Manter o foco no fluxo da energia, que é de cima para baixo, saindo pelas mãos, para si mesmo ou para outros.

Como um cristão pode praticar Reiki

Na prática de Reiki não existem conceitos religiosos e não existe a prática de reza.

  • Não rezar;
  • Não invocar santos ou anjos.

Como um budista pode praticar Reiki

Para um budista poderá ser simples compreender os conceitos da energia na prática de Reiki, no entanto, não estamos ligados a qualquer Buda.

  • Não invocar um Buda;
  • Não recitar mantras.

Claro que estas indicações parecem ser radicais, mas não são, elas são apenas indicações para que dentro de uma prática, estejas focado nesses ensinamentos. Não perdes qualquer tipo de vínculo às tuas crenças ou à tua religião, pois é como se fosses um praticante de triatlo, em cada momento da tua prática, usas as tuas competências específicas do exercício, mas se tentares misturar natação com a bicicleta, não vai dar, algo irá correr mal.

Enquadrar bem a prática de Reiki leva a que as pessoas que a usufruem também compreendam melhor o que é, sem medos, sem preconceitos, sem prejuízos.

A imperfeição é saudável – um antídoto para a ansiedade

Certo dia tive uma manhã de descanso e aprendi a lição de como a imperfeição é saudável. Ia dar uma boa caminhada, mesmo que houvesse chuva, mas vi a previsão de tempo e durante a minha manhã, tudo estaria bem. Vesti-me confortavelmente para caminhar, tinha tudo pronto, mas apercebi-me que alguns pelos da barba não tinham sido desfeitos… e agora?

O mais natural teria sido removê-los, mas curiosamente o que senti foi que os devia deixar, que não devia cultivar o desejo pela “perfeição”, que muitas vezes leva antes à ansiedade.

As lições da imperfeição e a ansiedade

Na pérsia, os tapetes eram feitos com uma ligeira imperfeição, para que sempre se lembrassem que só deus é perfeito. Conjugando esta história, com a sensação da barba, consegue-se perceber que precisamos ansiar menos e viver mais.

Isto quer dizer que o caminho para a perfeição, para o bem fazer, é um percurso de vida no qual devemos ser diligentes, no entanto, se nesse percurso nos tornarmos ansiosos à conta disso, não chegaremos ao fim que queremos.

Sobre a ansiedade, podemos questionar se uma das razões da ansiedade é um desejo, muitas vezes em surdina, de querermos que tudo esteja perfeito. Esta perfeição é, por vezes, aquela vontade que temos que tudo corra bem, que tudo corra de feição e como queremos. Mas e se o nosso propósito for como o de fazer um tapete persa?

Um tapete persa é magnífico, é lindíssimo, é como nós queremos que tudo na vida fosse, mas lembra-te como os tecelões deixavam sempre uma imperfeição… então reflecte sobre isso. E se no teu propósito deixasses uma imperfeição?

Como seria a tua vida se tudo não tivesse que ser perfeito? E se te permitisses falhar? E qual é a folga que dás a ti mesmo?

Sobre a imperfeição, ou a nossa demasiada exigência pela perfeição, podemos refletir com os cinco princípios:

Só por hoje, sou calmo – De que forma o teu desejo que tudo corra bem, te leva a perder a harmonia, a simplicidade, a calma?

Confio – Porque te falta confiança em ti mesmo para teres tanto desejo de perfeição, ou de que tudo corra sempre favoravelmente?

Sou grato – O que o teu caminho para que tudo esteja sempre perfeito te tem trazido?

Trabalho honestamente – Se és diligente a seguir a tua perfeição ou a vontade de que tudo corra bem, consegues sentir que isso é o melhor para ti e para todos? Que impacto tem esse desejo na vida dos outros? Existe um stress latente? Uma ansiedade que te exige atenção? E aos outros?

Sou bondoso – Quando aceitamos que a vida será sempre “incompleta”, impermanente, interdependente e imperfeita, conseguimos aceitar que os outros também sejam imperfeitos nas suas acções? Que lição de bondade pode esta aceitação te trazer?

Assumir a imperfeição é saudável, ajuda-nos a compreender melhor a vida, os outros e também a relaxar. Estar relaxado é necessário para manter a harmonia.

 

Perder a calma – o que podemos fazer depois?

Com certeza que já tiveste daqueles momentos de perder a calma e pior ainda, depois de praticares Reiki também aconteceu algo que te fez perder a calma e disseram “então onde está a tua calma, não és praticante de Reiki”?

Perder a calma – tudo tem uma solução

Podemos ficar bastante incomodados e até perder a vontade de praticar mais, quando algo nos faz perder a calma e alguém nos chama a atenção para isso, uma espécie de bullying por se ter falhado. Mas será que se falhou?

A calma ecoa no primeiro dos cinco princípios – só por hoje, sou calmo. Este é o grande pilar da nossa prática e é o que nos pede para cultivarmos a harmonia, para sabermos esperar pelo tempo certo, para não querermos fazer as coisas a correr ou de forma incorrecta. Só por hoje, sou calmo, é mesmo o grande incentivo para a harmonia entre todos.

Então será que devemos ficar contentes por falhar um princípio tão importante?

Não se tratar de falhar. Toda a vida é uma experiência de aprendizagem e muitas vezes lidamos com tentativas. Não estamos sempre no mesmo estado, mesmo que façamos muitas vezes o autotratamento, pois se a pressão exterior for contínua, não há forma de conseguirmos descarregar. Apesar de ao se perder a calma estarmos a perder, por vezes, razão, isso não quer dizer que estejamos absolutamente errados. Esta compreensão é o que deve fazer o nosso comportamento em comunidade crescer, ou seja, se eu aceitar o comportamento errado do outro como um comportamento ocasional, eu adquiro entendimento sobre o meu próprio comportamento. Isto não significa que se pode agir mal, nem pensar, mas significa sim que compreendemos os motivos poderemos ter mais sabedoria, menos julgamento e mais compaixão. Esse sim, é o grande propósito da compaixão.

Como vivemos em interdependência, quando uma pessoa perde a sua calma, ela também está a partilhar uma experiência e por vezes é necessário, quando se torna urgente impor limites sobre o abuso. O maior dano de perder a calma é claro que é nosso, mas podemos sempre considerar o seguinte:

  • Compreender o que nos levou realmente a perder a calma?
  • Houve algum caso de falta de autoconfiança ou quebra de integridade?
  • Será que estavamos sobre pressão contínua há muito tempo?

Sobre estas questões, devemos então procurar algumas técnicas da prática de Reiki:

  • Joshin Kokyu Ho, para que desenvolvas a meditação e possas construir uma maior paz contigo mesmo;
  • Tratamento específico dos chakras que possam estar em desequilíbrio devido a essa perturbação e que te levam a perder a calma;
  • Nentatsu ou Seiheki Chiryo, para que possas mudar a tua atitude perante situações semelhantes.

Reiki é verdadeiramente incrível e não te preocupes, perder a calma por um momento não é o fim do mundo, principalmente se daí puderes tirar grandes e valiosas lições que farão de ti uma pessoa cada vez melhor. Isto é também trabalhar a autoestima.

Ser praticante de Reiki é isto mesmo, é estar consciente, atento, é saber mudar e melhorar, é continuamente praticar. E para que? Para seguirmos o que o Mestre Usui nos indicou “Guiar para uma vida pacífica e feliz”.

Os poemas do Imperador Meiji para a autoestima

O Mestre Usui escolheu 125 poemas do Imperador Meiji, entre milhares de outros que ele tinha, para a reflexão dos seus alunos. Então, usamos estes poemas como “conselhos” de um amigo ou de alguém que nos quer ajudar a ter uma outra perspetiva das coisas.

Refletir sobre a autoestima com os poemas do Imperador Meiji

Poderás escolher um poema por dia, com a intenção de compreenderes melhor as tuas questões de autoestima. Já sabes que isto nada tem a ver com futurologia, mas sim com a tua capacidade interpretativa. Experimentei tirar quatro poemas e vamos interpretá-los como exemplo:

20 — ÀS VEZES

Aprendiz! Não te esqueças de trabalhar arduamente, em vez de te apressares para o progresso.

Perante as tuas questões, não te esqueças de ser diligente, de não desistires de ti mesmo, sem ansiedade, sem pressa, mas com persistência em tanta quantidade quanta a bondade que vais nutrindo por ti mesmo.

119 — COMPORTAMENTO

As pessoas com estatuto elevado na sociedade, como governadores e diretores, devem agir de forma adequada.

Porque a tua autoestima está em baixo? Sentes-te demasiado julgado e criticado por ti mesmo, pelos outros? Se há algo que está errado, o que achas que poderás fazer, não sendo tão crítico?

100 — MESTRE

A casa aguenta-se firme graças ao pilar central. A razão pela qual as famílias prosperam é porque existe um mestre, um líder da casa.

Uma forma de aumentares, resgatares, a tua autoestima, é compreenderes a importância que tens, o teu próprio valor. Este poema é um claro exemplo de isso e merece que seja recordado na mente e no coração.

79 — DESEJO PARA A FLOR

Não vamos lamentar a curta vida das flores de cerejeira. Ao invés, vamos esperar que, embora a primavera acabe em breve, a sua beleza dure mais tempo no rio.

Tudo muda na vida, mas a forma de apreciar a beleza e o valor das coisas depende unicamente de nós mesmos. Vale a pena acreditares em ti mesmo e em te valorizares, dá força a ti mesmo e observa que a vida tem tudo para ti.

Podes encontrar os 125 poemas do Imperador Meiji no livro Reiki Guia para Uma Vida Feliz.

Os cinco princípios em cada posição de autotratamento para a paz da mente

Por vezes encontramos dificuldade no autotratamento Reiki, poderá ser pela quantidade de pensamentos que fluem, como por algum desconforto que tenhamos no corpo. Podem sobressaltar emoções ou memórias. Então podemos usar um pequeno truque no autotratamento – os cinco princípios.

Como aplicar os cinco princípios no autotratamento para tranquilizar a mente

Inicia o teu autotratamento com habitualmente fazes, fazendo as técnicas de limpeza, recitando os cinco princípios e colocando a tua intenção.

Em cada posição que faças vai recitando os cinco princípios, como se a vibração deles fosse fluindo para dentro do corpo. Podes repetir até mais do que uma vez.

Recita-os calma e profundamente, deixa-te embalar no bem-estar que os princípios sempre te trazem e leva essa boa energia para o autotratamento.

autotratamento Reiki

Esta prática de aplicação dos cinco princípios irá ajudar-te a manteres-te cada vez mais focado na prática, seguindo aquela máxima do zen “quando como, como; quando durmo, durmo”, para nós será algo como “quando pratico Reiki, pratico Reiki”.

Além disso, esta repetição consciente dos cinco princípios irá ajudar-te a fortalecer a consciência e também a elevá-la.

Cinco princípios para a autoestima

Os cinco princípios são a nossa bússola orientadora, eles guiam-nos ao encontro de nós mesmos, na compreensão da autoestima, da autoconfiança e de todos os valores humanos que temos.

Trabalhar com cinco princípios para resgatar a autoestima

Só por hoje – Estares no momento presente permite que tenhas consciência do que se passa e tomes uma atitude. Compreendas porque reages de determinada forma, ou porque os outros levam a ti determinadas reacções ou formas de agir. Só por hoje é estar centrado, consciente e capaz de tomar as melhores decisões para todos. Palavra Chave – Em mim eu estou bem…

Sou calmo – Não agir precipitadamente, não cair na loucura das rotinas diárias, não perder o controlo de si mesmo ou deixar que os outros controlem o seu bem-estar. Manteres a calma é saberes ter controlo, ao mesmo tempo que manténs a tua paz interior. Palavra Chave – Eu estou em paz…

Confio – Sem dúvida que consegues e mesmo quando não consegues podes saber lidar com isso. Confiar significa também saber delegar, ou pedir ajuda. Quando algo corre mal, não é baixar os braços e ficar triste, é compreender, aceitar e desapegar, sabendo que tudo irá correr bem, pelo melhor. Palavra Chave: Eu acredito em mim mesmo…

Sou grato – As lições que aprendeste até agora podem guiar-te para uma “vida pacífica e feliz“, mas se não as quiseres escutar e mudar o que deves mudar, então como poderão as coisas correr melhor? Aprende também a agradecer pelos maus momentos, sabe entregar o peso que tens, isso também é uma atitude de calma e confiança. Palavra Chave: Eu sinto-me a fluir com a vida…

Trabalho honestamente – Honestidade e diligência, comunicação e perseverança. Sem dúvida que seres verdadeiro contigo mesmo, com os outros e com a vida irá ajudar a estares cada vez melhor e com força interior. Palavra Chave: Eu sou Verdadeiro.

Sou bondoso – Se não fores bondoso para contigo mesmo, como esperas que os outros o sejam? Este é o último princípio, mas muitas vezes o mais difícil de todos, pois exige o maior de todos os sacrifícios – a autoconsciência. Ter consciência de nós mesmo, verdadeiramente, é saber ter consciência de todos aqueles que nos rodeia e da vida em si, ou seja, é saber que todos nós temos uma parte importante na vida e todos nós somos igualmente importantes, ninguém mais do que outro. Ser bondoso é saber valorizar e o que podes não estar a valorizar em ti? Palavra Chave: Eu amo-me.

Vale a pena investires em ti, teres consciência das tuas necessidades, dos teus defeitos e valores, saberes viver de uma forma equilibrada e ajudares os outros também nessa vida de equilíbrio. A autoestima é também uma valorização pessoal, vale a pena.

Cinco princípios para observar os chakras

Os cinco princípios de Reiki são os nossos pilares de atenção e elevação da consciência, conseguimos construir muito com eles, até a compreensão dos nossos chakras, os centros energéticos que estão no nosso corpo subtil.

Os chakras e o seu entendimento pelos cinco princípios

Os chakras são centros energéticos que correspondem a estados de consciência, que afectam e são afectados pela nossa mente e coração. Os pensamentos, sentimentos e emoções que temos afetam a sua energia e vice-versa. Compreendemos então que a energia vem também da nossa forma de estar e de ser, que devemos não só nos trabalhar energeticamente, mas principalmente ao nível da consciência. Temos 7 chakras principais dentro do corpo e dois chakras transpessoais, acima da cabeça.

Então estes nove centros principais de energia são nove centros de consciência, podemos, de uma forma simples, indicá-los como:

  1. Chakra Raiz – EU SOU;
  2. Chakra Esplénico – EU SINTO;
  3. Chakra do Plexo Solar – EU FAÇO;
  4. Chakra Cardíaco – EU AMO;
  5. Chakra Laríngeo – EU COMUNICO;
  6. Chakra da Terceira Visão – EU VEJO;
  7. Chakra da Coroa – EU COMPREENDO;
  8. Chakra Estrela da Alma – EU SOU O QUE EU SOU;
  9. Chakra Portal Estelar – EU SEI.

Para cada um destes chakras, podemos trabalhar os cinco princípios para compreender os bloqueios que ainda neles existem. Como por exemplo.

Existem bloqueios ao nível do chakra raíz que nos levam a não estar enraizados, podemos sentir isso por estarmos muito com a cabeça no ar, ou demasiado desligados da realidade, então podemos trabalhar os princípios da seguinte forma:

  • Só por hoje, sou calmo – Porque há algo que me leva a querer estar fora de mim, fora do meu centro, ou deste momento presente?
  • Confio – Porque não aceito que em primeiro lugar está a minha própria força vital e vida que preciso construir? Porque me sinto sempre a fugir?
  • Sou grato – Toda esta agitação que sinto, que lições me traz? O que me leva a refletir e a ter que mudar na vida?
  • Trabalho honestamente – Como tenho trabalhado a minha consciência para mudar as atitudes ou ações que me levam a agir desta forma perante a questão que tenho? De que forma me irei disciplinar?
  • Sou bondoso – Como compreendo que é através da integração comigo mesmo, com o conseguir estar ligado, conectado, que posso ter uma vida mais harmoniosa e equilibrada?

Com este exemplo, trabalhamos algumas questões do Chakra Raiz, tão importante para a nossa sustentação e vida. Experimenta fazer o mesmo com os seguintes chakras, refletindo nos seus aspectos conscientes…

Em momentos de paz a insatisfação traz sofrimento

Nunca sentiste que nos momentos de paz, em que parece que não há desafios, que tudo está bem, por vezes a nossa insatisfação anula a tendência para tudo estar bem?

A insatisfação como auto boicote para os momentos de paz

Tudo está bem, mas existe uma certa agitação latente em nós que impede que tudo continue bem. Esta é a nossa natureza humana. Vemo-lo na nossa vida quotidiana e nas infelizes decisões políticas ao nível global. Momentos de paz trazem-nos serenidade, mas são os momentos de perturbação que nos podem trazer grande crescimento, será por isso que vivemos mais tempos perturbados que pacíficos?

A nossa insatisfação é como uma vozinha interior, umas vezes imperceptível, outras demasiado ruidosa. É por isso que precisamos cultivar uma atitude consciente, para escutar essa voz insatisfeita e curar esse veneno que desde sempre cresce em nós.

Então como poderemos tratar a nossa insatisfação?

Podes seguir duas vias muito importantes na prática de Reiki, a meditação e os cinco princípios.

Entrega-te diariamente à prática meditativa, torna-a uma disciplina, um gosto, uma vivência no teu quotidiano. Não te deixes sucumbir à pressão interior e exterior, cria um espaço vazio para o teu bem-estar, pois nada é mais importante que isso – tu estares bem.

Observa a tua relação com os cinco princípios e questiona-te sobre quais os mais difíceis, quais os que exigem mais de ti e os que surgem com maior frequência através das situações. Aí está a observação da tua insatisfação e uma boa forma de a começares a tratar, através da tua consciência.

Recebe Reiki e pratica Reiki, entrega-te a uma vivência positiva e a insatisfação irá desfazer-se como um sonho sem sentido. A nossa tendência natural é ter uma vida pacífica, quando não há insatisfação.

A atitude positiva na prática de reiki

Ter uma atitude positiva é muito importante em todos os campos da nossa vida e o mesmo se aplica também à prática de Reiki, quer ao fazer aos outros, quer a fazer o autotratamento, ou seja, o cuidado a nós mesmos.

A atitude positiva e como a adquirir e viver na prática de Reiki

Com a prática do Usui Reiki Ryoho, podes (deves) desenvolver uma atitude positiva na vida. Esta possibilidade e dever é o entendimento que a nossa vida deve mesmo trilhar um caminho pacífico e feliz, como o Mestre Usui indicava. Para o fazer, temos uma filosofia de vida que nos orienta e é indicada por cinco princípios:

  • Só por hoje, sou calmo – Em todas as coisas na vida, pretendo cultivar harmonia;
  • Confio – Aprendo a viver abertamente, compreendendo o que é confiar em mim mesmo e aprender a confiar nos outros, sabendo ser claro no que pretendo e sabendo procurar a clareza no que os outros pretendem;
  • Sou grato – Agradeço por todas as oportunidades, mesmo as mais duras;
  • Trabalho honestamente – Comunicarei sempre comigo mesmo e com os outros, serei diligente no que tenho a fazer;
  • Sou bondoso – A bondade faz gerar paz e felicidade, devo-o ser em primeiro lugar comigo mesmo para depois saber levar essa bondade aos outros.

Além dos cinco princípios, temos também os 125 poemas do Imperador Meiji, que nos auxiliam a refletir sobre as questões na vida e a forma de ter uma atitude positiva perante elas.

Os poemas do Imperador Meiji são apenas uma forma de reflexão, uma conexão com o universo e com a vida, uma perspetiva para as nossas situações. Quando temos este tipo de receptividade, quando escutamos e tentamos compreender, já estamos a gerar uma atitude positiva. Com ela, temos tudo para estar no bom caminho.

Como praticar com uma atitude positiva

Se estás na prática de Reiki é porque com toda a certeza queres mudar algo e para o fazer, precisas de cultivar uma atitude positiva. Isto quer dizer que é preciso teres essa semente no teu coração e na tua mente, para que quando a adversidade surge, como por exemplo, um autotratamento mais exigente, ou que faz surgir situações passadas, então tu saberás lidar com elas através da tua atitude positiva. Ou seja, colocas em prática os cinco princípios e sabes que precisas encarar com harmonia, confiança, gratidão, honestidade e muita bondade, todas essas situações, que sejam tuas internas, ou externas que surgem pela acção dos outros.

Pratica com um sorriso, não te deixes infectar por insatisfação ou desmotivação, pratica, pratica, pratica, cultiva em ti a atitude positiva de uma filosofia de vida.

Mantém a tua prática de autotratamento com regularidade, observa os teus pensamentos e emoções mais negativos e aplica a técnica Nentatsu para os tratares. A mudança do pensamento é muito importante para a ação correta.

Não fazer por bem mas fazer o que é correto – a bondade e as lições de um gato

Qualquer pessoa tem em si o grande desejo de fazer por bem e, culturalmente, somos ensinados a fazer o bem sem olhar a quem, o que é uma atitude de abnegação, humildade e bondade. Nem sempre este grande desejo de fazer o bem é correctamente aplicado e então entramos em conflito interior – quem sou eu que tem este querer fazer o bem e porque não o aceitam ou interpretam mal?

O querer fazer por bem e as lições da bondade

A minha mãe tem uma gata que foi abandonada pela mãe, mal nasceu. Desenvolveu atitudes anti-sociais e apenas tolera a sua “mãe adoptiva”, quanto às outras pessoas, só cheira um pouco da primeira vez e depois arranha ou faz uns barulhos um pouco estranhos, para avisar que a interacção não vai correr bem. Nos seus olhos há sempre um profundo descontentamento e o seu coração está fechado, pela falta de amor filial que teve. A vontade é de abraçá-la e dar-lhe muito amor até o seu coração se abrir… no entanto, o mais pequeno gesto vai dar como resultado umas arranhadelas bem profundas e uma gata bem furiosa. Curiosamente, nos humanos também encontramos semelhanças. Quantas pessoas não conhecerás que estão assim fechadas, em dor, em solidão e no entanto, quando há uma tentativa de sanação e aproximação, reagem mal?

Esta é uma boa reflexão para o querer fazer por bem, para a diferença entre a compaixão, o ser bondoso e o ser bonzinho. Será este o momento ideal para reflectirmos sobre a nossa “ganância” da bondade, o querer fazer tanto o bem, que por vezes queremos forçá-lo a quem não o pediu ou ainda não está capaz de o aceitar.

A ganância da bondade é um uso exacerbado da vontade de querer ajudar os outros, de querer fazer o bem. Nestas situações, não se avalia bem a necessidade do outro, o que realmente necessita e qual a forma de nós o podermos ajudar, sabendo perguntar.

Novamente, a nossa cultura interfere. É-nos incutido o saber fazer por bem, fazer o bem, mas sem que se saiba, o que origina por vezes atitudes desviantes e que mais afectam o coração, o sentimento, de quem tenta fazer algo de bom e falha redondamente. Se estivemos numa cultura genuína, não haveria qualquer problema em perguntar o que a pessoa precisa, o que podemos fazer por ela e até mesmo recusar ajudar, se não estiver ao nosso alcance.

Vale a pena reflectirmos sobre isto:

  • Saber comunicar correctamente o que se precisa;
  • Saber perguntar a quem precisa, o que precisa realmente e como;
  • Saber recusar no caso de não ser possível;
  • Saber fazer o bem e fazer por bem de forma consciente, activa e compassiva.

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