O Tao do Reiki

Descobrir, Desenvolver e Crescer com Reiki

Categoria: Budismo Page 1 of 4

Um pouco além de ser vegetariano

Ser vegetariano começa a ser uma tomada de consciência cada vez mais presente nos dias de hoje. Uns por razões de dieta, outros por questões ideológicas. Podemos considerar que tudo o que seja verdadeiramente bom para nós e para os outros está correto, mas precisamos ter um entendimento real do que está além de ser vegetariano.

Em quaisquer decisões que tomemos na nossa vida, precisamos sempre o fazer em harmonia e equilíbrio. Por exemplo de optamos por uma alimentação vegetariana ou vegan, precisamos observar e sermos observados se realmente é a melhor alimentação para o nosso tipo de corpo e necessidades do dia-a-dia, caso contrário, grandes desequilíbrios poderão surgir e originar doença.

Se nos tornarmos vegetarianos por ideologia, então há muito mais ainda que devemos ter em consideração, precisamos ir bem além do não consumir carne animal e compreender tudo o que está por detrás desse conceito.

Ser vegetariado por ideologia – o que esta além desse princípio

Quando optamos por não comer carne animal, muitas vezes é por pena de todos os seres vivos e por considerarmos desnecessário o seu sacrifício. Esse é um preceito que se segue corretamente, mas por vezes deixam-se outras coisas para traz como continuar a beber álcool, fumar, fumar “outras coisas” além de tabaco, ter más atitudes, entre muito mais.

Das culturas orientais surge este conceito do vegetarianismo, ou até mesmo de movimentos espirituais ocidentais, principalmente do século XIX. Indo observar aqueles que são movimentos milenares, observemos o Budismo.

No Budismo existem cinco preceitos. Eles indicam claramente cinco atitudes que os budistas devem adotar, em cada passo da sua mudança de consciência:

  1. Não matar (onde se inclui a vontade de ser vegetariano);
  2. Não rou­bar;
  3. Não men­tir;
  4. Não ter má con­du­ta ­sexual;
  5. Não se entorpecer com álcool ou drogas.

Não matar 

Não matar é um preceito que nos fala sobre respeito por todos os seres. Este não matar é também algo que pode ser entendido como não magoar, o que nos faz ter ainda mais consciência dos nossos atos, palavras e pensamentos.

Sobre o comer carne, Buda indicava algo de muito interessante no seu Sutra do Grande Nirvana.

Aqueles que comem carne per­tur­bam o desen­vol­vi­men­to da grande com­pai­xão. Onde quer que andem, parem, se sen­tem ou se dei­tem, o chei­ro da carne que come­ram pode ser sen­ti­do por ­outros seres sen­cien­tes, os quais, con­se­quen­te­men­te, se ame­dron­tam.

Sutra do Grande Nirvana

Mas será que ao comer vegetais não estaremos também a incorrer no mesmo erro?

Sim e não. Segundo Buda, os animais têm também consciência e como tal, devem ser respeitados pois estão também a fazer um caminho como nós próprios. No entanto, também as plantas são dotadas de uma natureza búdica e estudos recentes mostram reações perante situações e algo que para nós seria identificado como emoções. É por isso mesmo que algumas religiões e movimentos como o Jainismo tentam observar o máximo possível de Ahimsa, a não violência para com tudo o que é vivo.

Pessoas que gos­tam de matar cau­sam repul­sa noutros seres vivos, ao passo que aque­las que não gos­tam de matar ­atraem para si os ­outros seres vivos.


Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria

Não rou­bar

Muitas vezes usamos coisas que não são nossas para benefício próprio e consideramos apenas oportunidade. De um ponto de vista kármico é algo como roubar. Quando alguém se apega a essas oportunidades, ficam a considerá-las um direito e, a partir daí, muito sofrimento pode surgir e desenvolverem-se as sementes da cobiça e da raiva.

Não roubar também nos ensina a saber valorizar. Por vezes não queremos roubar ninguém, mas queremos ter a melhor vantagem para nós mesmos, então desvalorizamos o outro. Se o outro estiver em grande necessidade, ele sucumbirá a essa desvalorização. Que erro cometemos nós?

O Buda disse:

“Ananda, como igno­ram a ver­da­de, os seres sen­cien­tes aferram-se aos seus dese­jos e ocul­tam A sua sabe­do­ria sob o véu das suas ­ideias pre­con­ce­bi­das”.

BUDA, Sutra do Grande Nirvana

Não men­tir

Podemos mentir omitindo ou mentir intencionalmente. Por vezes julga-se que apenas se conta meia verdade, ou melhor, meia mentira, o que é algo que pode levar às mesmas condições prejudiciais da mentira por si. A duplicidade, a distorção da verdade, poderá ser também um ato muito grave pois trata-se da manipulação da realidade e até da vida dos outros.

Aquele que mente ilude – pri­mei­ra­men­te a si pró­prio e ­depois aos ­outros. Trata a ver­da­de como se fosse falsa e o falso como ver­da­dei­ro. Confundindo total­men­te o ver­da­dei­ro e o falso, não con­se­gue aprender o que é bené­fi­co. Ele é como um reci­pien­te tapa­do no qual a água limpa não pode ser des­pe­ja­da.

Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria

Não ter má con­du­ta ­sexual

A má conduta sexual toca também nos preceitos anteriores, o que implica termos respeito por todos e não mentirmos e não os desvalorizarmos.

Muitas vezes a má conduta vem de uma má consideração por nós próprios ou por uma falta de olhar para os outros com o respeito que merecem. O que este preceito também nos pede é uma vida em equilíbrio, o que nada tem a ver com ser celibatário, esta parte apenas está reservada aos monges.

Não abu­sar de dro­gas ou bebi­das alcoólicas

Quando estamos alterados pelo uso de substâncias entorpecedoras ou que alteram a nossa vigilância, a consciência fica nublada, distante e o resultado das nossas ações, palavras e pensamentos, poderá ser o que não queremos.

Este é um preceito que em primeiro lugar nos indica que estas substâncias são más para nós próprios e que nos levam a perder o autocontrole, por opção própria, tal poderá ter efeitos no nosso próprio discernimento sobre o que é bom ou mau, o que é correto ou incorreto na vida.

E queres passar uma vida inconsciente ou consciente?

Quem qui­ser atra­ves­sar o gran­de ocea­no do nas­ci­men­to e da morte deve obser­var os Cinco Preceitos de todo o cora­ção e com a mente por intei­ro.


Sutra Upasaka-shila (Sutra sobre os Preceitos de Upasaka)

Como vês, ser vegetariano poderá ter muito mais por detrás como atitude que apenas o não matar seres vivos, ou consumir a sua carne, na verdade, isso nada é se apesar de não consumires outros seres te destróis a ti mesmo. A vida deu-te vida e tens uma responsabilidade para com a vida.

Aquele que obser­va os Cinco Preceitos é sem­pre superior até mesmo que o mais rico e pode­roso que os vio­la.

A fra­grân­cia das flo­res e da doce madei­ra ao longe não pode ser sen­ti­da, mas a doce fra­grân­cia da mora­li­da­de em todas as dez dire­ções será sen­ti­da. 

Aquele que obser­va os Cinco Preceitos está sempre ale­gre e satis­fei­to e sua boa repu­ta­ção à distância será conhe­ci­da; seres celes­tiais amor e res­pei­to por ele sentirão e a sua vida neste mundo será com doce êxta­se preenchida.

Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria

Estes preceitos Budistas não são também para serem encarados de uma forma radical. Há uma história em que um barman pergunta a um monge. “Mestre, sou budista e vendo bebidas alcoólicas aos outros, será que devo desistir do meu trabalho? Mas preciso dele para viver”.

O Mestre indicou-lhe o seguinte “Quando tiveres condições para saíres e não tiveres que vender mais bebidas alcoólicas aos outros, então será a altura de o fazeres”. 

Como vês, tudo em harmonia, a tomada de consciência deve ser feita pelo caminho do meio.

O Sutra Sallatha – o ensinamento da flecha

A compreensão do sofrimento humano é um dos pilares do Budismo. Compreender como encarar o sofrimento pode ser a diferença entre uma atitude sábia ou uma observação à luz do desconhecimento. Sabedoria e ignorância podem jogar um papel muito importante também na resolução da dor.

Buda tem um conselho para nós sobre a dor e ele está inscrito num dos seus muitos ensinamentos – o Sutra Sallatha.

O Sutra Sallata

Monges, uma pessoa comum sem instrução, sente sentimentos de prazer, sentimentos de dor, sentimentos de nem-prazer-nem-dor. Um discípulo bem instruído, da classe nobre, também sente sentimentos de prazer, sentimentos de dor, sentimentos de nem-prazer-nem-dor. Então, que diferença, que distinção, que fator distintivo existe entre o discípulo bem instruído dos nobres e a pessoa comum não instruída?

Para nós, Senhor, os ensinamentos têm o Abençoado (Buda) como a sua raiz, o seu guia e o seu árbitro. Seria bom que o Abençoado explicasse o significado desta declaração. Tendo ouvido isso do Abençoado, os monges irão lembrar-se disso.

Nesse caso, monges, escutem e prestem muita atenção. Eu irei falar.

“Como disseres, senhor”, os monges responderam.

O Abençoado disse: “Quando tocado por um sentimento de dor, a pessoa comum, sem instrução, sofre, aflige-se e lamenta-se, bate no peito, fica perturbada. Então ela sente duas dores, a física e a mental. Assim como se fossem atirar a um homem uma flecha e, logo de seguida, atirassem nele outra, para que sentisse as dores de duas flechas. Da mesma forma, quando tocado por um sentimento de dor, pessoa comum, não instruída, sofre, aflige-se e lamenta-se, bate no peito, fica perturbado, por isso sente duas dores – a física e a mental.

Como ele é tocado por aquele sentimento doloroso, ele é resistente. Qualquer obsessão por resistência em relação àquele sentimento doloroso o obceca. Tocado por aquele sentimento doloroso, ele deleita-se no prazer sensual. Por que? Porque a pessoa comum, não instruída, não discerne qualquer fuga do sentimento doloroso, além do prazer sensual. Enquanto ele se delicia com o prazer sensual, qualquer paixão obsessiva em relação àquele sentimento de prazer o obsessa. Ele não discerne, como na verdade está presente, a originação, o desaparecimento, a atração, o recuo ou a fuga desse sentimento: como a pessoa não percebe a originação, o desaparecimento, a atração, o recuo ou a fuga desse sentimento, então qualquer obsessão por ignorância em relação àquele sentimento de nem-prazer-nem-dor, o obceca.

Sentindo uma sensação de prazer, ele sente como se estivesse unido a ela. Sentindo uma sensação de dor, ele sente como se estivesse unido a ela. Sentindo um sentimento de nem-prazer-nem-dor, ele sente como se estivesse unido a tal. Assim é chamada de pessoa comum, não instruída, que se une com o nascimento, o envelhecimento e a morte, com tristezas, lamentações, dores, aflições e desesperos. Ela está unida, digo-lhe, ao sofrimento e stress.

Agora, o discípulo nobre, bem instruído, quando tocado com um sentimento de dor, não se entristece, aflige ou lamenta, não bate no peito nem fica perturbado. Então ele sente uma dor – física, mas não mental. Exatamente como se fossem atirar a um homem uma flecha e, logo depois, não atirar nele outra, para que ele sentisse a dor de apenas uma flecha, da mesma forma, quando tocado por um sentimento de dor, o discípulo nobre, bem instruído, não se entristece, aflige ou lamenta, não bate no peito nem fica perturbado, sente uma dor: física, mas não mental.

Ao ser tocado por esse sentimento doloroso, ele não é resistente. Nenhuma obsessão por resistência em relação àquele sentimento doloroso o obceca. Tocado por aquele sentimento doloroso, ele não se deleita no prazer sensual. Por que? Porque o discípulo nobre, bem instruído, discerne uma fuga do sentimento doloroso para além do prazer sensual, pois não se deleita no prazer sensual, nenhuma obsessão por paixão em relação àquele sentimento de prazer o obceca, ele discerne, como na verdade está presente, originação, falecimento, fascínio, desvantagem e fuga desse sentimento. Quando ele discerne a originação, o desaparecimento, a atração, o recuo e a fuga desse sentimento, não há obsessão por ignorância em relação àquele sentimento de nem-prazer-nem-dor o obceca.

Sentindo uma sensação de prazer, ele sente que se separou dela. Sentindo um sentimento de dor, ele sente-se disjunto. Sentindo um sentimento de não-prazer-nem-dor, ele percebe que é separado dele. é chamado de um discípulo bem instruído dos nobres, separado do nascimento, do envelhecimento e da morte, das tristezas, lamentações, dores, aflições e desesperos. Ele está disjuntivo, digo-lhe, do sofrimento e do stress.

Essa é a diferença, essa é a distinção, esse é o fator distintivo entre o discípulo bem instruído dos nobres e a pessoa comum sem instrução.

A pessoa perspicaz, culta,
não sente uma sensação mental de prazer ou dor:
Esta é a diferença na habilidade
entre o sábio e a pessoa comum.

Para uma pessoa instruída
que já aprofundou o Dharma,
claramente vendo este mundo e o próximo,
as coisas desejáveis não lhe encantam a mente,
e as indesejáveis não fazem resistência.

A sua aceitação
e rejeição estão espalhadas,
foram para o seu fim
não existem.

Conhecendo um estado sem pó, sem tristeza,
ele discerne corretamente,
foi além, além ainda de se tornar,
foi para a margem longínqua.

Porque Vivemos – uma lembrança que reforça o espírito do natal

Ontem tive o grande gosto de receber do Mauro Nakamura, uma lembrança que o Sr. Yamazaki enviou da Ichimannendo, o filme Porque Vivemos, a versão japonesa, que em Janeiro de 2019 será lançado nas salas de cinema de Portugal.

O filme é inspirado no livro com o mesmo nome, Porque Vivemos do prof. Kentetsu Takamori, que terá também o seu lançamento em Portugal em Janeiro de 2019, pela Editora Nascente.

Esta lembrança do Sr. Yamazaki recordou-me um texto muito importante do livro:


A satisfação de conquistar a maior parte dos objetivos dura pouco, em breve perde a cor e transforma-se em lembrança. A satisfação de realizar o propósito da vida é, porém, absolutamente diferente e nunca desaparece.

Kentetsu Takamori

Realizar o propósito de vida, muitas vezes é apenas sermos naturais e cumprirmos corretamente o que devemos fazer.

Aproveito e partilho contigo uma introdução ao filme, feita pelo Mauro, quando Porque Vivemos foi lançado no Brasil.

Lançamento do livro O Caminho da Iluminação do Ven. Mestre Hsing Yun

No dia 21 de Setembro, pelas 21h30, realizou-se a apresentação ao público do livro “O Caminho para a Iluminação”, da Editora Nascente, escrito pelo Venerável Mestre Hsing Yun. Estiveram presentes a Ven. Mestre Chueh Yann, Elisa Chuang e João Magalhães. Contamos ainda com a presença da Presidente da BLIA, a srª Fu e os presidentes dos vários grupos.

Três apresentadores, um livro, uma mente de Buda – O Caminho da Iluminação

A Ven. Mestre Chueh Yann fez uma apresentação sobre o Templo Fo Guang Shan e o Ven. Mestre Hsing Yun, o autor deste livro, Elisa Chuang sobre a BLIA e as actividades de meditação que realizam e João Magalhães a apresentação sobre o livro.

Este é um excelente livro para todos os que queiram conhecer o caminho do Budismo e encontra-se dividido em quatro partes – O Despertar, O Viver no Mundo, Perseverar no Caminho e ainda Progredir no Caminho. É um excelente livro, companheiro de “Ser Bom – guia da ética budista para o dia a dia“.

O nosso grande obrigado ao Jorge Costa pela tradução, à Sandra pelas fotos a todos os participantes, à presença e sempre apoio da Editora Nascente e ao despertar que cada um dos leitores está a realizar.

Podem ver no Facebook as fotografias deste evento…

O Sofrimento é Opcional – Monja Coen – Livro Recomendado

O sofrimento é opcional é o primeiro título da Monja Coen em Portugal, alguém muito querido desde há muitos anos, pelas suas lições de vida, simples, práticas, quotidianas e contemporâneas.

O livro estará disponível a partir do dia 17 de Setembro de 2018 e a 7 de Outubro a Monja Coen dará uma palestra no Oeiras Park, pelas 15h00.

Como o budismo Zen pode ajudar a vencer a depressão – O Sofrimento é opcional – um livro da Monja Coen

Continuando a sua forma de estar, expressão simples e de fácil entendimento, a Monja Coen leva-nos através da experiência, interpretação das Quatro Nobres Verdades e do Caminho das Oito Práticas a uma partilha de vivências e sabedorias que nos poder dar novas perspetivas sobre a depressão.

Observar os ensinamentos de Buda através de uma perspetiva tão lúcida e contemporânea, poderá ser uma boa ferramenta auxiliar para todos aqueles que desejam compreender o que outros passam ou mesmo o que eles próprios estão a passar nesta fase da vida.

Ao acordar sorria, afinal não morreu durante o sono.

E como este exemplo, tantos outros surgem no livro para nos dar sugestões Zen, simples, mas exigentes, para que possamos consolidar cada vez mais o entendimento correto sobre nós mesmos e o sofrimento que possamos ter, podendo assim cultivar cada vez mais uma vida feliz e de boas afinidades.

E será que Sidarta Gautama, o Buda, sofreu também de depressão?

O sofrimento é opcional é um livro profundo, que tenho a certeza que escutarás nele a voz da Monja Coen e a sabedoria milenar que contém.

O sofrimento é opcional – ficha técnica

O sofrimento é opcionalAutoajudaMonja CoenBudismoEditora NascenteSetembro 2018158 páginas

Podem os princípios budistas ajudar a prevenir ou mesmo vencer a depressão, uma das pandemias dos tempos modernos?
A Monja Coen, uma das maiores figuras budistas da América Latina, acredita que sim e este livro pode fazer a diferença, já que o exemplifica de uma forma muito simples e prática. As reflexões e os ensinamentos de Buda são ajudas poderosas na superação de qualquer problema porque, se a dor é inevitável, o sofrimento é opcional.

Monja Coen nasceu em São Paulo, em 1947, com o nome Cláudia Dias Baptista de Souza. Foi mãe aos 17 anos, trabalhou como jornalista e teve uma juventude de excessos, chegando mesmo a tentar o suicídio.

Na década de 1980, nos EUA, começou a praticar regularmente budismo zen e fez os votos monásticos em 1983. No mesmo ano, entrou para o Mosteiro Feminino de Nagoya, no Japão, onde residiu durante oito anos e aprendeu muito do que hoje ensina. Mora no templo Tenzui Zenji, em São Paulo. Escreveu diversos livros, sendo esta a sua estreia em  ortugal.

Saiba mais sobre a autora em:
www.monjacoen.com.br

O Caminho para a Iluminação – livro recomendado

Pela chancela da Editora Nascente, após o livro Ser Bom, Ética Budista para o Dia a Dia, surge O Caminho para a Iluminação, a continuação dos ensinamentos do Venerável Mestre Hsing Yun. 

Hsing Yun 星雲大師 significa “Estrela e Nuvem” ou uma constelação de estrelas que nos ilumina com os seus ensinamentos. Em O Caminho para a Iluminação temos, de uma forma clara, a explicação dos conceitos fundamentais do Budismo para aplicarmos na nossa vida quotidiana. Assim, o livro encontra-se dividido em quatro partes:

  1. Despertar – onde se abordam os temas das Quatro Nobres Verdades, a Causa e Efeito, o Caminho da aprendizagem e o caminho da fé;
  2. Viver no Mundo – a compreensão das emoções, da dedicação pela compaixão, a afinidade e o relacionamento interpessoal;
  3. Permanecer no Caminho – como viver de forma consciente, responsável, tolerante e o cuidado que devemos ter com o meio ambiente.
  4. Progredir no Caminho do Dharma – O caminho para te tornares budista e a forma de o iniciares.
o para a iluminação
O Caminho para a Iluminação – Venerável Mestre Hsing Yun

O verdadeiro tesouro da energia não está nas montanhas ou nos oceanos, mas na própria mente;

o verdadeiro tesouro do dharma não está nos sutras ou na boca, mas na própria mente.

– Ven. Mestre Hsing Yun.

Um livro de grandes ensinamentos e que só pode fazer de nós pessoas melhores.

Procurar um sentido para a vida é compreensível, mas num mundo em constante mudança nem sempre ele nos aparece de uma forma clara.

O Caminho para a Iluminação aponta o Budismo como a ajuda fulcral para encontrar esse trajeto, que pode ser, por vezes, tortuoso. Usando vários exemplos práticos e inúmeras histórias reais, o Mestre Hsing Yun apresenta conceitos budistas fundamentais como as Quatro Nobres Verdades, a Joia Tripla, ou mesmo as origens do sofrimento e a melhor forma de o atravessar.

«Seguimos aqueles que nos dão grandes exemplos de vida, como é o caso do Venerável Mestre Hsing Yun. Se pretendes compreender melhor o Budismo e o que é a prática de um budista, este livro será um excelente companheiro para a tua jornada.» – João Magalhães, presidente da subdelegação portuguesa da Buddha Light International Association.

Venerável Mestre Hsing Yun
Venerável Mestre Hsing Yun

Sobre o Venerável Mestre Hsing Yun

O Venerável Mestre Hsing Yun é monge budista há mais de 70 anos. Dedicou a sua vida à promoção do Budismo Humanista, que tem como objetivo dar resposta às necessidades das pessoas e integrar-se de forma perfeita em todos os aspetos da vida diária.

É fundador da Ordem Budista Fo Guang Shan, com sede em Taiwan e templos por toda a Ásia, Austrália, Europa e Américas. 

Saiba mais sobre a Buddha Light International Association em: www.ibps.pt

O verdadeiro significado do Amor

O verdadeiro significado do Amor é também um tema abordado pelo budismo e vale a pena escutar as palavras do Ven. Mestre Hsing Yun sobre este tema e tentar aplicar na nossa vida estes ensinamentos.

O Verdadeiro Significado do Amor

O amor tem muitos rostos – egoístas ou incondicionais, contaminados ou puros, finitos ou infinitos e vulgares ou transcendentes. O amor é um instinto. Pode dar-nos força e esperança, mas deve cumprir a moral e a lei para que seja inestimável.
Tudo seria impossível se não houvesse amor. Precisamos de amor para ter amplas afinidades com os outros e um coração de ouro. Deve haver amor entre marido e mulher, pais e filhos e entre amigos. Devemos esforçar-nos para ser como um bodhisattva, que tem bondade e compaixão por todos os seres. Não haveria ordem ou moral se não houvesse amor, porque o amor mantém nossas relações pessoais e estabelece as diferenças entre amigos e famílias.
O amor não é um caminho unidirecional. O verdadeiro amor não é uma possessão, é um sacrifício. Se realmente amamos alguém, devemos ajudá-lo a realizar tudo na vida e desejar-lhe a melhor sorte. No entanto, devemos ter um pouco de discrição com o amor. Deve haver diferenciação entre os objetos do nosso amor. A verdade, a justiça e o bem devem estar no topo da nossa lista, enquanto as mentiras, a injustiça e o mal sempre devem ser excluídos. Devemos também esforçar-nos para ampliar o alcance do nosso amor. Os objetos do nosso amor não devem incluir apenas os nossos entes queridos, mas também o nosso país, o mundo e também a nossa raça que deve estar em paz.
Ao olhar para a sociedade de hoje, vemos poucos exemplos de amor verdadeiro. O que vemos são distorções e abusos do amor. Em vez do amor verdadeiro, há luxúria e ganância. Sem boas causas e condições, o amor pode instigar o crime. Isso pode prejudicar-nos, bem como a outros. Por exemplo, o amor mal colocado entre homens e mulheres pode resultar em adultério ou relacionamentos ilícitos.
Para ter amor duradouro, primeiro devemos cultivar boas causas e condições. Devemos aprender a ter o tipo certo de amor, amor que pode levar ao cumprimento da verdade, da beleza e da bondade. No amor verdadeiro, devemos usar a compaixão para purificar os objetos do nosso amor. No amor verdadeiro, devemos usar a sabedoria para liderar os nossos entes queridos na direção certa. No amor verdadeiro, devemos usar bondade e bondade para ajudar os outros a alcançar seus objetivos. No amor verdadeiro, devemos usar a moral para proteger todo o ser vivo. Como o significado da vida vem do amor, devemos usar aquele amor que é verdadeiro e purificado para dignificar este maravilhoso mundo nosso.

Contentamento – porque é tão importante

O contentamento é um pilar para o desenvolvimento da nossa autoconfiança e na confiança nos outros. É um mar de serenidade que nos preenche porque estamos preenchidos com o correto entendimento sobre a vida.

O contentamento é saber viver com equilíbrio entre aquilo que se tem e o que se necessita, é viver em consciência.

Partilho contigo algumas das palavras de sabedoria do Ven. Mestre Hsing Yun sobre o contentamento.

Como alcançar o contentamento com aquilo que temos

Como o desejo é incapaz de produzir satisfação, daí decorre que não podemos curar a nossa insatisfação através do desejo. A insatisfação deve ser superada pela sabedoria e pela ajuda aos outros. Se as nossas mentes têm por hábito saltar de desejo em desejo, temos de nos obrigar a reconhecer esta realidade e compreender o que estamos a fazer. Assim que a consciência se direciona para qualquer área da nossa vida, uma mudança a para melhor não estará muito longe.

O Sastra Mahaprajnaparamita diz-nos que uma forma de superar o desejo é perceber que os desejos precisam de uma semente interior e de um estímulo exterior. Estes dois aspetos andam a par e passo. Quando começamos a sentir um desejo impróprio, o sastra diz que devemos examinar a semente interior e o estímulo exterior. Em seguida, devemos considerar que são mutuamente interdependentes: não podem existir um sem o outro. Tendo compreendido isso, o sastra diz que devemos desprender-nos dos dois fatores imediatamente. O sastra indica que devemos eliminar a semente interior e, simultaneamente, afastar-nos do estímulo exterior.

Os desejos podem também ser superados tendo em conta as suas consequências, a quantidade de tempo que nos fazem desperdiçar, o seu vazio inerente e o tempo que nos roubam da tarefa muito mais importante de estudar o Dharma e de nos autoaperfeiçoarmos.

Sempre que superamos um desejo, sentimos um aumento de energia e compreensão. O nível da nossa consciência aumenta um pouco sempre que desviamos a nossa atenção de um apego inferior.

Se tiver experimentado as técnicas acima descritas e não tiver conseguido superar os seus desejos, deve redobrar os esforços para ajudar os outros. O bodhisattva ajuda-se a ele próprio sobretudo através da sua vontade de ajudar os outros.

  • Quando concentramos a nossa atenção mais nas necessidades dos outros e menos nos nossos desejos, estaremos a fazer muito para ver além da miragem ilusória da ganância e do desejo.
  • Quando procuramos um objeto de desejo, sofremos. Quando conquistamos um objeto de desejo, receamos perdê-lo.
  • Quando perdemos um objeto de desejo, ficamos muito perturbados.
  • Em qualquer uma destas instâncias, não há alegria.
  • Se todos os desejos causam este tipo de sofrimento, como podemos livrar-nos deles?
  • Podemos livrar-nos do desejo conhecendo as alegrias do samadhi através da profunda meditação.

Sastra Mahaprajnaparamita

Os 4 pilares da Felicidade

No dia 11 de Dezembro realizamos uma aula de Budismo Humanista sobre “Os 4 pilares para a Felicidade”, ensinamentos dados pelo Ven. Mestre Hsing Yun.

Segundo os seus ensinamentos, a felicidade e a paz provêm:

  1. Do desapego e contentamento;
  2. Da compaixão e da tolerância;
  3. De saber obter e desapegar com perfeita facilidade;
  4. Do altruísmo e da abnegação.

Partilho contigo a apresentação destes 4 Pilares para a Felicidade, que foi muito enriquecida com as partilhas e vivências dos 38 participantes.

Os 4 Pilares para a Felicidade – Ven. Mestre Hsing Yun

Livro Budista – Ser Bom, ética budista para o dia a dia

O objetivo deste livro é simples: convidar os leitores a pensar sobre o que significa viver uma vida boa e oferecer-lhes conselhos práticos, baseados nos ensinamentos budistas, para o conseguirem.
Em cada um dos mais de 30 pequenos capítulos, o Venerável Mestre Hsing Yun trata um aspeto moral ou ético específico, usando citações do rico acervo de escritos budistas como ponto de partida para a reflexão.
A amizade, a gratidão e a ajuda aos outros são apresentados como elementos essenciais num caminho comum para descobrir e pôr em prática a nossa bondade e humanidade inatas.

Aprenda com o Venerável Mestre Hsing Yun a:

  • Controlar o corpo e a fala;
  • Superar a ganância;
  • Acabar com a raiva;
  • Ter paciência perante insultos;
  • Gerir as suas finanças;
  • Conviver melhor com os outros;
  • Praticar o budismo;
  • Ser bom.

Ser Bom: Ética Budista para o Dia a Dia

  • AUTOR Mestre Hsing Yun
  • ILUSTRADOR
  • COLEÇÃO Budismo
  • ISBN 9789898873040
  • PVP 14,99 € (IVA incluído)
  • preço fixo até fim de dezembro de 2018
  • 1ª EDIÇÃO julho de 2017
  • PÁGINAS 208
  • DIMENSÕES 150 x 230 x 14 mm

«Ser Bom não é apenas um livro para quem é budista ou pretende ser. É como um diálogo entre amigos que partilham a sabedoria de querer viver melhor e de querer construir um mundo melhor.» João Magalhães, presidente da Associação Portuguesa de Reiki e da subdelegação portuguesa da Buddha Light International Association

O Venerável Mestre Hsing Yun é monge budista há mais de 70 anos. Dedicou a sua vida à promoção do Budismo Humanista, que tem como objetivo dar resposta às necessidades das pessoas e integrar-se de forma perfeita em todos os aspetos da vida diária.

É fundador da Ordem Budista Fo Guang Shan, com sede em Taiwan e templos por toda a Ásia, Austrália, Europa e Américas. É autor de vários livros, como Budismo Puro e Simples (Zéfiro, 2014), Budismo: Significados Profundos (Zéfiro, 2012) ou Conceitos Fundamentais do Budismo (Zéfiro, 2010).

Ser Bom: Ética Budista para o Dia a Dia é a sua estreia na Nascente.

Saiba mais sobre a Buddha Light International Association em: www.ibps.pt

Um exemplo de iluminação na vida comum

A partir de um determinado momento de consciência, todos procuramos a iluminação. Mas o que é a iluminação?

Mais uma vez, a nossa sociedade ocidental é desafiada com uma perspectiva oriental que nos pede um momento de compreensão transcendental e um acesso à paz e felicidade duradouras, a que no Reiki aplicamos o conceito de anshin ritsumei.

A iluminação num momento

Partilho contigo uma pequena história sobre a monja Chiyono também conhecida no Japão por Mugai Nyodai, a primeira mulher mestre Zen.

A monja Chiyono estudou durante anos, mas não foi capaz de encontrar a iluminação. Uma noite, ela carregava um velho balde cheio de água. Enquanto caminhava, olhava para a lua cheia reflectida no balde de água. Subitamente, a cana de bambu que usava para transportar o balde, partiu-se, e o balde caiu ao chão. A água espalhou-se, o reflexo da lua desapareceu e Chiyono tornou-se iluminada.

Ele escreveu este verso: Desta e daquela forma, eu tentei manter o balde em equilíbrio, à espera que o bambu fraco nunca se partisse. De repente, o fundo caiu. Deixou de haver água. Deixou de haver lua na água – o vazio na minha mão.

iluminação

Como escutares os teus momentos de iluminação

Osho dizia que a iluminação vem num só momento, não através de um acto contínuo, mas a verdade é que sem o cultivo da consciência e da atenção, podemos passar pela iluminação e nem nos apercebermos disso. Assim como Nyodai pode obter o seu momento de iluminação através de um balde de água, tal só aconteceu porque antes ela soube contemplar o que existia, podendo assim compreender a impermanência e o vazio criador. Da mesma forma, tu podes carregar um balde, deixá-lo cair e apenas lamentar, ou podes deixar cair um balde e encontrar a clareza que te traz paz e felicidade.

A iluminação é um estado que todos alcançamos, cada um com o seu próprio caminho. A iluminação é mostrada em muitos momentos, pois o universo “conspira” a teu favor. Assim, não precisas correr para alcançar a iluminação, mas precisas estar atento e isso exige diligência e esforço. Este é um esforço positivo, construtivo e renovador da tua humanidade.

Por isso mesmo, os cinco princípios de Reiki levam-nos ao anshin ritsumei, a um caminho de paz e felicidade duradouros – no momento presente, com harmonia, com confiança, gratidão, honestidade e bondade.

Só por hoje, observa a tua iluminação.

Os conselhos de Buda para tratamentos

Ao que se sabe, Buda estudou várias formas de tratamento, o que o levou a conhecer a natureza das doenças e a sua cura. Para o desequilíbrio do ki aconselhava manteiga clarificada, mas a sua verdadeira especialidade era a doença, o desequilíbrio mental.

Os ensinamentos de Buda na medicina

Algo que para Buda era muito importante, era não apenas tratar a parte física, médica, mas muito principalmente o estado de infelicidade. No estado da saúde mental, ele considerava a ganância, a raiva e a ignorância como as mais graves enfermidades psicológicas (os três venenos). Buda ensinou que a ignorância podia ser curada pela contemplação da impureza; a raiva pela contemplação e prática da bondade; e a ignorância pela contemplação da verdadeira natureza de todas as coisas e pelo cultivo da sabedoria.

No sura do diagnóstico do Buda, explicou que ao atender o paciente, o procedimento médico deve ser feito em quatro etapas:

  1. Descobrir a origem da enfermidade;
  2. Procurar compreender a doença profundamente;
  3. Receitar o medicamento adequado para a cura;
  4. Curar a doença completamente e de forma a prevenir a sua recorrência.

Além disso, um bom médico deve basear as suas acções num coração generoso, vendo os pacientes como se fossem amigos queridos.

Identificou ainda cinco práticas a serem adotadas pelos enfermeiros:

  1. Garantir que os pacientes sejam atendidos por médicos competentes e de bom coração;
  2. Despertar mais cedo e dormir mais tarde do que os pacientes, permanecendo sempre atento às suas necessidades;
  3. Conversar com os pacientes com voz doce e compassiva caso eles se encontrem deprimidos ou ansiosos;
  4. Nutrir os pacientes com a quantidade correta de alimentos adequados e na frequência indicada, de acordo com o tipo de enfermidade e segundo as intruções médicas;
  5. Usar de habilidade e desenvoltura para falar aos pacientes sobre dharma, instruindo-os sobre os cuidados adequados a serem dispensados ao corpo e à mente.

E Buda ainda se dirigiu aos pacientes, aconselhando-os para uma cura rápida e completa:

  1. Seja cuidadoso e selectivo no que diz respeito aos alimentos;
  2. Alimente-se a intervalos adequados;
  3. Mantenha contacto frequente com médicos e enfermeiras, mostrando-lhes sempre gentileza e cortesia;
  4. Conserve uma perspectiva optimista e esperançosa;
  5. Seja gentil com os seus cuidadores, tendo consideração por eles.
Om Mani Padme Hum

OM MANI PADME HUM em meditação

Om Mani Padme Hum foi o mantra que aprendemos na aula de Dharma dada pela Mestre Miao Yen. Mas, para meditar, aprendemos também que devemos ter a coluna direita, para que a energia flua por todo o corpo e que a meditação é como uma viagem, vamos sempre caminhando, como se estivessemos a escalar uma montanha, até chegarmos ao seu topo. Relacionado com o mantra e com a flor de lótus, ainda nos ensinou dois truques:

Om Mani Padme Hum e a flor de lótus em meditação

Um dos truques na meditação é visualizarmos uma flor de lótus no nosso tanden. Ao inspirar, essa flor de lótus está aberta, ao expirar, ela fecha-se, como se se recolhesse me silêncio e serenidade.

O outro truque é a recitação do mantra Om Mani Padme Hum, onde um dos seus significados é “sou uma flor de lótus” ou “louvor à jóia que está no lótus”.

Om Mani Padme Hum

Segundo o Dalai Lama, Om Mani Padme Hum pode ter o seguinte significado:

Om simboliza o corpo, a fala e o discurso impuros do indivíduo; Ao mesmo tempo ele simboliza a pureza do corpo, da fala e da mente do Buda.

As próximas quatro sílabas indicam o Caminho. ‘Mani’ significa ‘joia’ e simboliza o método que é a intenção altruística de se tornar iluminado, simboliza compaixão e amor.

As duas sílabas ‘Padme’ significam lótus e simbolizam a sabedoria.

A pureza deve ser atingida através da unidade indivisível do método e da sabedoria, o que é simbolizado pela sílaba final ‘hum’, que significa indivisibilidade.”

Assim, as seis sílabas, Om Mani Padme Hum, significam que a prática do Caminho leva à transformação do corpo, da fala e da mente impura na exaltação de pureza que são o corpo, a fala e a mente do Buda.”

A aplicação do mantra Om Mani Padme Hum na meditação

Tanto podes recitar o mantra Om Mani Padme Hum audivelmente, como interiormente. Sente cada sílaba e ao recitares o HUM, imagina-o a sair pelo chakra da coroa. Aplica esta técnica meditativa também quando estiveres doente e no final, bebe três copos de água morna. O corpo pode transpirar, eliminando as toxinas, por isso, depois deixa secar.

Podes também entoar em forma de cântico o mantra Om Mani Padme Hum.

Porque aprendemos Budismo – uma aula de Dharma com a Mestra Miao Yen

No dia 3 de Março tivemos uma aula de Dharma, no CENIF Amadora, com o tema “Porque Aprendemos Budismo”, com a Ven. Mestra Miao Yen, do Templo Fo Guang Shan, de Lisboa. Compreender o karma das nossas acções, a impermanência deste mundo, as causas e condições que criamos e ainda como procurar a felicidade, foram alguns dos tópicos que trabalhamos.

Muito obrigado a todos os participantes pelo vosso diálogo e acolhimento, muito obrigado ao João Ascenso pelas fotografias. A Mi Tuo Fo.

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Compreender e mudar a ansiedade através de oito passos

A ansiedade faz-nos mover do aqui e agora para um momento futuro que não compreendemos, que desconhecemos e nos faz, de alguma forma, ter medo ou desejar. Este medo ou desejo é consumido por nós, voluntária ou involuntariamente.  Sempre que chegamos ao objecto ou situação da ansiedade, concluímos que esta ansiedade continuará presente em nós. Isto causa-nos sofrimento e o que mais queremos é ser felizes, não sofrer.

Shakyamuni deixou-nos oito factores que nos fazem compreender o caminho para não sofrermos mais. Não precisamos ser budistas para os compreender ou praticar, apenas precisamos de observar e experimentar cada um destes factores, para a correcção do nosso problema – a ansiedade. Vou intercalar a sabedoria do Mestre Hsing Yun sobre o nobre caminho óctuplo com reflexões minhas para que possas meditar e aplicar sobre a tua ansiedade.

1 – Entendimento correto

O Entendimento correto é o que nos permite manter a nossa fé na verdade, quando confrontados com as desigualdades ou dificuldades. O conhecimento mundano tanto pode ser bom como às vezes não é confiável e pode levar-nos ao engano. Consideremos por um momento o caracter chinês para a ignorância (chi): 痴. Este caracter é um composto de dois outros caracteres: zhi (知), que significa conhecimento e Chuang (疒), que significa doença. Quando o conhecimento é corrompido, ele transforma-se em ignorância. Algumas pessoas são extremamente inteligentes, mas quando praticam más ações são duplamente destrutivas! Por exemplo, tanto o líder Nazi, Hitler, da Alemanha, como o Primeiro Imperador da dinastia Qin eram inteligentes, no entanto eram diabólicos. Como podemos ver, o conhecimento profundo de uma pessoa não é necessariamente proporcional à sua moralidade. O conhecimento é como uma faca afiada. Se não for usado corretamente, pode magoar os outros. Portanto, é muito importante para nós saber como transformar o conhecimento em sabedoria e entendimento correto. Transformar o conhecimento em sabedoria e entendimento correto não é fácil. O princípio é o mesmo como se estivéssemos a fotografar. O foco, a distância e a velocidade do obturador devem ser ajustados em conformidade antes de se poder ter uma imagem clara e bonita. Da mesma forma, só se pode ver a verdadeira natureza da vida e do universo como realmente são, se a pessoa tiver um entendimento correto. Se não tivermos o entendimento correto quando observamos este mundo terreno, sérios erros serão cometidos. É como espreitar as flores através de uma névoa pesada ou pessoas cegas tocarem um elefante.

  • Observa a tua ansiedade, o objecto da tua ansiedade e o que a causa, com um entendimento correcto. Isto implica honestidade, saber identificar realmente o porque.

2 – Pensamento correto

O pensamento correto é a vontade certa, decisão e contemplação. Significa não ter pensamentos de ganância, raiva e ignorância. Estes três venenos: a ganância, a raiva e a ignorância são os principais obstáculos no nosso caminho para a iluminação. Eles ocupam continuamente as nossas mentes e contaminam a nossa natureza pura. Não é fácil livrar-se destes três venenos. Temos que exercer o esforço contínuo de manter o pensamento correto necessário para superar estes três venenos e seguir o caminho de Buda.

  • Que tipos de venenos te levam a ter ansiedade?
  • Como é que o teu pensamento se desvia para que deixes de ter paz e caias na ansiedade?

3 – Discurso correto

Utilizar o discurso correto significa que não devemos mentir, caluniar outros, usar uma linguagem desagradável, ou proferir discursos frívolos. Há um provérbio chinês que diz: “A doença vem do que você come. O problema vem do que você diz”. A nossa boca é como um machado muito afiado. Se dissermos algo impróprio, não só prejudicaremos outros, como também a nós mesmos. Assim, é muito importante
escolhermos sabiamente as nossas palavras.

  •  De que forma as tuas palavras, os diálogos, os monólogos, te podem conduzir à ansiedade?

4 – Ação correta

A ação correta significa que não devemos matar, roubar, envolver-nos em má conduta sexual, ou tomar intoxicantes de qualquer tipo. Além da abstenção à prática de ações doentias, precisamos também de realizar ativamente ações saudáveis.

  • Quando ficas ansioso tomas acções incorrectas para contigo ou para com os outros?
  • Que acções te levaram a ficar ansioso?

5 – Modo de vida correto

Modo de vida correto refere-se à maneira correta de viver; abstendo-se de trabalhar em postos de trabalho antiéticos, tais como: casas de jogo; venda de bebidas alcoólicas ou instrumentos que podem matar e matadouros em funcionamento.
Além disso, parte do modo de vida correto é ter hábitos bem disciplinados, tais como: dormir as horas necessárias para a obtenção de um sono tranquilo; alimentação saudável; exercício físico; descanso e trabalho. O modo de vida correto, não só promove a eficiência e saúde, como também permite ter uma vida familiar feliz e uma vida social estável.

  • O que está de errado na tua vida para que estejas com ansiedade?

6 – Esforço correto

O esforço correto significa aplicar o nosso esforço em quatro áreas:
1ª) Não produzir qualidades prejudiciais que ainda não foram produzidas; 2ª) eliminar as qualidades nocivas que já existem; 3ª) alimentar as qualidades saudáveis que ainda não foram produzidas; e 4ª) manter e multiplicar as qualidades saudáveis ​​que já existem.

  • De que forma te aplicas para criares méritos;
  • Quais as tuas qualidades nocivas? Porque não as transformas?

7 – Atenção plena correta

Para ter atenção plena correta há que manter a atenção em nós, a consciência e uma mente focada nos quatro fundamentos de atenção plena: 1º) o corpo é impuro; 2º) os sentimentos resultarão sempre em sofrimento; 3º) a mente é impermanente; 4º) nenhum fenómeno tem um ego substancial. Se contemplarmos sempre o significado da impermanência, do sofrimento e não-eu, não seremos ganancioso para com insignificâncias deste mundo. Lutaremos diligentemente para a Verdade.

  •  A impermanência é a nossa grande lição. Nada fica limpo, o corpo suja-se; Os nossos sentimentos mudam; A mente está vazia e de repente fica com pensamentos; Os acontecimentos em si não têm uma personalidade. São conceitos estranhos mas o mais importante é – o que te leva a sair do teu centro, a sair do aqui e agora e a ser ansioso?

8 – Concentração meditativa correta

Concentração meditativa correta refere-se aos quatro estágios de concentração meditativa (Dhyana). Na realidade significa que devemos concentrar a nossa vontade e pensamentos através da meditação. Se conseguirmos dominar completamente os oito elementos deste Nobre Caminho Óctuplo, alcançaremos o estado de Buda.

  • Buda significa desperto e todos temos essa natureza em nós. De que forma perdes concentração e te tornas ansioso?
  • De que forma te concentras na tua ansiedade?

A ansiedade é uma doença que pode trazer graves problemas à nossa vida, inclusive doença física. Não é algo que deva ser tratado de forma leviana mas é algo que necessita ser compreendido e transformado. Tu, melhor que ninguém, compreendes a tua ansiedade.

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