O Tao do Reiki

Descobrir, Desenvolver e Crescer com Reiki

Categoria: Budismo (Page 1 of 4)

O verdadeiro significado do Amor

O verdadeiro significado do Amor é também um tema abordado pelo budismo e vale a pena escutar as palavras do Ven. Mestre Hsing Yun sobre este tema e tentar aplicar na nossa vida estes ensinamentos.

O Verdadeiro Significado do Amor

O amor tem muitos rostos – egoístas ou incondicionais, contaminados ou puros, finitos ou infinitos e vulgares ou transcendentes. O amor é um instinto. Pode dar-nos força e esperança, mas deve cumprir a moral e a lei para que seja inestimável.
Tudo seria impossível se não houvesse amor. Precisamos de amor para ter amplas afinidades com os outros e um coração de ouro. Deve haver amor entre marido e mulher, pais e filhos e entre amigos. Devemos esforçar-nos para ser como um bodhisattva, que tem bondade e compaixão por todos os seres. Não haveria ordem ou moral se não houvesse amor, porque o amor mantém nossas relações pessoais e estabelece as diferenças entre amigos e famílias.
O amor não é um caminho unidirecional. O verdadeiro amor não é uma possessão, é um sacrifício. Se realmente amamos alguém, devemos ajudá-lo a realizar tudo na vida e desejar-lhe a melhor sorte. No entanto, devemos ter um pouco de discrição com o amor. Deve haver diferenciação entre os objetos do nosso amor. A verdade, a justiça e o bem devem estar no topo da nossa lista, enquanto as mentiras, a injustiça e o mal sempre devem ser excluídos. Devemos também esforçar-nos para ampliar o alcance do nosso amor. Os objetos do nosso amor não devem incluir apenas os nossos entes queridos, mas também o nosso país, o mundo e também a nossa raça que deve estar em paz.
Ao olhar para a sociedade de hoje, vemos poucos exemplos de amor verdadeiro. O que vemos são distorções e abusos do amor. Em vez do amor verdadeiro, há luxúria e ganância. Sem boas causas e condições, o amor pode instigar o crime. Isso pode prejudicar-nos, bem como a outros. Por exemplo, o amor mal colocado entre homens e mulheres pode resultar em adultério ou relacionamentos ilícitos.
Para ter amor duradouro, primeiro devemos cultivar boas causas e condições. Devemos aprender a ter o tipo certo de amor, amor que pode levar ao cumprimento da verdade, da beleza e da bondade. No amor verdadeiro, devemos usar a compaixão para purificar os objetos do nosso amor. No amor verdadeiro, devemos usar a sabedoria para liderar os nossos entes queridos na direção certa. No amor verdadeiro, devemos usar bondade e bondade para ajudar os outros a alcançar seus objetivos. No amor verdadeiro, devemos usar a moral para proteger todo o ser vivo. Como o significado da vida vem do amor, devemos usar aquele amor que é verdadeiro e purificado para dignificar este maravilhoso mundo nosso.

Contentamento – porque é tão importante

O contentamento é um pilar para o desenvolvimento da nossa autoconfiança e na confiança nos outros. É um mar de serenidade que nos preenche porque estamos preenchidos com o correto entendimento sobre a vida.

O contentamento é saber viver com equilíbrio entre aquilo que se tem e o que se necessita, é viver em consciência.

Partilho contigo algumas das palavras de sabedoria do Ven. Mestre Hsing Yun sobre o contentamento.

Como alcançar o contentamento com aquilo que temos

Como o desejo é incapaz de produzir satisfação, daí decorre que não podemos curar a nossa insatisfação através do desejo. A insatisfação deve ser superada pela sabedoria e pela ajuda aos outros. Se as nossas mentes têm por hábito saltar de desejo em desejo, temos de nos obrigar a reconhecer esta realidade e compreender o que estamos a fazer. Assim que a consciência se direciona para qualquer área da nossa vida, uma mudança a para melhor não estará muito longe.

O Sastra Mahaprajnaparamita diz-nos que uma forma de superar o desejo é perceber que os desejos precisam de uma semente interior e de um estímulo exterior. Estes dois aspetos andam a par e passo. Quando começamos a sentir um desejo impróprio, o sastra diz que devemos examinar a semente interior e o estímulo exterior. Em seguida, devemos considerar que são mutuamente interdependentes: não podem existir um sem o outro. Tendo compreendido isso, o sastra diz que devemos desprender-nos dos dois fatores imediatamente. O sastra indica que devemos eliminar a semente interior e, simultaneamente, afastar-nos do estímulo exterior.

Os desejos podem também ser superados tendo em conta as suas consequências, a quantidade de tempo que nos fazem desperdiçar, o seu vazio inerente e o tempo que nos roubam da tarefa muito mais importante de estudar o Dharma e de nos autoaperfeiçoarmos.

Sempre que superamos um desejo, sentimos um aumento de energia e compreensão. O nível da nossa consciência aumenta um pouco sempre que desviamos a nossa atenção de um apego inferior.

Se tiver experimentado as técnicas acima descritas e não tiver conseguido superar os seus desejos, deve redobrar os esforços para ajudar os outros. O bodhisattva ajuda-se a ele próprio sobretudo através da sua vontade de ajudar os outros.

  • Quando concentramos a nossa atenção mais nas necessidades dos outros e menos nos nossos desejos, estaremos a fazer muito para ver além da miragem ilusória da ganância e do desejo.
  • Quando procuramos um objeto de desejo, sofremos. Quando conquistamos um objeto de desejo, receamos perdê-lo.
  • Quando perdemos um objeto de desejo, ficamos muito perturbados.
  • Em qualquer uma destas instâncias, não há alegria.
  • Se todos os desejos causam este tipo de sofrimento, como podemos livrar-nos deles?
  • Podemos livrar-nos do desejo conhecendo as alegrias do samadhi através da profunda meditação.

Sastra Mahaprajnaparamita

Os 4 pilares da Felicidade

No dia 11 de Dezembro realizamos uma aula de Budismo Humanista sobre “Os 4 pilares para a Felicidade”, ensinamentos dados pelo Ven. Mestre Hsing Yun.

Segundo os seus ensinamentos, a felicidade e a paz provêm:

  1. Do desapego e contentamento;
  2. Da compaixão e da tolerância;
  3. De saber obter e desapegar com perfeita facilidade;
  4. Do altruísmo e da abnegação.

Partilho contigo a apresentação destes 4 Pilares para a Felicidade, que foi muito enriquecida com as partilhas e vivências dos 38 participantes.

Os 4 Pilares para a Felicidade – Ven. Mestre Hsing Yun

Livro Budista – Ser Bom, ética budista para o dia a dia

O objetivo deste livro é simples: convidar os leitores a pensar sobre o que significa viver uma vida boa e oferecer-lhes conselhos práticos, baseados nos ensinamentos budistas, para o conseguirem.
Em cada um dos mais de 30 pequenos capítulos, o Venerável Mestre Hsing Yun trata um aspeto moral ou ético específico, usando citações do rico acervo de escritos budistas como ponto de partida para a reflexão.
A amizade, a gratidão e a ajuda aos outros são apresentados como elementos essenciais num caminho comum para descobrir e pôr em prática a nossa bondade e humanidade inatas.

Aprenda com o Venerável Mestre Hsing Yun a:

  • Controlar o corpo e a fala;
  • Superar a ganância;
  • Acabar com a raiva;
  • Ter paciência perante insultos;
  • Gerir as suas finanças;
  • Conviver melhor com os outros;
  • Praticar o budismo;
  • Ser bom.

Ser Bom: Ética Budista para o Dia a Dia

  • AUTOR Mestre Hsing Yun
  • ILUSTRADOR
  • COLEÇÃO Budismo
  • ISBN 9789898873040
  • PVP 14,99 € (IVA incluído)
  • preço fixo até fim de dezembro de 2018
  • 1ª EDIÇÃO julho de 2017
  • PÁGINAS 208
  • DIMENSÕES 150 x 230 x 14 mm

«Ser Bom não é apenas um livro para quem é budista ou pretende ser. É como um diálogo entre amigos que partilham a sabedoria de querer viver melhor e de querer construir um mundo melhor.» João Magalhães, presidente da Associação Portuguesa de Reiki e da subdelegação portuguesa da Buddha Light International Association

O Venerável Mestre Hsing Yun é monge budista há mais de 70 anos. Dedicou a sua vida à promoção do Budismo Humanista, que tem como objetivo dar resposta às necessidades das pessoas e integrar-se de forma perfeita em todos os aspetos da vida diária.

É fundador da Ordem Budista Fo Guang Shan, com sede em Taiwan e templos por toda a Ásia, Austrália, Europa e Américas. É autor de vários livros, como Budismo Puro e Simples (Zéfiro, 2014), Budismo: Significados Profundos (Zéfiro, 2012) ou Conceitos Fundamentais do Budismo (Zéfiro, 2010).

Ser Bom: Ética Budista para o Dia a Dia é a sua estreia na Nascente.

Saiba mais sobre a Buddha Light International Association em: www.ibps.pt

Um exemplo de iluminação na vida comum

A partir de um determinado momento de consciência, todos procuramos a iluminação. Mas o que é a iluminação?

Mais uma vez, a nossa sociedade ocidental é desafiada com uma perspectiva oriental que nos pede um momento de compreensão transcendental e um acesso à paz e felicidade duradouras, a que no Reiki aplicamos o conceito de anshin ritsumei.

A iluminação num momento

Partilho contigo uma pequena história sobre a monja Chiyono também conhecida no Japão por Mugai Nyodai, a primeira mulher mestre Zen.

A monja Chiyono estudou durante anos, mas não foi capaz de encontrar a iluminação. Uma noite, ela carregava um velho balde cheio de água. Enquanto caminhava, olhava para a lua cheia reflectida no balde de água. Subitamente, a cana de bambu que usava para transportar o balde, partiu-se, e o balde caiu ao chão. A água espalhou-se, o reflexo da lua desapareceu e Chiyono tornou-se iluminada.

Ele escreveu este verso: Desta e daquela forma, eu tentei manter o balde em equilíbrio, à espera que o bambu fraco nunca se partisse. De repente, o fundo caiu. Deixou de haver água. Deixou de haver lua na água – o vazio na minha mão.

iluminação

Como escutares os teus momentos de iluminação

Osho dizia que a iluminação vem num só momento, não através de um acto contínuo, mas a verdade é que sem o cultivo da consciência e da atenção, podemos passar pela iluminação e nem nos apercebermos disso. Assim como Nyodai pode obter o seu momento de iluminação através de um balde de água, tal só aconteceu porque antes ela soube contemplar o que existia, podendo assim compreender a impermanência e o vazio criador. Da mesma forma, tu podes carregar um balde, deixá-lo cair e apenas lamentar, ou podes deixar cair um balde e encontrar a clareza que te traz paz e felicidade.

A iluminação é um estado que todos alcançamos, cada um com o seu próprio caminho. A iluminação é mostrada em muitos momentos, pois o universo “conspira” a teu favor. Assim, não precisas correr para alcançar a iluminação, mas precisas estar atento e isso exige diligência e esforço. Este é um esforço positivo, construtivo e renovador da tua humanidade.

Por isso mesmo, os cinco princípios de Reiki levam-nos ao anshin ritsumei, a um caminho de paz e felicidade duradouros – no momento presente, com harmonia, com confiança, gratidão, honestidade e bondade.

Só por hoje, observa a tua iluminação.

Os conselhos de Buda para tratamentos

Ao que se sabe, Buda estudou várias formas de tratamento, o que o levou a conhecer a natureza das doenças e a sua cura. Para o desequilíbrio do ki aconselhava manteiga clarificada, mas a sua verdadeira especialidade era a doença, o desequilíbrio mental.

Os ensinamentos de Buda na medicina

Algo que para Buda era muito importante, era não apenas tratar a parte física, médica, mas muito principalmente o estado de infelicidade. No estado da saúde mental, ele considerava a ganância, a raiva e a ignorância como as mais graves enfermidades psicológicas (os três venenos). Buda ensinou que a ignorância podia ser curada pela contemplação da impureza; a raiva pela contemplação e prática da bondade; e a ignorância pela contemplação da verdadeira natureza de todas as coisas e pelo cultivo da sabedoria.

No sura do diagnóstico do Buda, explicou que ao atender o paciente, o procedimento médico deve ser feito em quatro etapas:

  1. Descobrir a origem da enfermidade;
  2. Procurar compreender a doença profundamente;
  3. Receitar o medicamento adequado para a cura;
  4. Curar a doença completamente e de forma a prevenir a sua recorrência.

Além disso, um bom médico deve basear as suas acções num coração generoso, vendo os pacientes como se fossem amigos queridos.

Identificou ainda cinco práticas a serem adotadas pelos enfermeiros:

  1. Garantir que os pacientes sejam atendidos por médicos competentes e de bom coração;
  2. Despertar mais cedo e dormir mais tarde do que os pacientes, permanecendo sempre atento às suas necessidades;
  3. Conversar com os pacientes com voz doce e compassiva caso eles se encontrem deprimidos ou ansiosos;
  4. Nutrir os pacientes com a quantidade correta de alimentos adequados e na frequência indicada, de acordo com o tipo de enfermidade e segundo as intruções médicas;
  5. Usar de habilidade e desenvoltura para falar aos pacientes sobre dharma, instruindo-os sobre os cuidados adequados a serem dispensados ao corpo e à mente.

E Buda ainda se dirigiu aos pacientes, aconselhando-os para uma cura rápida e completa:

  1. Seja cuidadoso e selectivo no que diz respeito aos alimentos;
  2. Alimente-se a intervalos adequados;
  3. Mantenha contacto frequente com médicos e enfermeiras, mostrando-lhes sempre gentileza e cortesia;
  4. Conserve uma perspectiva optimista e esperançosa;
  5. Seja gentil com os seus cuidadores, tendo consideração por eles.
Om Mani Padme Hum

OM MANI PADME HUM em meditação

Om Mani Padme Hum foi o mantra que aprendemos na aula de Dharma dada pela Mestre Miao Yen. Mas, para meditar, aprendemos também que devemos ter a coluna direita, para que a energia flua por todo o corpo e que a meditação é como uma viagem, vamos sempre caminhando, como se estivessemos a escalar uma montanha, até chegarmos ao seu topo. Relacionado com o mantra e com a flor de lótus, ainda nos ensinou dois truques:

Om Mani Padme Hum e a flor de lótus em meditação

Um dos truques na meditação é visualizarmos uma flor de lótus no nosso tanden. Ao inspirar, essa flor de lótus está aberta, ao expirar, ela fecha-se, como se se recolhesse me silêncio e serenidade.

O outro truque é a recitação do mantra Om Mani Padme Hum, onde um dos seus significados é “sou uma flor de lótus” ou “louvor à jóia que está no lótus”.

Om Mani Padme Hum

Segundo o Dalai Lama, Om Mani Padme Hum pode ter o seguinte significado:

Om simboliza o corpo, a fala e o discurso impuros do indivíduo; Ao mesmo tempo ele simboliza a pureza do corpo, da fala e da mente do Buda.

As próximas quatro sílabas indicam o Caminho. ‘Mani’ significa ‘joia’ e simboliza o método que é a intenção altruística de se tornar iluminado, simboliza compaixão e amor.

As duas sílabas ‘Padme’ significam lótus e simbolizam a sabedoria.

A pureza deve ser atingida através da unidade indivisível do método e da sabedoria, o que é simbolizado pela sílaba final ‘hum’, que significa indivisibilidade.”

Assim, as seis sílabas, Om Mani Padme Hum, significam que a prática do Caminho leva à transformação do corpo, da fala e da mente impura na exaltação de pureza que são o corpo, a fala e a mente do Buda.”

A aplicação do mantra Om Mani Padme Hum na meditação

Tanto podes recitar o mantra Om Mani Padme Hum audivelmente, como interiormente. Sente cada sílaba e ao recitares o HUM, imagina-o a sair pelo chakra da coroa. Aplica esta técnica meditativa também quando estiveres doente e no final, bebe três copos de água morna. O corpo pode transpirar, eliminando as toxinas, por isso, depois deixa secar.

Podes também entoar em forma de cântico o mantra Om Mani Padme Hum.

Porque aprendemos Budismo – uma aula de Dharma com a Mestra Miao Yen

No dia 3 de Março tivemos uma aula de Dharma, no CENIF Amadora, com o tema “Porque Aprendemos Budismo”, com a Ven. Mestra Miao Yen, do Templo Fo Guang Shan, de Lisboa. Compreender o karma das nossas acções, a impermanência deste mundo, as causas e condições que criamos e ainda como procurar a felicidade, foram alguns dos tópicos que trabalhamos.

Muito obrigado a todos os participantes pelo vosso diálogo e acolhimento, muito obrigado ao João Ascenso pelas fotografias. A Mi Tuo Fo.

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Compreender e mudar a ansiedade através de oito passos

A ansiedade faz-nos mover do aqui e agora para um momento futuro que não compreendemos, que desconhecemos e nos faz, de alguma forma, ter medo ou desejar. Este medo ou desejo é consumido por nós, voluntária ou involuntariamente.  Sempre que chegamos ao objecto ou situação da ansiedade, concluímos que esta ansiedade continuará presente em nós. Isto causa-nos sofrimento e o que mais queremos é ser felizes, não sofrer.

Shakyamuni deixou-nos oito factores que nos fazem compreender o caminho para não sofrermos mais. Não precisamos ser budistas para os compreender ou praticar, apenas precisamos de observar e experimentar cada um destes factores, para a correcção do nosso problema – a ansiedade. Vou intercalar a sabedoria do Mestre Hsing Yun sobre o nobre caminho óctuplo com reflexões minhas para que possas meditar e aplicar sobre a tua ansiedade.

1 – Entendimento correto

O Entendimento correto é o que nos permite manter a nossa fé na verdade, quando confrontados com as desigualdades ou dificuldades. O conhecimento mundano tanto pode ser bom como às vezes não é confiável e pode levar-nos ao engano. Consideremos por um momento o caracter chinês para a ignorância (chi): 痴. Este caracter é um composto de dois outros caracteres: zhi (知), que significa conhecimento e Chuang (疒), que significa doença. Quando o conhecimento é corrompido, ele transforma-se em ignorância. Algumas pessoas são extremamente inteligentes, mas quando praticam más ações são duplamente destrutivas! Por exemplo, tanto o líder Nazi, Hitler, da Alemanha, como o Primeiro Imperador da dinastia Qin eram inteligentes, no entanto eram diabólicos. Como podemos ver, o conhecimento profundo de uma pessoa não é necessariamente proporcional à sua moralidade. O conhecimento é como uma faca afiada. Se não for usado corretamente, pode magoar os outros. Portanto, é muito importante para nós saber como transformar o conhecimento em sabedoria e entendimento correto. Transformar o conhecimento em sabedoria e entendimento correto não é fácil. O princípio é o mesmo como se estivéssemos a fotografar. O foco, a distância e a velocidade do obturador devem ser ajustados em conformidade antes de se poder ter uma imagem clara e bonita. Da mesma forma, só se pode ver a verdadeira natureza da vida e do universo como realmente são, se a pessoa tiver um entendimento correto. Se não tivermos o entendimento correto quando observamos este mundo terreno, sérios erros serão cometidos. É como espreitar as flores através de uma névoa pesada ou pessoas cegas tocarem um elefante.

  • Observa a tua ansiedade, o objecto da tua ansiedade e o que a causa, com um entendimento correcto. Isto implica honestidade, saber identificar realmente o porque.

2 – Pensamento correto

O pensamento correto é a vontade certa, decisão e contemplação. Significa não ter pensamentos de ganância, raiva e ignorância. Estes três venenos: a ganância, a raiva e a ignorância são os principais obstáculos no nosso caminho para a iluminação. Eles ocupam continuamente as nossas mentes e contaminam a nossa natureza pura. Não é fácil livrar-se destes três venenos. Temos que exercer o esforço contínuo de manter o pensamento correto necessário para superar estes três venenos e seguir o caminho de Buda.

  • Que tipos de venenos te levam a ter ansiedade?
  • Como é que o teu pensamento se desvia para que deixes de ter paz e caias na ansiedade?

3 – Discurso correto

Utilizar o discurso correto significa que não devemos mentir, caluniar outros, usar uma linguagem desagradável, ou proferir discursos frívolos. Há um provérbio chinês que diz: “A doença vem do que você come. O problema vem do que você diz”. A nossa boca é como um machado muito afiado. Se dissermos algo impróprio, não só prejudicaremos outros, como também a nós mesmos. Assim, é muito importante
escolhermos sabiamente as nossas palavras.

  •  De que forma as tuas palavras, os diálogos, os monólogos, te podem conduzir à ansiedade?

4 – Ação correta

A ação correta significa que não devemos matar, roubar, envolver-nos em má conduta sexual, ou tomar intoxicantes de qualquer tipo. Além da abstenção à prática de ações doentias, precisamos também de realizar ativamente ações saudáveis.

  • Quando ficas ansioso tomas acções incorrectas para contigo ou para com os outros?
  • Que acções te levaram a ficar ansioso?

5 – Modo de vida correto

Modo de vida correto refere-se à maneira correta de viver; abstendo-se de trabalhar em postos de trabalho antiéticos, tais como: casas de jogo; venda de bebidas alcoólicas ou instrumentos que podem matar e matadouros em funcionamento.
Além disso, parte do modo de vida correto é ter hábitos bem disciplinados, tais como: dormir as horas necessárias para a obtenção de um sono tranquilo; alimentação saudável; exercício físico; descanso e trabalho. O modo de vida correto, não só promove a eficiência e saúde, como também permite ter uma vida familiar feliz e uma vida social estável.

  • O que está de errado na tua vida para que estejas com ansiedade?

6 – Esforço correto

O esforço correto significa aplicar o nosso esforço em quatro áreas:
1ª) Não produzir qualidades prejudiciais que ainda não foram produzidas; 2ª) eliminar as qualidades nocivas que já existem; 3ª) alimentar as qualidades saudáveis que ainda não foram produzidas; e 4ª) manter e multiplicar as qualidades saudáveis ​​que já existem.

  • De que forma te aplicas para criares méritos;
  • Quais as tuas qualidades nocivas? Porque não as transformas?

7 – Atenção plena correta

Para ter atenção plena correta há que manter a atenção em nós, a consciência e uma mente focada nos quatro fundamentos de atenção plena: 1º) o corpo é impuro; 2º) os sentimentos resultarão sempre em sofrimento; 3º) a mente é impermanente; 4º) nenhum fenómeno tem um ego substancial. Se contemplarmos sempre o significado da impermanência, do sofrimento e não-eu, não seremos ganancioso para com insignificâncias deste mundo. Lutaremos diligentemente para a Verdade.

  •  A impermanência é a nossa grande lição. Nada fica limpo, o corpo suja-se; Os nossos sentimentos mudam; A mente está vazia e de repente fica com pensamentos; Os acontecimentos em si não têm uma personalidade. São conceitos estranhos mas o mais importante é – o que te leva a sair do teu centro, a sair do aqui e agora e a ser ansioso?

8 – Concentração meditativa correta

Concentração meditativa correta refere-se aos quatro estágios de concentração meditativa (Dhyana). Na realidade significa que devemos concentrar a nossa vontade e pensamentos através da meditação. Se conseguirmos dominar completamente os oito elementos deste Nobre Caminho Óctuplo, alcançaremos o estado de Buda.

  • Buda significa desperto e todos temos essa natureza em nós. De que forma perdes concentração e te tornas ansioso?
  • De que forma te concentras na tua ansiedade?

A ansiedade é uma doença que pode trazer graves problemas à nossa vida, inclusive doença física. Não é algo que deva ser tratado de forma leviana mas é algo que necessita ser compreendido e transformado. Tu, melhor que ninguém, compreendes a tua ansiedade.

Feliz ano do macaco

Este é o ano do Macaco de Fogo que inicia a 08 de fevereiro de 2016 e termina a 27 de janeiro de 2017. É um ano muito auspicioso e a cor dominante para este ano é o vermelho. Este macaco de fogo traz ambição, actividade, aventura, ímpeto e capacidade de escutar ensinamentos que levarão ao sucesso. Este é um bom ano para aprender e batalhar pelos desafios. Será um bom ano para resolução de problemas mas deve-se ter cuidado para não se ser malicioso. Ter atenção às aparências e escolher muito bem os parceiros. É um ano para movimento e alegria. Há uma expressão que caracteriza bem o ano:

“O fogo abrasador (Fogo Yang) encosta num metal potente (Metal Yang).”
No Fen Shui, o elemento Fogo Yang representa Força brilhante do Sol ou Fogo ardente, e Metal Yang, Espada justiceira ou material de forte durabilidade. Tudo isso acima mencionado há dois significados para este ano de 2016:“ O sol brilha para quem é justo. O duelo prestes a acontecer quando o fogo tenta derreter o metal” Neste sentido, para alcançarmos nosso objetivo, a atitude a ser adotada é: “Seja Bondoso e Humilde ao comunicar com os outros. Contudo, recue se for preciso.”

Pela técnica de 4 Pilares Ano, Mês, Dia e Hora, temos os seguintes quadros:

Tronco Celeste Ramo Terrestre
Ano 丙    3 申   9
Mês 庚    7 寅   3
Dia 丙    3 辰   5
Horas 丁    4 酉  10

Então, este ano temos que: “Confiar no que se faz; Agir com rigor e Recuar com sabedoria”.

Um monge budista que usou a sua prática para fazer as pazes com o cancro

Em 2011, William Tran, um monge budista vietnamita com o grau honroso de Grande Mestre Budista, foi ao dentista por uma inflamação nas gengivas. Os antibióticos não ajudavam e quando o dentista o viu novamente, ficou tão preocupado que ele, pessoalmente, levou Tran para a sala de emergência.

Lá, Tran foi diagnosticado com leucemia mielóide aguda e foi-lhe dito que a sua doença não pode ser curada. Após o tratamento de quimioterapia, teve um período de remissão e, em seguida, uma recaída. Os médicos do Cedars-Sinai Hospital, em Los Angeles, Califórnia, decidiram que era hora de investigar as opções de transplante. Quando não conseguiram encontrar uma combinação perfeita para ele de medula óssea ou transplante de células estaminais, os médicos de Tran escolheram uma opção relativamente nova, um transplante para adultos com resultados promissores: transplantes de cordão umbilical. Antes de Tran poder receber o seu transplante de um doador compatível do sangue do cordão umbilical, ele passou por outra ronda de quimioterapia para que voltasse à remissão.

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O transplante de Tran foi bem sucedido e está em remissão da leucemia há seis meses. Ele está de volta a casa, no seu templo em Garden Grove, Califórnia, a apenas três milhas da Disneyland, cercado por estudantes, monjas e amigos. O Huffington Post reuniu-se com ele, para aprender sobre o cancro através dos olhos de um monge budista, juntamente com um tradutor – amigo da família de longa data e estudante com o nome de Roy Le.

“Depois que fiquei doente, o meu corpo mudou muito. Perdi peso e sentia-me mais fraco do que antes. Leva tempo para recuperar” Tran, que tem quase 60 anos e tem vindo a estudar o budismo há mais de 50, disse através de um tradutor. “Mas mentalmente, eu sinto-m mais forte. Tenho mais confiança no meu budismo do que antes. ”

No seu templo pessoal, onde estuda e ensina o budismo Mahayana, Tran, falando em vietnamita, partilhou seis formas que usou na sua prática para encontrar a paz durante o processo de diagnóstico, tratamento, transplante, recuperação e remissão:

  1. Como um paciente, tem que deixar ir. Deixar ir significa não ter apego. “Eu tenho praticado Budismo desde que tinha seis anos. Desapegar é parte de mim. Noutras religiões, a alma é permanente. No budismo, não é. Vamos dizer que acende uma vela e há uma chama. Se transferir a chama para outra vela e soprar a primeira, para onde ela foi? Não sabemos. É a mesma coisa quando morremos. Você era diferente há 10 minutos atrás. Toda a vez que temos uma experiência nova, nossa alma não é a mesmo que era antes”.
  2. Não negue a doença. Aceite-a como um fato. “Enfrentar a realidade. Lidar com o stress agora. Os médicos podem cuidar do corpo, mas eles não podem cuidar da mente. Aceite o que você tem agora. Enfrente-o diretamente e lide com ele. Se aceitar os fatos e pedir por ajuda, a sua mente vai se acalmar. A medicina vai resultar”.
  3. Quando se deparar com uma crise, acredite na própria religião, Deus ou a moral. “Não comece a questionar agora. Acredite em moralidade e que no que as suas boas ações são. E tem que acreditar em si mesmo. Isso é realmente importante. Tem muito conhecimento e poder. Todas as pessoas têm o potencial para algo grande. Para uma grande realização. “
  4. Acredite e confie na sua equipa médica. Siga suas instruções. “Nós podemos lidar com os efeitos colaterais das drogas com as nossas mentes. Os médicos são os profissionais. Confiemos. É um equívoco que os budistas acreditam que quando você doar parte do seu corpo (sangue, medula óssea) que o seu corpo não está mais intacto e que não vai ter um renascimento completo na sua nova vida. Acreditamos que doar o seu corpo é o mais alto nível de budismo. Doe qualquer coisa. É a coisa certa a fazer. A chave é que você faça isso por nada em troca… – apenas para ajudar as pessoas”.
  5. Medite. “Quando você medita, o seu corpo produz endorfinas. Você produz menos cortisol — que é algo mau e cria muito stress. Esta é uma forma de se acalmar e deixar o seu corpo curar, juntamente com a medicação. Eu praticava meditação todos os dias e não tive problemas com náuseas ou vómitos durante a quimioterapia. Eu comi o dobro do que se esperava! “

A meditação também ajudou psicologicamente ao longo do tratamento. Ajudou-me com suporte. Ajudou-me a aceitar o meu destino. “Aceitar o seu destino não significa que você desista. Significa enfrentar a sua realidade. Levante-se e lute contra isso. Não pode simplesmente desistir. Quando dizemos que aceitamos o nosso destino, isso significa que devemos encarar os fatos agora e que iremos lidar com isso “.

  1. Ao confrontar o desconhecido ou o medo de recaída, viva no presente. “Para praticar a meditação, tem que viver no presente. [A sua doença] pode voltar ou talvez não. Não viva para o futuro. Planei o futuro. Nós ainda planeamos o futuro nos caminhos normais da vida. Mas todos iremos morrer. Se alguém não morrer de cancro, pode morrer de uma doença cardíaca ou um acidente de trânsito na rua. Nós temos que morrer em algum lado. Nós não sabemos quando. Assim, tentamos o nosso melhor. “

A compaixão e a conivência

A compaixão é um termo já tão amplamente usado como o era a misericórdia, a piedade e o amor incondicional. Hoje em dia, muito trabalhamos para a compaixão e vemos essa virtude a ser desenvolvida na prática de Reiki, Karuna e Meditação.

Um grande mestre dizia que quando a mente estava vazia, o coração preenchia-se. Isto significa que quando nos desapegamos dos pensamentos, do desejo, das emoções, que o nosso coração atinge o seu estado natural de paz tendo como cada pulsar um amor verdadeiro pela vida. Esta vida é representada por todos os seres, incluindo o planeta onde habitamos. No fundo, este amor verdadeiro pela vida é a compreensão da própria vida.

Infelizmente, na vida, não encontramos apenas Amor mas muito sofrimento. Sabemos que ele existe, nem sempre compreendemos a sua causa, nem sempre sabemos como o podemos evitar ou ultrapassar. Então surge a compaixão, que é a vontade, é um voto. Esta é a vontade de libertar todos os seres sencientes do sofrimento, ou seja, auxiliar o meu próximo perante o seu sofrimento. Para que isto aconteça, precisamos tomar vários passos na nossa própria vida – estarmos conscientes é o primeiro deles, libertarmo-nos do nosso próprio sofrimento é o segundo e o terceiro é realmente compreender a compaixão e os seus vários níveis.

Estar consciente significa que me compreendo e entendo o meu percurso de vida. Fazendo-o compreendo também o percurso dos outros e o nosso interrelacionamento. Assim, sei que devo deixar o sofrimento e para tal, tenho que compreender os meus desejos, entender que eles trazem sofrimento. Entrando nesse caminho, soube ter compaixão por mim mesmo e como tal, prosseguirei com essa mesma compaixão para todos aqueles que a queiram. Os vários níveis de compaixão têm a ver com o nosso compromisso perante a vida.

A consciência, o estar desperto, é sem dúvida uma parte fulcral na compaixão pois senão, o meu papel poderá ser apenas o de conivência. Isto quer dizer que não estarei a aliviar sofrimento algum, muitas vezes estarei sim a proporcionar um ainda maior, criando a ilusão de um estado de bem-estar, segurança e felicidade para comigo ou para com o outro. Desta forma, precisamos estar muito atentos ao nosso estado de conivência que é apenas uma forma ilusória de compaixão. Mas, muitas palavras não irão ajudar-te a compreender a diferença, por isso mesmo é preciso que te questiones e pratiques três simples passos:

  1. Está consciente dos teus actos, pensamentos e sentimentos;
  2. Desenvolve a compaixão por ti mesmo;
  3. Só depois, desenvolve a compaixão pelos outros, compreendendo o desapego.

O percurso não é fácil mas traz uma incrível liberdade. A compaixão é uma responsabilização para com a vida. Se eu vivo, de que forma hei-de agradecer por essa vida?

O usa da japamala

Japamala é o nome em sânscrito, para um rosário, usado por hindus ou budistas. Japa é uma prática recitativa espiritual e mala significa rosário, ou seja, uma japamala é um rosário usado para recitar. No budismo chinês chama-se 数珠 shùzhū, e em japonês 数珠 juzu. Ao longo dos séculos e em várias culturas, as japamalas são usadas para meditação, concentração, ligação espiritual ou protecção. Podem ser feitas de vários materiais – pau-rosa, âmbar, madeira, sândalo, semente rudraksha, osso, cristal, ametista, olho de tigre e muitos mais. 

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A repetição de um mantra pode levar a uma iluminação ou paz ao longo da sua prática. Há quem goste de repetir o nome de deus (religião católica, budismo, hinduismo) ou mantras, que representam palavras sagradas, como Aum Namah Sivaya, Nam-myōhō-renge-kyō, Om Mani Padme Hum, Om Tare Tuttare Ture Swaha, entre outros. As japamalas podem ter várias formas e significados. Por exemplo, no budismo japonês, consegue-se distinguir as escolas pelos tipos de rosários que usam.

Protecção

Caso queiras usar uma japamala para protecção pode colocá-la junto de algo que seja espiritualmente importante para ti, para que essa energia também se manifeste na japamala. Podes ainda recitar um nome ou mantra que consideres importante. No caso do uso, na repetição de mantras, quanto mais se usar, mais intensa será a sua força e energia.

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Os tibetanos têm uma forma muito particular de usar as japamalas, assim como os hindus. Eles seguem as contas, rodando cada conta com o polegar e segurando com o dedo médio. Nunca se toca na conta Guru, que é a primeira e maior de todas (em alguns casos), pois representa o Mestre ou Guru. O número mais comum é de 21, 28 ou 108 contas. 108 representa o número de aflições que sofremos, segundo os budistas.

O uso de uma japamala nem sempre representa que a pessoa tenha uma ligação religiosa com o budismo ou hinduismo mas sim com o valor espiritual que cada uma das culturas representa.

 

Budismo para o Verão

Em Agosto iremos partilhar 4 textos do Mestre Hsin Yun para a tua reflexão sobre «O que é o Budismo Humanista»; «Como te tornares budista»; «A melhor escolha de vida»; «As quatro nobres verdades». A escolha destes textos recaiu sobre a Mestra Miao Yen, do Templo Fo Guan Shan, em Lisboa.

Podes subscrever neste formulário simples, para que possas receber o email, gratuitamente, todas as quartas-feiras, em Agosto.

 

Temas de Budismo para o Verão

5 de Agosto – «O que é o Budismo Humanista»

12 de Agosto – «Como te tornares budista»

19 de Agosto – «A melhor escolha de vida»

26 de Agosto – «As quatro nobres verdades»

miao yen

Miao Yen é a Mestre do Templo Fo Guang Shan de Lisboa.

 

O Templo Fo Guang Shan de Lisboa

BLIA – Associação Internacional Buddha´s Light de Lisboa
Rua Centieira, nº 35
1800-056 Lisboa Portugal

Podes ler mais sobre o que é a BLIA, aqui…

 

Meditação, um começo, pelo Dalai Lama

No livro Palavra do Coração, da Ed. Presença, o Dalai Lama partilha perspectivas muito úteis sobre o que é a meditação e algumas técnicas para mudar a mente e o coração para uma vida mais feliz.

Meditação, um começo

Neste capítulo vamos explorar as técnicas para mudar os nossos espíritos das suas vias habituais para outras mais virtuosas. Há dois métodos de meditação que devemos usar na nossa pratica. Um, a meditação analítica, é o meio pelos quais nos familiarizamos com novas ideias e atitudes mentais. O outro é a meditação estabilizada, que foca o espírito no sujeito com que temos que nos familiarizar.

Embora naturalmente aspiremos a ser felizes e desejemos ultrapassar a miséria, continuamos a experimentar a dor e o sofrimento. Porquê? O budismo ensina que na verdade nós conspiramos com as causas e condições que criam a nossa infelicidade e somos muitas vezes relutantes em nos comprometermos em actividades que nos poderiam levar a uma felicidade mais duradoura. Como é que isto acontece? Na nossa usual maneira de viver deixamo-nos controlar pela força dos pensamentos e emoções, que por sua vez dão nascimento a estados mentais negativos. É através deste círculo vicioso que perpetuamos a nossa infelicidade mas também a dos outros. Temos que deliberadamente tomar uma posição para fazer marcha atrás destas tendências e substitui-las por novos hábitos. Como um novo ramo enxertado numa velha árvore que finalmente absorverá a vida dessa árvore e criará uma nova, devemos alimentar novas inclinações pelo cultivo deliberado das praticas virtuosas. Isto é o significado verdadeiro da prática da meditação.

Contemplar a natureza dolorosa da vida, tomando em consideração os métodos pelo quais a nossa miséria pode chegar ao fim, é uma forma de meditação. Este livro é uma forma de meditação. O processo pelo qual nós transformamos as nossas mais instintivas atitudes de vida, esse estado mental que procura só satisfazer o desejo e evitar o desconforto, é o que queremos dizer quando usamos a palavra meditação. Nós tendemos a ser controlados pelo nosso espírito, seguindo-o ao longo da sua via auto centrada. A meditação é o processo pelo qual ganhamos o controle do nosso espírito e o guiamos numa direcção mais virtuosa. A meditação pode ser vista como uma técnica pela qual diminuímos a força dos velhos pensamentos habituais e desenvolvemos outros novos. Assim protegemo-nos de nos envolvermos em acções do espirito e da palavra ou em actos que nos provocam sofrimento. Esta meditação deve ser usada intensivamente na nossa pratica espiritual.

Esta técnica não é em si mesma budista. Tal como os músicos treinam as mãos, os atletas os reflexos e técnicas, os linguistas os ouvidos, os académicos as percepções, nós direccionamos os nossos espíritos e corações.

Familiarizarmo-nos com os diferentes aspectos da nossa pratica espiritual é assim uma forma de meditação. Ler simplesmente acerca deles uma vez, não é muito benéfico. Se nos interessamos, é bom contemplar os assuntos referidos, tal como fizemos no capítulo precedente com a acção não virtuosa da conversa sem sentido, e depois devemos aprofundá-los mais intensamente para alargar a nossa compreensão. Quanto mais explorar um tópico e o sujeitar a um exame mental, mais profundamente o vai compreender. Isto permite-lhe julgar a sua validade. Se através da sua análise, provar que algo é invalido, então abandone-o. No entanto se de forma independente estabelecer que algo é verdadeiro, então a sua fé nessa verdade ganhou uma consistência mais forte. Todo este processo de investigação e exame deve ser pensado como uma forma de meditação.

O próprio Buda disse: “Oh, monges e sábios, não aceitem as minhas palavras por simples reverência. Devem submetê-las a uma análise critica e aceita-las com base na vossa própria compreensão”. Esta afirmação espantosa tem muitas implicações. É claro que o Buda está a dizer-nos que quando lemos um texto, não nos devemos apenas fiar na fama do autor mas sim no conteúdo. E quando temos problemas com o conteúdo, devemos fiar-nos no tema e no sentido mais do que no estilo literário. Quando ao tema, devemos fiar-nos na nossa compreensão empírica mais do que no nosso conhecimento intelectual. Por outras palavras, devemos fundamentalmente desenvolver mais do que um simples conhecimento intelectual do Dharma. Devemos integrar profundamente as verdades do ensinamento do Buda, no nosso ser mais intimo, de forma a que se reflictam nas nossas vidas. A compaixão vale pouco se é apenas uma ideia, ela deve tornar-se numa atitude para com os outros, reflectindo-se em todos os nossos pensamentos e acções. O simples conceito de humildade não diminui a nossa arrogância; ele deve estar presente no nosso modo de ser.

FAMILIARIDADE COM UM OBJECTO ESCOLHIDO

A palavra tibetana que se usa para designar a meditação é gom, que significa “familiarizar-se”. Quando utilizamos a meditação na nossa via espiritual, isso é familiarizarmo-nos com um objecto escolhido. Este objecto não precisa de ser uma coisa física como uma imagem do Buda ou de Jesus na cruz. O “objecto escolhido” pode ser uma qualidade mental como a paciência, e trabalhamo-la, cultivando-a em nós mesmos através da contemplação meditativa. Pode também ser o movimento rítmico da nossa respiração, em que nos focamos para acalmar as nossas mentes agitadas. E finalmente, pode ser apenas a simples qualidade de clarificar e conhecer a nossa consciência, a natureza da qual, nós procuramos perceber. Todas estas técnicas são descritas em detalhe nas páginas seguintes. Através destes meios o nosso conhecimento sobre os objectos que escolhemos aumenta.

Por exemplo, quando queremos comprar um carro, informamo-nos sobre os prós e os contras das diferentes marcas, e fazemos um juízo sobre as qualidades de uma escolha particular. Através da contemplação dessas qualidades, o valor que damos a esse carro intensifica-se, assim como o desejo de o possuir. Podemos cultivar virtudes como a paciência e a tolerância da mesma maneira. Fazemo-lo contemplando as qualidades que constituem a paciência, a paz de espírito que se gera em nós, o ambiente harmonioso que daí resulta, o respeito que provoca nos outros. Também trabalhamos para reconhecer o retrocesso que são a impaciência, o ódio e a ausência de satisfação de que sofremos interiormente, e o medo e a hostilidade que provocam nos que nos rodeiam. Seguindo diligentemente tais linhas de pensamento, a nossa paciência evolui naturalmente, tornando-se cada vez mais forte, de dia para dia, de mês para mês, e de ano para ano. O processo de acalmar o espírito é longo. No entanto, mal tenhamos controlado a paciência, o prazer que daí deriva é mais duradouro do que aquele que qualquer carro pode proporcionar.

De facto, nós fazemos esta meditação muitas vezes no nosso dia-a-dia. Somos especialmente bons a cultivar a familiaridade com as tendências não virtuosas! Quando nos aborrecemos com alguém, somos capazes de contemplar os defeitos dessa pessoa e ficarmos cada vez mais convencidos da natureza questionável dele ou dela. O nosso espirito permanece focalizado no “objecto” da nossa meditação e o nosso desprezo pela pessoa intensifica-se. Também contemplamos e desenvolvemos a familiaridade com objectos escolhidos quando nos focalizamos em algo ou alguém de quem gostamos especialmente. Não é preciso espicaçarmo-nos muito para mantermos a nossa concentração. É mais difícil permanecer focalizado quando cultivamos a virtude. Isto é uma indicação segura de como as emoções do apego e do desejo são opressivas.

Há muitos tipos de meditação. Há algumas que não requerem uma posição sentada formal, ou uma postura física particular. Podemos meditar enquanto conduzimos ou andamos, num autocarro ou comboio e mesmo enquanto tomamos um banho. Se querem devotar um período de tempo particular para uma pratica espiritual mais concentrada, é benéfico empregar as madrugadas para uma sessão formal de meditação, pois é quando a mente está mais alerta e clara. Ajuda sentarmo-nos num ambiente calmo com as costas direitas, e ajuda permanecer concentrado. No entanto, é importante lembrar-se que deve cultivar os hábitos mentais virtuosos quando e aonde for possível. Não pode limitar a meditação a uma sessão formal.

MEDITAÇÃO ANALÍTICA

Como já referi, há dois tipos de meditação a usar na contemplação e internalização dos temas que exponho neste livro. Primeiro, há a meditação analítica. Neste tipo de meditação, a familiarização com um objecto escolhido – seja ele o carro que desejamos ou a compaixão ou a paciência que procuramos gerar – é cultivada através de um processo racional de analise. Neste caso, não nos focamos simplesmente num tópico, mas sim cultivam mais um sentimento de aproximação ou empatia com o objecto que escolheram ao aplicarem criteriosamente as vossas faculdades criticas. É esta forma de meditação que eu vou sublinhar ao expor os diferentes temas que precisam de ser cultivados na nossa pratica espiritual. Alguns destes temas são específicos da pratica budista e outros não. No entanto, mal tenham desenvolvido a familiaridade com um tópico através desta análise, é importante permanecer focalizado nele através da meditação estabilizada para ajuda-lo a mergulhar mais profundamente.

MEDITAÇÃO ESTABILIZADA

O segundo tipo é a meditação estabilizada. Esta ocorre quando focamos o nosso espirito num objecto escolhido sem qualquer análise ou pensamento. Quando meditamos na compaixão, por exemplo, desenvolvemos a empatia pelos outros e trabalhamos para reconhecer o sofrimento que eles experimentam. No entanto, mal vemos que a nossa meditação mudou positivamente a nossa atitude para com os outros, focamo-nos nesse sentimento sem qualquer pensamento, o que nos ajuda a aprofundar a nossa compaixão. Quando sentimos que o nosso sentimento compassivo está a enfraquecer, podemos de novo praticar a meditação analítica para revitalizar a nossa simpatia e preocupação compassiva pelos outros, antes de voltarmos à meditação estabilizada.

Consoante estamos mais à vontade nesta pratica, podemos habilmente mudar entre a duas formas de meditação para conseguirmos intensificar a qualidade desejada. No capítulo 11 (Calma mental) vamos examinar a técnica para desenvolver a nossa meditação até ao ponto em que consigamos permanecer focalizados num só ponto do nosso objecto de meditação, quanto tempo o desejarmos. Como atrás referimos, este “objecto de meditação”, não é necessariamente algo que podemos “ver”. Num certo sentido o meditante, ele ou ela, funde o seu espírito com o objecto para poder familiarizar-se com ele. A meditação focalizada, tal como outras formas de meditação, não é virtuosa por natureza. É mais o objecto em que nos concentramos e a motivação com que praticamos, que determina a qualidade espiritual da nossa meditação. Se o nosso espirito se focar na compaixão, a meditação é virtuosa. Se o nosso espirito se focar no ódio, a meditação não é virtuosa.

Devemos meditar de uma maneira sistemática, cultivando gradualmente a familiaridade com o objecto escolhido. Estudar e escutar mestres qualificados é uma parte importante deste processo. Depois contemplamos o que lemos ou ouvimos, examinando-o para retirar qualquer confusão, más interpretações ou duvidas que possamos ter. Este processo em si mesmo ajuda a alterar o espirito. Então, quando nos focamos no nosso objecto, num só ponto, os nossos espíritos fundem-se com ele da maneira desejada.

É importante que antes de tentarmos meditar nos aspectos mais subtis da filosofia budista, sejamos capazes de manter as nossas mentes concentradas num tópico simples. Isto ajuda-nos a desenvolver a capacidade de análise e a permanecer focados num só ponto, no antídoto a todo o nosso sofrimento, a vacuidade da existência inerente.

A nossa caminhada espiritual é longa. Por isso, devemos escolher a nossa via com cuidado, assegurando-nos que ela engloba todos os métodos que nos levarão ao nosso objectivo. Por vezes a jornada é escarpada. Devemos aprender a diminuir o nosso passo até encontrar o passo da contemplação profunda, que é tão lento como o do caracol, e ao mesmo tempo assegurarmo-nos que não nos esquecemos do problema do nosso vizinho ou do peixe que nada nos oceanos poluídos a quilómetros de distância.

DALAI LAMA

Capítulo 2 de PALAVRAS DO CORAÇÃO – DALAI LAMA, Ed. Presença, Maio 2003
Tradução de Conceição Gomes e Paulo Borges.

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