Estudos sobre Reiki

Uma sessão de Reiki poderá influenciar a resposta fisiológica ao burnout?

Cuidar de quem cuida, acredito, é um dos projetos mais meritórios que poderemos proporcionar com a prática de Reiki. Profissionais de saúde, cuidadores informais, a grande maioria sofre de um esgotamento que é quase inevitável nos dias de hoje. Este é um estudo realizado em Espanha que nos mostra como uma única sessão de Reiki pode trazer alterações fisiológicas imediatas. Naturalmente é um estudo pequeno, mas pode ser um estímulo para se realizar algo em maior escala que proporcione um melhor entendimento destes benefícios do Reiki.

O burnout entre profissionais de saúde é um problema que ultrapassa o simples cansaço. Está associado à exaustão emocional, à despersonalização e à diminuição do sentimento de realização pessoal, podendo afetar tanto o bem-estar do profissional como a qualidade dos cuidados prestados.

Efeitos imediatos do Reiki na variabilidade da frequência cardíaca, nos níveis de cortisol e na temperatura corporal em profissionais de saúde com síndrome de burnout.

O estudo incluiu 21 profissionais de saúde do sexo feminino, com uma idade média de 44 anos, provenientes dos serviços de urgência e cuidados intensivos do Hospital Universitário San Cecilio, em Granada.

A amostra era constituída por 19 enfermeiras e duas médicas, todas com diagnóstico de síndrome de burnout estabelecido por uma psicóloga com base nos critérios do Maslach Burnout Inventory.

Foi utilizado um ensaio clínico aleatorizado, controlado por placebo, cruzado e com ocultação simples. Isto significa que todas as participantes receberam:

  • Uma sessão de Reiki realizada por uma terapeuta com mais de 15 anos de experiência;
  • Uma sessão de Reiki simulado, realizada por uma enfermeira sem formação em Reiki.

A ordem das intervenções foi determinada aleatoriamente. As duas sessões foram realizadas com uma semana de intervalo e duraram aproximadamente 30 minutos cada.

No Reiki simulado foram reproduzidas as mesmas posições das mãos, mas sem intenção terapêutica. As participantes não sabiam qual das intervenções estavam a receber e a pessoa responsável pelas avaliações também desconhecia a intervenção realizada.

Este desenho é particularmente relevante porque permite comparar o Reiki com uma intervenção semelhante em termos de ambiente, presença humana e posições das mãos.

O que foi avaliado?

Antes e imediatamente depois de cada sessão, os investigadores avaliaram:

  • Variabilidade da frequência cardíaca através de Holter;
  • Temperatura corporal;
  • Fluxo salivar;
  • Concentração de cortisol salivar.

Na variabilidade da frequência cardíaca foram analisados diferentes parâmetros, incluindo o SDNN, o RMSSD e as componentes de baixa e alta frequência.

A variabilidade da frequência cardíaca fornece informação sobre a regulação autonómica do coração. Contudo, os seus diferentes componentes devem ser interpretados em conjunto e não como indicadores isolados de um único ramo do sistema nervoso autónomo.

Principais benefícios observados

Após a sessão de Reiki foram encontradas três alterações principais:

  • Aumento significativo do SDNN, um indicador global da variabilidade da frequência cardíaca;
  • Diminuição significativa da componente de baixa frequência, ou LF;
  • Aumento significativo da temperatura corporal.

O SDNN aumentou depois do Reiki, com um valor de p=0,03. A componente LF diminuiu significativamente, com p<0,05. A temperatura corporal aumentou aproximadamente 0,3 °C, com p<0,001.

Estas alterações não foram observadas da mesma forma depois da sessão de Reiki simulado.

Os investigadores encontraram ainda uma correlação entre o aumento da temperatura corporal e a diminuição da componente LF após o Reiki: r=-0,5; p=0,02.

Segundo a interpretação apresentada pelos autores, este conjunto de resultados sugere uma alteração aguda da regulação autonómica compatível com maior relaxamento e predominância parassimpática.

O que aconteceu com o cortisol?

Apesar de o cortisol fazer parte do título do estudo, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre o Reiki e a intervenção simulada.

O cortisol diminuiu depois da sessão de Reiki, mas a diferença entre as intervenções não atingiu significância estatística: p=0,08. Também não se verificou um efeito significativo no fluxo salivar: p=0,10.

Por isso, não é correto afirmar que este estudo demonstrou que uma sessão de Reiki reduz o cortisol. Existiu apenas uma tendência, que poderá ser investigada em estudos com amostras maiores, mais sessões e avaliações realizadas algumas horas depois da intervenção.

Evidências destacadas

Um dos pontos fortes deste estudo foi o controlo das expectativas das participantes. Apenas 19% conseguiram identificar corretamente a ordem das duas intervenções, o que sugere que a ocultação foi eficaz.

O desenho cruzado também permitiu que cada participante funcionasse como o seu próprio controlo, reduzindo parte da variabilidade individual.

Além disso, foram utilizadas medidas fisiológicas objetivas:

  • Registo eletrocardiográfico por Holter;
  • Análise laboratorial do cortisol salivar;
  • Medição da temperatura corporal;
  • Procedimentos realizados no mesmo período do dia para reduzir a influência dos ritmos circadianos.

Limitações do estudo

Os resultados devem ser interpretados com prudência.

A amostra era pequena e incluía apenas 21 mulheres de um único hospital. Apenas uma terapeuta realizou as sessões de Reiki, o que limita a generalização dos resultados.

O estudo avaliou somente os efeitos imediatamente depois de uma única sessão. Não permite saber se as alterações se mantiveram durante as horas ou os dias seguintes, nem se sessões repetidas produziriam resultados diferentes.

Também não foram avaliadas alterações nos sintomas psicológicos do burnout depois da intervenção. Assim, o estudo não demonstrou que o Reiki tratou ou reduziu o burnout. Demonstrou apenas algumas alterações fisiológicas imediatas em profissionais que apresentavam esta síndrome.

A interpretação da componente LF da variabilidade cardíaca como medida direta da atividade simpática também deve ser feita com cautela, pois esta componente pode refletir influências fisiológicas mais complexas.

Conclusão

Uma única sessão de Reiki esteve associada a alterações imediatas na variabilidade da frequência cardíaca e a um pequeno aumento da temperatura corporal, quando comparada com uma intervenção simulada.

Os autores interpretaram estes resultados como um possível sinal de maior regulação parassimpática e relaxamento. No entanto, não foram demonstradas diferenças significativas no cortisol salivar ou no fluxo de saliva.

Este é um estudo interessante pelo seu desenho controlado, pela utilização de Reiki simulado e pela inclusão de medidas fisiológicas objetivas. Ao mesmo tempo, a reduzida dimensão da amostra e a avaliação exclusivamente imediata impedem conclusões definitivas.

Os resultados apoiam a realização de ensaios maiores, com diferentes terapeutas, várias sessões, acompanhamento prolongado e avaliação simultânea dos indicadores fisiológicos e dos sintomas de burnout.

O Reiki deve ser entendido como uma prática complementar de autocuidado e bem-estar, não substituindo o diagnóstico, o acompanhamento psicológico, a medicina do trabalho ou os cuidados de saúde recomendados.

Ficha técnica

Título original: Immediate Effects of Reiki on Heart Rate Variability, Cortisol Levels, and Body Temperature in Health Care Professionals With Burnout
Autores: Lourdes Díaz-Rodríguez, Manuel Arroyo-Morales, César Fernández-de-las-Peñas, Francisca García-Lafuente, Carmen García-Royo e Inmaculada Tomás-Rojas
Ano: 2011
Publicação: Biological Research for Nursing, 13(4), 376–382
Tipo de estudo: Ensaio clínico aleatorizado, controlado por placebo, cruzado e com ocultação simples
Amostra: 21 profissionais de saúde do sexo feminino com síndrome de burnout
Intervenção: Uma sessão de Reiki com aproximadamente 30 minutos
Comparador: Sessão de Reiki simulado, com as mesmas posições das mãos e sem intenção terapêutica
DOI: https://doi.org/10.1177/1099800410389166
PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21821642/
ID interno: UH-0130

SOBRE A BASE DE DADOS DE ESTUDOS SOBRE OS BENEFÍCIOS DE REIKI

Projeto de enfoque no apoio a estudos académicos e científicos em Universidades, por João Magalhães. Para mais informações ou apoio, enviar email para joao@joaomagalhaes.com. Saiba mais sobre a criação da maior base de dados de estudos sobre Reiki para apoio académico.

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

João Magalhães Reiki
Privacidade e proteção de dados

cookies é um termo usado sobre a informação que um site guarda sobre um visitante mesmo que não se registe, no entanto não ficamos com o teu e-mail ou contactos a não ser que os dês.

podes ler mais aqui: https://www.joaomagalhaes.com/o-tao-do-reiki/2018/05/politica-de-privacidade-e-de-protecao-de-dados-pessoais/