Estudos sobre Reiki

Reiki em pessoas com DPOC: estudo avalia autoeficácia, ansiedade perante a morte e qualidade do sono

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença respiratória que pode ter um impacto profundo não apenas na capacidade física, mas também na autonomia, no sono e no bem-estar emocional de quem vive com ela. A dificuldade em respirar, o cansaço e a progressiva limitação das actividades quotidianas podem trazer consigo insegurança, ansiedade e uma maior consciência da vulnerabilidade perante a doença.

Um estudo realizado na Turquia procurou perceber se o Reiki, utilizado como prática complementar, poderia ter influência em três dimensões particularmente relevantes para pessoas diagnosticadas com DPOC: autoeficácia, ansiedade perante a morte e qualidade do sono.

O trabalho, realizado por Kevser Sevgi Ünal Aslan e Funda Çetinkaya, foi publicado na revista Holistic Nursing Practice e encontra-se indexado na PubMed.

Na base de dados do projecto Hayashi – Investigação Reiki, este estudo encontra-se registado com o identificador UH-0854.

Efeito do Reiki na autoeficácia, ansiedade em relação à morte e qualidade do sono de doentes diagnosticados com doença pulmonar obstrutiva crónica: um estudo randomizado controlado.

O objectivo dos investigadores foi determinar os efeitos do Reiki na autoeficácia, ansiedade perante a morte e qualidade do sono de pessoas com diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica.

Participaram 75 pessoas, recrutadas num hospital na Turquia entre Fevereiro e Junho de 2019. Destas, 39 integraram o grupo que recebeu Reiki e 36 o grupo placebo.

Os participantes foram avaliados antes e depois da intervenção e os investigadores compararam posteriormente os resultados obtidos pelos dois grupos.

Segundo o resumo publicado, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre o grupo Reiki e o grupo placebo nas três variáveis analisadas — autoeficácia, ansiedade perante a morte e qualidade do sono — com p < 0,05.

Os autores concluíram que a aplicação de Reiki esteve associada a:

  • aumento dos níveis de autoeficácia;
  • melhoria da qualidade do sono;
  • diminuição da ansiedade perante a morte.

São três resultados interessantes precisamente porque abordam dimensões que vão além do sintoma respiratório e entram no campo da experiência global da pessoa que vive com uma doença crónica.

Porque é importante estudar a DPOC para além da respiração?

A DPOC provoca limitação persistente do fluxo de ar e pode manifestar-se através de dificuldade respiratória, tosse, pieira e fadiga. A Organização Mundial da Saúde estima que a doença tenha sido responsável por 3,4 milhões de mortes em 2023, representando cerca de 6% de todas as mortes a nível mundial.

Mas olhar apenas para a função pulmonar não permite compreender inteiramente aquilo que significa viver diariamente com DPOC.

A dificuldade respiratória pode limitar tarefas aparentemente simples, reduzir a actividade física e alterar a percepção de independência. A própria OMS salienta que, embora a DPOC não tenha cura, os seus sintomas podem ser tratados através de medicamentos, oxigenoterapia quando indicada, reabilitação pulmonar e outras medidas clínicas apropriadas.

É neste contexto — como complemento e nunca como substituição destes cuidados — que intervenções destinadas ao conforto e bem-estar podem merecer investigação.

O estudo de Aslan e Çetinkaya torna-se particularmente interessante porque não procurou demonstrar uma alteração da função pulmonar ou o tratamento da DPOC através do Reiki. Avaliou antes três dimensões da vivência da doença.

1. Autoeficácia — sentir que ainda somos capazes

A autoeficácia pode ser entendida, de uma forma simples, como a percepção que uma pessoa tem da sua própria capacidade para enfrentar situações, cumprir determinadas tarefas ou gerir dificuldades.

Numa doença crónica esta dimensão pode ser particularmente importante.

Uma pessoa pode conhecer perfeitamente aquilo que deve fazer relativamente à medicação, exercício, autocuidado ou gestão da sua rotina e, ainda assim, sentir que já não é capaz de o concretizar.

Neste estudo, os participantes que receberam Reiki apresentaram uma evolução favorável da autoeficácia em comparação com o grupo placebo.

Este resultado não significa que o Reiki trate a causa da DPOC. Sugere antes que a experiência da intervenção poderá estar associada à forma como a pessoa se sente perante si própria e perante a capacidade de lidar com a doença.

É uma diferença importante.

Quando investigamos práticas complementares, devemos distinguir sempre tratamento da doença de apoio à pessoa que vive com a doença.

E talvez seja precisamente neste segundo campo que alguns dos resultados encontrados para o Reiki devam ser compreendidos.

2. Ansiedade perante a morte — uma dimensão pouco abordada

Uma das características mais singulares deste estudo é a avaliação da ansiedade perante a morte.

Nem sempre esta dimensão é considerada quando se fala de doenças respiratórias crónicas. No entanto, a sensação de falta de ar pode ser profundamente perturbadora. Para algumas pessoas pode significar também uma confrontação recorrente com a fragilidade do corpo, com a evolução da doença e com o receio do futuro.

Os investigadores verificaram uma diminuição significativa dos valores associados à ansiedade perante a morte no grupo que recebeu Reiki quando comparado com o placebo.

É provavelmente um dos resultados que mais questões nos deixa para futuras investigações.

O que aconteceu durante estas sessões?

Terá o estado de relaxamento produzido uma menor percepção de ameaça?

Terá a experiência de receber Reiki proporcionado maior tranquilidade?

Terá contribuído para uma diferente relação emocional com a doença?

O estudo demonstra uma diferença entre os grupos, mas não permite, por si só, estabelecer o mecanismo responsável por essa diferença.

Esta distinção é essencial. Observar um efeito não significa ainda conhecer a razão pela qual ele ocorreu.

3. Qualidade do sono

O terceiro resultado foi uma melhoria da qualidade do sono.

A DPOC pode interferir com o descanso nocturno por múltiplas razões. Sintomas respiratórios, tosse, dificuldades em encontrar uma posição confortável, medicação ou a própria preocupação associada à doença podem contribuir para um sono menos reparador.

No estudo, os participantes do grupo Reiki apresentaram melhores resultados relativamente à qualidade do sono quando comparados com o grupo placebo.

Mais uma vez, não devemos transformar este resultado numa afirmação genérica de que “o Reiki trata as perturbações do sono”.

O que podemos dizer é algo mais preciso:

nesta amostra específica de pessoas com DPOC, e nas condições deste estudo, o grupo que recebeu Reiki apresentou uma melhoria estatisticamente significativa da qualidade do sono em comparação com o grupo placebo.

É assim que um resultado científico deve ser comunicado.

Reiki comparado com placebo — porque este aspecto é relevante?

Um ponto particularmente importante é a existência de um grupo placebo.

Quando investigamos uma intervenção como o Reiki, é necessário considerar que parte da experiência poderá resultar da atenção recebida, do repouso, do contacto humano, das expectativas do participante ou simplesmente do tempo dedicado a permanecer tranquilamente num determinado ambiente.

A utilização de uma intervenção placebo procura ajudar a separar alguns desses factores do efeito associado especificamente à intervenção que está a ser estudada.

Neste trabalho participaram 39 pessoas no grupo Reiki e 36 no grupo placebo. Os resultados finais favoreceram o grupo Reiki nas três dimensões avaliadas.

Isto torna os resultados particularmente interessantes e justifica que esta linha de investigação seja aprofundada.

Mas existe também uma questão metodológica que importa mencionar.

Um detalhe metodológico que merece atenção

O próprio título publicado apresenta o trabalho como um “Randomized-Controlled Study”, ou seja, um estudo controlado aleatorizado.

No entanto, no resumo disponível na PubMed, os autores descrevem a metodologia como um modelo quase-experimental, com pré-teste, pós-teste e grupo de controlo.

Esta aparente diferença de classificação deve ser tida em consideração quando avaliamos a robustez metodológica do estudo.

Além disso, estamos perante uma investigação realizada num único contexto hospitalar e com uma amostra relativamente pequena de 75 participantes.

Os resultados são, portanto, encorajadores, mas não devem ser generalizados automaticamente para todas as pessoas com DPOC.

Seria importante realizar novos estudos com:

  • amostras maiores;
  • vários centros hospitalares;
  • protocolos de Reiki claramente padronizados;
  • aleatorização e ocultação devidamente documentadas;
  • grupos placebo bem caracterizados;
  • acompanhamento a médio e longo prazo;
  • publicação detalhada dos valores antes e depois da intervenção e respectivas magnitudes do efeito.

Também seria interessante compreender durante quanto tempo se mantêm as alterações observadas.

O que este estudo nos ensina sobre o Reiki?

Há uma ideia que considero particularmente importante neste trabalho.

O interesse do Reiki numa pessoa com doença crónica não precisa de estar necessariamente na pretensão de “tratar a doença”.

Pode estar em algo diferente: cuidar da pessoa que está a atravessar essa doença.

Quando um estudo avalia autoeficácia, ansiedade perante a morte e qualidade do sono, está a olhar para aspectos profundamente humanos da experiência de doença.

A medicina é indispensável para diagnosticar, acompanhar e tratar a DPOC. A reabilitação pulmonar, a medicação, a cessação tabágica quando aplicável, a vacinação e as restantes intervenções recomendadas continuam a ser fundamentais no acompanhamento destes doentes.

O Reiki deve ser entendido, quando utilizado neste contexto, como uma prática complementar de apoio ao bem-estar, e não como alternativa ao tratamento médico.

Esta perspectiva é também importante para a própria investigação em Reiki.

Em vez de procurar demonstrar que o Reiki “cura” uma determinada patologia, talvez possamos fazer perguntas mais precisas:

Pode ajudar uma pessoa a sentir-se mais tranquila?
Pode contribuir para diminuir determinados sintomas percebidos?
Pode apoiar o descanso?
Pode melhorar aspectos da qualidade de vida?
Pode ajudar alguém a lidar emocionalmente com uma doença crónica?

São perguntas cientificamente investigáveis. E este estudo acrescenta mais uma pequena peça a esse caminho.

Conclusão

O estudo de Kevser Sevgi Ünal Aslan e Funda Çetinkaya encontrou resultados favoráveis ao Reiki em autoeficácia, ansiedade perante a morte e qualidade do sono numa amostra de 75 pessoas diagnosticadas com DPOC.

Os participantes que receberam Reiki apresentaram melhores resultados nas três dimensões quando comparados com o grupo placebo, tendo as diferenças sido estatisticamente significativas.

Estes resultados não demonstram que o Reiki trate a DPOC nem permitem substituir qualquer terapêutica médica.

Mostram algo diferente — e igualmente merecedor de atenção: uma prática complementar poderá ter um papel no apoio à experiência emocional, à percepção de capacidade pessoal e ao descanso de pessoas que vivem com uma doença respiratória crónica.

É um resultado que merece ser recebido simultaneamente com interesse e prudência.

Interesse, porque foram observadas diferenças significativas relativamente a um grupo placebo.

Prudência, porque se trata de um único estudo, com uma amostra limitada, e porque existem aspectos metodológicos que necessitam de melhor esclarecimento.

A investigação não termina quando encontramos um resultado positivo.

É precisamente aí que deve começar a pergunta seguinte.

Ficha técnica do estudo

Título original: The Effect of Reiki on the Self-Efficacy, Death Anxiety, and Sleep Quality of Patients Diagnosed With Chronic Obstructive Pulmonary Disease: A Randomized-Controlled Study
Autores: Kevser Sevgi Ünal Aslan; Funda Çetinkaya
Revista: Holistic Nursing Practice
Publicação online: 5 de Setembro de 2024
País: Turquia
Participantes: 75 pessoas com diagnóstico de DPOC
Grupos: Reiki — 39 participantes; placebo — 36 participantes
Desenho descrito no resumo: quase-experimental, pré-teste/pós-teste com grupo de controlo
Resultados avaliados: autoeficácia, ansiedade perante a morte e qualidade do sono
DOI: 10.1097/HNP.0000000000000694
PMID: 39255457
ID na Base de Dados Hayashi – Investigação Reiki: UH-0854

Referência bibliográfica

Ünal Aslan, K. S., & Çetinkaya, F. (2024). The Effect of Reiki on the Self-Efficacy, Death Anxiety, and Sleep Quality of Patients Diagnosed With Chronic Obstructive Pulmonary Disease: A Randomized-Controlled Study. Holistic Nursing Practice. DOI: 10.1097/HNP.0000000000000694.

Sobre a investigação

Este estudo integra a Base de Dados Hayashi – Investigação Reiki, um projecto dedicado à identificação, organização e divulgação de investigação académica relacionada com Reiki, procurando disponibilizar informação científica de forma acessível, mas mantendo uma leitura crítica dos métodos e dos resultados.

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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João Magalhães Reiki
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