Reiki em Hospitais

Reiki nos Cuidados Paliativos – Um estudo exploratório sobre o conforto – Prémio Hayashi de Investigação Reiki

Um estudo exploratório desenvolvido na Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de Tondela analisou a evolução da dor, do desconforto e da interação após sessões de Reiki realizadas em pessoas com doença avançada. Os resultados sugerem que esta prática complementar poderá contribuir para a promoção do conforto, sobretudo ao nível da perceção da dor, embora sejam necessários estudos mais abrangentes para confirmar os efeitos observados.

O Reiki como apoio nos Cuidados Paliativos

Os Cuidados Paliativos procuram prevenir e aliviar o sofrimento das pessoas com doenças graves, progressivas e potencialmente limitadoras da vida. Para além do controlo dos sintomas físicos, esta abordagem considera igualmente as necessidades emocionais, sociais e espirituais da pessoa e da sua família.

Neste contexto, o conforto não significa apenas a ausência de dor. Inclui também tranquilidade, segurança, presença, escuta, apoio emocional e respeito pelos valores e preferências de cada pessoa.

O Reiki tem vindo a ser integrado em alguns contextos clínicos como uma intervenção complementar, com o objetivo de proporcionar relaxamento, bem-estar e uma experiência mais confortável da doença. A sua utilização não substitui os tratamentos médicos, de enfermagem ou farmacológicos, devendo ser enquadrada como um apoio complementar aos cuidados convencionais.

Como foi realizado o estudo

O trabalho, intitulado “Reiki nos Cuidados Paliativos — Um estudo exploratório sobre o conforto”, foi desenvolvido entre janeiro e junho de 2026.

Tratou-se de um estudo observacional, descritivo e prospetivo, realizado em contexto clínico real. Não existiu grupo de controlo nem foram introduzidas alterações nos cuidados habitualmente prestados aos doentes.

Foram analisadas 28 sessões de Reiki. As sessões foram realizadas por Catarina Macedo, Mestre e Terapeuta de Reiki certificada. A avaliação e a reavaliação clínica foram efetuadas pela terapeuta ocupacional Sonia González Cano, permitindo separar a realização da intervenção da avaliação dos resultados.

Antes e depois de cada sessão foram observadas três variáveis:

  • dor;
  • desconforto;
  • nível de comunicação e interação.

Em sete sessões não foi possível realizar a reavaliação, devido à evolução clínica dos participantes ou a outras limitações próprias do contexto assistencial. Assim, a comparação dos resultados antes e depois da intervenção incidiu sobre 21 sessões.

Principais resultados

Dor

A dor foi a variável que apresentou a tendência mais favorável:

  • em 11 sessões, correspondentes a 52,4%, verificou-se uma melhoria;
  • em 5 sessões — 23,8% —, a dor manteve-se;
  • em 5 sessões — 23,8% —, registou-se agravamento.

Deste modo, mais de metade das sessões que puderam ser reavaliadas apresentaram uma diminuição da intensidade da dor após o Reiki.

Desconforto

Relativamente ao desconforto:

  • houve melhoria em 6 sessões — 28,6%;
  • os valores mantiveram-se em 12 sessões — 57,1%;
  • verificou-se agravamento em 3 sessões — 14,3%.

A manutenção foi, portanto, o resultado predominante. Ainda assim, cerca de um terço das sessões apresentou melhoria.

Interação

Na avaliação da comunicação e da interação:

  • o estado inicial manteve-se em 18 sessões — 85,7%;
  • verificou-se agravamento em 3 sessões — 14,3%;
  • não foram registadas melhorias nesta variável.

A estabilidade observada poderá estar relacionada com as características clínicas da população estudada, constituída por pessoas com doença avançada, limitações funcionais importantes ou alterações do estado de consciência.

O que nos dizem estes resultados?

Os dados sugerem que o Reiki poderá constituir uma intervenção complementar com potencial para apoiar a promoção do conforto em Cuidados Paliativos, particularmente ao nível da dor.

A manutenção do desconforto e da interação também deve ser interpretada tendo em conta a complexidade do estado clínico dos participantes. Em pessoas com doença avançada, evitar o agravamento ou proporcionar um período de tranquilidade pode assumir relevância, mesmo quando não se observa uma melhoria mensurável.

O estudo destaca ainda a importância de uma prática organizada e integrada na equipa de saúde. A avaliação dos resultados foi realizada por uma profissional diferente da terapeuta que aplicou Reiki, reduzindo a possibilidade de uma apreciação influenciada pela própria intervenção.

Limitações do estudo

O estudo analisou um número reduzido de sessões e não incluiu um grupo de controlo. Também não foi possível controlar fatores como a evolução natural da doença, os tratamentos farmacológicos, o estado emocional ou outras intervenções realizadas simultaneamente. Por estas razões, não é possível afirmar que as alterações observadas foram causadas exclusivamente pelo Reiki ou generalizar os resultados a todas as pessoas internadas em Cuidados Paliativos.

Os autores recomendam a realização de estudos com amostras maiores, grupos de comparação, metodologias experimentais, participação de várias instituições e períodos de acompanhamento mais prolongados. Futuras investigações poderão também avaliar dimensões como ansiedade, sono, bem-estar emocional, qualidade de vida e satisfação dos doentes e das suas famílias.

Conclusão

Este estudo representa um contributo relevante para o conhecimento sobre a aplicação do Reiki em contexto hospitalar português. Apesar das limitações metodológicas, a melhoria da dor observada em mais de metade das sessões reavaliadas justifica o aprofundamento da investigação. O Reiki poderá ser considerado uma intervenção complementar de apoio ao conforto, sempre integrado nos cuidados prestados pela equipa de saúde e sem substituir os tratamentos médicos, farmacológicos ou de enfermagem.

Investigar estas práticas em contexto clínico real permite compreender melhor de que forma podem contribuir para cuidados mais integrados, humanizados e centrados na dignidade e nas necessidades de cada pessoa.

Ficha técnica

Título: Reiki nos Cuidados Paliativos — Um estudo exploratório sobre o conforto
Autora: Catarina Macedo
Orientação técnica e avaliação clínica: Sonia González Cano
Instituição: Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de Tondela
Período: janeiro a junho de 2026
Tipo de estudo: observacional, descritivo e prospetivo
Intervenção: 28 sessões de Reiki
Sessões com reavaliação: 21
Variáveis analisadas: dor, desconforto e interação
Principais resultados: melhoria da dor em 52,4% das sessões reavaliadas e melhoria do desconforto em 28,6%
Palavras-chave: Reiki; Cuidados Paliativos; dor; conforto; terapias complementares; qualidade de vida.

Por unanimidade dos Órgãos Sociais da Associação Portuguesa de Reiki foi entregue a este trabalho o “Prémio Hayashi de Investigação Reiki – Menção Honrosa”.

Podes ler este estudo na integra aqui…

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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João Magalhães Reiki
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