Estudos sobre Reiki

Os efeitos do tratamento de Reiki em profissionais de saúde mental em risco de burnout

O trabalho diário com crianças com perturbação do espectro do autismo pode exigir um investimento emocional, mental e físico muito elevado. Sobrecarga, pressão de tempo, rotatividade das equipas, relações profissionais difíceis e falta de apoio organizacional podem contribuir para o burnout dos terapeutas e educadores.

Foi neste contexto que Shamaila Ijaz, Farwa Rafaq e Farah Shafiq estudaram a utilização de formação em Reiki por profissionais de centros de autismo no Punjab, Paquistão. O artigo foi publicado em 2022 no International Journal of Advanced Multidisciplinary Research and Studies.

O objetivo foi avaliar se a aprendizagem e utilização de Reiki poderia estar associada a uma redução do burnout. O estudo não avaliou o Reiki como substituto de acompanhamento médico ou psicológico, mas como uma prática complementar de autocuidado e bem-estar profissional.

Como foi realizado o estudo

Os investigadores recrutaram 450 profissionais através de amostragem intencional, entre novembro de 2019 e março de 2020. Destes, 346 concluíram a formação: 146 terapeutas comportamentais, 104 terapeutas da fala e 96 profissionais de educação especial, provenientes de 51 centros de autismo do Punjab.

Os participantes tinham pelo menos 25 anos, trabalhavam há um mínimo de 12 meses com crianças com diagnóstico de perturbação do espectro do autismo e não conheciam previamente o Reiki. A formação teve a duração indicada de três horas e foi realizada presencialmente no Lahore Institute of Special Care and Attention ou à distância, através do Skype. O material foi disponibilizado em inglês e urdu.

O burnout foi avaliado com a Teacher Burnout Scale, uma escala de autorresposta com 21 itens que considera quatro dimensões: capacidade de lidar com o stress profissional, satisfação com a carreira, apoio administrativo percebido e atitudes perante os alunos. O artigo refere também análises de regressão hierárquica, correlações com fatores do ambiente de trabalho e uma comparação pré e pós-formação.

O que foi observado

Os autores apresentam uma diminuição da pontuação média de burnout de 36,58 antes da formação para 12,13 depois da formação. O artigo classifica esta diferença como estatisticamente significativa.

Numa parte dos resultados, porém, os benefícios subjetivos são apresentados apenas para um subgrupo de 17 participantes, designados no texto como cuidadores. Nesse subgrupo, 13 em 17 (76%) relataram melhoria do conforto, 15 em 17 (88%) referiram relaxamento e 7 em 17 (41%) indicaram alívio da dor. Dez participantes relataram utilizar Reiki regularmente em casa após a formação.

O estudo observou ainda uma relação entre burnout e condições profissionais: um ambiente de trabalho insatisfatório e relações difíceis com colegas estavam associados a maior burnout. Este resultado sugere que o autocuidado individual não deve fazer esquecer a importância das condições organizacionais, da formação adequada e do apoio entre profissionais.

Principais benefícios identificados

  • Redução da pontuação média de burnout após a formação em Reiki, tal como reportada pelos autores.
  • Sensação de relaxamento em 15 dos 17 participantes incluídos na análise de benefícios percebidos.
  • Melhoria do conforto em 13 dos 17 participantes desse subgrupo.
  • Alívio da dor referido por 7 dos 17 participantes do subgrupo.
  • Aumento da confiança na utilização de Reiki após a formação.
  • Possível utilidade do Reiki como prática complementar de autocuidado para profissionais sujeitos a elevada exigência emocional.

Evidências destacadas

  • Foram recrutados 450 profissionais e 346 concluíram a formação.
  • A amostra incluiu terapeutas comportamentais, terapeutas da fala e profissionais de educação especial de 51 centros de autismo.
  • O estudo utilizou a Teacher Burnout Scale e comparou os resultados antes e depois da formação.
  • A pontuação média de burnout apresentada no artigo passou de 36,58 para 12,13.
  • O artigo associa maior burnout a um ambiente de trabalho insatisfatório e a dificuldades nas relações com colegas.
  • Não existiu grupo de controlo nem distribuição aleatória, pelo que não é possível atribuir a mudança observada exclusivamente ao Reiki.
  • O artigo apresenta inconsistências internas: os resultados globais referem 346 participantes, alguns benefícios usam um denominador de apenas 17 e os valores publicados para o teste t, graus de liberdade e valor de p não são estatisticamente coerentes entre si.
  • Por estas limitações, os resultados devem ser entendidos como evidência preliminar e geradora de hipóteses, a confirmar por ensaios controlados com relato estatístico completo.

Conclusão do artigo

Os autores concluem que a formação em Reiki esteve associada a uma redução do burnout nos profissionais que trabalhavam com crianças com perturbação do espectro do autismo. Os participantes também relataram relaxamento, maior conforto e, num subgrupo, alívio da dor.

Apesar destes sinais favoráveis, o desenho correlacional, a ausência de um grupo de controlo, a amostragem intencional e as inconsistências no relato dos resultados limitam a força da conclusão. O estudo apoia a realização de investigação mais rigorosa sobre Reiki como recurso complementar de autocuidado profissional, mas não demonstra, por si só, uma relação causal nem permite generalizar os resultados a todos os profissionais de saúde mental.

Ficha Técnica

Título: The effects of Reiki treatment on mental health professionals who are at risk of burnout
Autor: Shamaila Ijaz; Farwa Rafaq; Farah Shafiq
Ano: 2022
País: Paquistão
Revista/Publicação: International Journal of Advanced Multidisciplinary Research and Studies, volume 2, número 4, páginas 519–522
DOI: Não identificado no artigo nem na página da revista
Tipo de estudo: Estudo correlacional com avaliação pré e pós-formação, amostragem intencional e sem grupo de controlo
ID Base de Dados: UH-0755
Fonte: Academia.edu

SOBRE A BASE DE DADOS DE ESTUDOS SOBRE OS BENEFÍCIOS DE REIKI

Projeto de enfoque no apoio a estudos académicos e científicos em Universidades, por João Magalhães. Para mais informações ou apoio, enviar email para joao@joaomagalhaes.com. Saiba mais sobre a criação da maior base de dados de estudos sobre Reiki para apoio académico.

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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João Magalhães Reiki
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