Estudos sobre Reiki

Reiki, fadiga e qualidade de vida em mulheres com cancro da mama em quimioterapia

O estudo “Effect of Reiki Therapy on Quality of Life and Fatigue Levels of Breast Cancer Patients Receiving Chemotherapy”, de Seda Karaman e Mehtap Tan, investigou o efeito da terapia Reiki na qualidade de vida e nos níveis de fadiga de mulheres com cancro da mama a receber quimioterapia. Trata-se de um estudo quase-experimental, com desenho pré-teste/pós-teste e grupo de controlo, realizado numa unidade ambulatória de quimioterapia de um hospital universitário na Turquia. A amostra incluiu 70 participantes, distribuídas por um grupo experimental com Reiki e um grupo de controlo, ambos com 35 pessoas.

O grupo experimental recebeu seis sessões de Reiki ao longo de três ciclos de quimioterapia. A primeira sessão foi realizada durante a quimioterapia, seguindo-se três sessões nos dias seguintes, e depois mais duas sessões durante os ciclos posteriores. Cada sessão teve cerca de 42 minutos, com 14 posições de mãos aplicadas durante 3 minutos cada. Foram usados como instrumentos principais a Piper Fatigue Scale, para avaliar fadiga, e o EORTC QLQ-C30, para avaliar qualidade de vida em contexto oncológico.

Efeito da terapia Reiki na qualidade de vida e nos níveis de fadiga de doentes com cancro da mama submetidas a quimioterapia.

O estudo observou uma melhoria significativa da qualidade de vida no grupo que recebeu Reiki. As pontuações associadas ao bem-estar geral aumentaram progressivamente no grupo experimental, enquanto diminuíram no grupo de controlo. Ao mesmo tempo, os indicadores de sintomas e de dificuldades funcionais diminuíram no grupo Reiki, sugerindo uma melhor adaptação física e emocional ao tratamento.

Um dos resultados mais relevantes foi a redução da fadiga. No início do estudo, os dois grupos apresentavam níveis semelhantes de fadiga. No entanto, ao longo das medições, a fadiga diminuiu no grupo que recebeu Reiki e aumentou no grupo de controlo. A pontuação média de fadiga no grupo experimental passou de 6,72 para 3,42, enquanto no grupo de controlo subiu de 6,64 para 8,40, com diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nas medições posteriores.

Evidências destacadas

Este estudo é particularmente importante porque foi realizado numa população muito específica: mulheres com cancro da mama a receber quimioterapia adjuvante. Isto permite observar o Reiki num contexto clínico concreto, associado a sintomas frequentemente relatados durante o tratamento oncológico, como fadiga, perda de vitalidade, desconforto e diminuição da qualidade de vida.

Os resultados mostraram diferenças estatisticamente significativas entre o grupo experimental e o grupo de controlo após a intervenção, tanto nos domínios da qualidade de vida como nos níveis de fadiga. No grupo Reiki, houve uma melhoria gradual ao longo das três medições pós-intervenção. No grupo de controlo, verificou-se a tendência oposta: diminuição do bem-estar e aumento da fadiga.

Apesar destes resultados positivos, o estudo deve ser lido com prudência metodológica. Não foi um ensaio clínico randomizado, não incluiu grupo placebo ou Reiki simulado, e a intervenção foi aplicada por uma investigadora com formação em Reiki de segundo grau. Ainda assim, o desenho com grupo de controlo, a utilização de escalas validadas e a consistência dos resultados tornam este estudo relevante para a reflexão sobre o Reiki como intervenção complementar em enfermagem oncológica.

Reflexão final

A quimioterapia é, muitas vezes, um caminho exigente. Para além do tratamento médico necessário, muitas pessoas vivem cansaço profundo, alterações emocionais, medo, insegurança e perda de qualidade de vida. Este estudo mostra que o Reiki pode ser uma prática complementar simples, não invasiva e centrada no cuidado, capaz de ajudar a reduzir a fadiga e a promover maior bem-estar em mulheres com cancro da mama.

Mais do que substituir qualquer tratamento médico — algo que Reiki nunca deve pretender fazer — esta investigação reforça a possibilidade de integrar práticas complementares seguras no cuidado global da pessoa. Quando aplicado com ética, sensibilidade e enquadramento clínico adequado, o Reiki pode ajudar a criar um espaço de repouso, presença e equilíbrio interior.

À luz dos cinco princípios de Reiki, este tipo de cuidado recorda-nos que tratar não é apenas combater a doença. É também apoiar a pessoa no seu caminho, acolher o seu cansaço, respeitar a sua experiência e oferecer presença compassiva num momento de grande vulnerabilidade.

Ficha técnica

Título: Effect of Reiki Therapy on Quality of Life and Fatigue Levels of Breast Cancer Patients Receiving Chemotherapy
Autores: Seda Karaman; Mehtap Tan
Ano: 2021
Publicação: Cancer Nursing
Tipo de estudo: Estudo quase-experimental, pré-teste/pós-teste, com grupo de controlo
Amostra: 70 mulheres com cancro da mama em quimioterapia, 35 no grupo Reiki e 35 no grupo de controlo
Intervenção: 6 sessões de Reiki, com cerca de 42 minutos cada
Instrumentos: Piper Fatigue Scale; EORTC QLQ-C30
DOI: 10.1097/NCC.0000000000000970
ID interno: UH-0598

SOBRE A BASE DE DADOS DE ESTUDOS SOBRE OS BENEFÍCIOS DE REIKI

Projeto de enfoque no apoio a estudos académicos e científicos em Universidades, por João Magalhães. Para mais informações ou apoio, enviar email para joao@joaomagalhaes.com .
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Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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