Estudos sobre Reiki

Reiki como cuidado no sofrimento psíquico: uma revisão integrativa sobre saúde mental

Quando uma pessoa atravessa um momento de sofrimento psíquico, muitas vezes sente que tudo dentro de si perdeu ordem, espaço e respiração. O pensamento acelera, o corpo contrai, o sono pode alterar-se, a ansiedade ganha presença e, por vezes, até as pequenas tarefas parecem montanhas difíceis de subir. Nestes momentos, todo o cuidado deve ser sério, acompanhado e humano.

Reiki não substitui o acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico. Nunca. Mas pode ser uma prática complementar que ajuda a pessoa a reencontrar algum repouso interior, a escutar melhor o corpo e a sentir-se cuidada de uma forma simples, segura e não invasiva.

Foi precisamente esse olhar que encontramos no estudo “Reiki as nursing care to people in mental suffering: an integrative review”, publicado em 2021 na Revista Brasileira de Enfermagem. Esta revisão integrativa analisou evidências científicas sobre o uso de Reiki como estratégia de cuidado para pessoas em sofrimento psíquico, reunindo estudos encontrados nas bases PubMed, SciELO, Web of Science e BVS. A amostra final incluiu dez artigos.

O Reiki como cuidados de enfermagem a pessoas com sofrimento mental: uma revisão integrativa.

As autoras procuraram compreender que evidências científicas existiam sobre o Reiki enquanto cuidado de enfermagem e de saúde mental. Para isso, analisaram estudos publicados em português, inglês e espanhol, sem restrição de ano, excluindo literatura cinzenta, teses, dissertações, capítulos de livro e relatos sem aplicação direta em seres humanos.

Dos 336 artigos inicialmente identificados, apenas 10 cumpriram os critérios definidos para a revisão. Esses estudos foram publicados entre 2004 e 2017 e vieram sobretudo dos Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Brasil. A maior parte correspondia a ensaios clínicos ou estudos quase-experimentais, o que mostra que já existe uma tentativa de avaliar o Reiki com instrumentos científicos, ainda que a área continue a precisar de mais investigação e melhor padronização.

Principais benefícios identificados

A revisão encontrou benefícios associados ao Reiki em várias dimensões do sofrimento psíquico, especialmente:

  • redução do stress;
  • redução da ansiedade;
  • diminuição de sintomas depressivos;
  • alívio da dor;
  • melhoria da qualidade de vida;
  • relaxamento;
  • melhoria do bem-estar;
  • apoio em contextos de doença crónica, tratamento oncológico, VIH, pós-operatório e stress profissional.

É muito interessante observar que o Reiki foi aplicado tanto como prática isolada, como em associação com outras formas de apoio, por exemplo música ou presença de acompanhantes. Em oito dos dez estudos, o Reiki foi usado de forma isolada.

Há aqui algo que para mim é muito importante: o cuidado não é apenas técnica. O cuidado é presença.

Quando alguém recebe Reiki, recebe também um tempo de pausa, uma atenção silenciosa, uma escuta que não exige palavras. E, por vezes, quando a mente está demasiado cansada para explicar a sua dor, esta presença pode ser profundamente reparadora.

Evidências destacadas

Os estudos incluídos avaliaram populações adultas com diferentes formas de sofrimento: estudantes universitários com ansiedade ou depressão, enfermeiros com stress ocupacional, idosos com dor, ansiedade ou depressão, pessoas em quimioterapia, pessoas com VIH e mulheres em contexto cirúrgico.

Foram utilizados instrumentos científicos reconhecidos para avaliar ansiedade, depressão, stress, dor, qualidade do sono e bem-estar, como STAI, DASS, PSS, escalas visuais analógicas de dor e ansiedade, Geriatric Depression Scale e Hamilton Anxiety Rating Scale.

Os protocolos foram variados. Algumas sessões duraram 10 a 15 minutos; outras chegaram a uma hora e meia. O número médio foi de cerca de seis sessões, muitas vezes com intervalo semanal. Apenas um estudo analisou a autoaplicação de Reiki, realizada por enfermeiros durante 21 dias, com redução dos níveis de stress relacionados com o trabalho.

Esta diversidade é, ao mesmo tempo, uma riqueza e um desafio. Riqueza, porque mostra que Reiki pode ser integrado em vários contextos. Desafio, porque a investigação científica precisa de protocolos mais claros para compreender melhor os seus efeitos.

Conclusão do artigo

As autoras concluíram que Reiki pode contribuir para a melhoria dos padrões de cuidado, sobretudo porque humaniza a assistência e pode ser integrado por enfermeiros e outros profissionais de saúde devidamente formados. O estudo reconhece que as evidências ainda são escassas, mas também indica que os resultados existentes apontam para benefícios no stress, ansiedade, sintomas depressivos, dor física, relaxamento e qualidade de vida.

Para mim, esta revisão traz-nos uma mensagem muito simples: cuidar da saúde mental exige ciência, sim, mas também exige humanidade. O sofrimento psíquico não é apenas um diagnóstico. É uma pessoa. Uma história. Um corpo que sente. Uma mente que procura descanso. Uma vida que precisa de ser escutada.

O Mestre Usui indicava que a prática de Reiki era para a melhoria do corpo e da mente. E talvez seja aqui que este estudo se torna tão significativo: mostra-nos que Reiki pode ser uma ponte entre o cuidado técnico e a presença compassiva.

Não como promessa de cura. Mas como presença cuidadora.

Ficha técnica

Título: Reiki as nursing care to people in mental suffering: an integrative review
Autores: Cândida Maria Rodrigues dos Santos; Marília de Oliveira Crispim; Thassia Thame de Moura Silva; Rute Costa Régis de Souza; Cecília Maria Farias de Queiroz Frazão; Iracema da Silva Frazão
Ano: 2021
Publicação: Revista Brasileira de Enfermagem, 74(Suppl 3), e20200458
Tipo de estudo: Revisão integrativa
DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0458
ID interno: UH-0625

Sobre o Projeto Luso-Brasileiro

Este artigo integra o PROJETO LUSO-BRASILEIRO DE COOPERAÇÃO E APOIO À INVESTIGAÇÃO SOBRE OS BENEFÍCIOS DE REIKI, uma iniciativa dedicada à recolha, análise, organização e divulgação de estudos científicos sobre Reiki, aproximando investigadores, profissionais de saúde, praticantes e instituições.

O objetivo é simples e profundo: tornar a investigação mais acessível, apoiar novos estudos e contribuir para que Reiki seja compreendido com seriedade, humanidade e responsabilidade.

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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