Reiki, ansiedade e cortisol em pessoas com doença cardíaca: um ensaio clínico com resultados promissores
O estudo UH-1068 investigou o efeito do Reiki em pessoas com doença cardíaca, avaliando quatro dimensões principais: ritmo cardíaco, níveis de cortisol, ansiedade e parâmetros bioquímicos associados à função cardíaca. Trata-se de um ensaio randomizado, controlado por placebo e com desenho pré-teste/pós-teste, realizado numa consulta externa de cardiologia de um hospital de formação e investigação.
Os participantes foram distribuídos por três grupos: Reiki, Reiki simulado — placebo — e controlo sem intervenção. No total, foram analisados 65 participantes: 22 no grupo Reiki, 21 no grupo placebo e 22 no grupo controlo. O grupo Reiki recebeu uma sessão presencial de 30 minutos em nove pontos principais e, no segundo dia, uma sessão de Reiki à distância durante 30 minutos. Após uma semana, foram novamente avaliados a ansiedade, o cortisol, os parâmetros bioquímicos e o eletrocardiograma.
Os resultados indicaram que o Reiki esteve associado a uma redução significativa dos níveis de ansiedade e a valores de cortisol mais favoráveis em comparação com o grupo de controlo. No entanto, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nos resultados do eletrocardiograma, nem nos principais parâmetros bioquímicos avaliados.
O Reiki é eficaz na redução do ritmo cardíaco, dos níveis de cortisol e da ansiedade, e na melhoria de parâmetros bioquímicos em pessoas com doença cardíaca
O benefício mais claro observado foi a diminuição da ansiedade no grupo Reiki. A pontuação média no Inventário de Ansiedade de Beck passou de 14,45 para 10,04, uma redução estatisticamente significativa. Este resultado sugere que o Reiki pode contribuir para um estado de maior tranquilidade emocional em pessoas com doença cardíaca, especialmente quando a ansiedade acompanha o diagnóstico, a vigilância clínica e a experiência de sintomas cardíacos.
Outro benefício relevante foi a relação com os níveis de cortisol, uma hormona associada à resposta ao stress. Embora o grupo Reiki não tenha apresentado uma descida estatisticamente significativa dentro do próprio grupo, manteve níveis mais favoráveis quando comparado com o grupo de controlo, no qual o cortisol aumentou significativamente após uma semana. Este dado sugere que o Reiki poderá ajudar a modular ou prevenir o agravamento da resposta fisiológica ao stress em pessoas com doença cardíaca.
No plano cardíaco, o estudo não demonstrou diferenças estatisticamente significativas nos parâmetros de eletrocardiograma entre os grupos. Ainda assim, os autores observaram algumas melhorias clínicas descritivas no ritmo cardíaco de participantes do grupo Reiki, nomeadamente em casos de taquicardia sinusal e bradicardia sinusal. Estes achados devem ser interpretados com prudência, pois não constituem prova estatística de eficácia sobre o ritmo cardíaco.
Evidências destacadas
O grupo Reiki apresentou uma redução significativa da ansiedade, enquanto o grupo placebo e o grupo controlo não demonstraram o mesmo padrão favorável. No pós-teste, a pontuação média de ansiedade foi significativamente mais baixa no grupo Reiki do que nos outros grupos.
Em relação ao cortisol, o grupo de controlo apresentou níveis pós-teste significativamente mais elevados do que os grupos Reiki e placebo. O cortisol no grupo controlo aumentou de 11,00 para 13,15, enquanto no grupo Reiki passou de 9,69 para 9,11. Esta diferença sugere um possível efeito protetor do Reiki sobre a resposta ao stress, embora sejam necessários estudos maiores para confirmar este mecanismo.
Os parâmetros bioquímicos avaliados — sódio, potássio, cálcio e magnésio — não apresentaram alterações clinicamente relevantes atribuíveis ao Reiki. Os autores assinalam que estes valores podem ser influenciados por múltiplos fatores, como alimentação, hidratação, medicação e condição clínica de base.
O eletrocardiograma também não revelou diferenças estatisticamente significativas entre os grupos. Esta é uma conclusão importante: o estudo apoia sobretudo o potencial do Reiki na redução da ansiedade e na resposta ao stress, mas não permite afirmar que o Reiki modifique de forma consistente o ritmo cardíaco em pessoas com arritmias.
Conclusão do artigo
Este estudo sugere que o Reiki pode ser uma prática complementar útil para reduzir a ansiedade e apoiar a regulação da resposta ao stress em pessoas com doença cardíaca. A sua aplicação foi simples, não invasiva e integrada num contexto de cuidados de enfermagem, o que reforça o seu potencial como intervenção complementar em ambientes clínicos.
Contudo, os resultados devem ser lidos com equilíbrio. A amostra foi pequena, o estudo decorreu num único hospital e o acompanhamento foi curto, apenas de uma semana. Além disso, não se observaram efeitos estatisticamente significativos sobre o eletrocardiograma ou sobre os parâmetros bioquímicos cardíacos. Assim, o Reiki não deve ser entendido como substituto do tratamento médico, mas como uma prática complementar que pode ajudar a cuidar da dimensão emocional e fisiológica do stress em pessoas com doença cardíaca.
Ficha Técnica
Título: Is Reiki effective in reducing heart rhythm, cortisol levels, and anxiety and improving biochemical parameters in individuals with cardiac disease? Randomized placebo-controlled trial
Autor: Nilay Bektas Akpinar, Ulviye Ozcan Yüce, Gizem Cansız, Dilek Yurtsever, Cemaynur Özkanat, Nursemin Unal, Cengiz Sabanoglu, Özlem Altınbas Akkas e Sabire Yurtsever
Ano: 2024
País: Turquia
Revista/Publicação: European Journal of Cardiovascular Nursing, 23, 771–779
DOI: 10.1093/eurjcn/zvae051
Tipo de estudo: Ensaio randomizado, controlado por placebo, simples-cego, pré-teste/pós-teste
ID Base de Dados: UH-1068

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