Karuna

O que é Karuna enquanto uma terapia energética para a compaixão

Karuna significa Compaixão, é um antidoto para a crueldade e uma resposta ao sofrimento, o nosso e o dos outros. Faz parte daquilo que são chamados os Quatro Imensuráveis ou Quatro Nobres Virtudes (Brahmaviharas) – Metta (amor-bondade), Karuna (compaixão), Mudita (contentamento) e Upekkha (equanimidade). Nos anos oitenta, aproximou-se do ocidente como uma Terapia Energética para a compaixão, sendo um ramo da prática de Reiki.

Karuna – uma terapia energética para a compaixão

Criada nos anos 80 por Kathlenn Milner e William Rand, é composta por três níveis de prática que nos ajudam à consciência do cuidado emocional através da compaixão. Em cada nível, um conjunto de quatro símbolos ajuda-nos a trabalhar a nossa energia do sistema vivo e das nossas várias consciências.

Hoje em dia surgem vários tipos de escolas de Karuna e várias abordagens de ensino, umas mais energéticas, outras conotadas com filosofia de vida e experiências espirituais.

A prática em si é para o desenvolvimento pessoal, tratamento energético focado em questões como o medo, desapego, paz, compaixão e elevação da consciência.

Os símbolos de Karuna

Os símbolos de Karuna não são apenas formas desenhadas… são estados de consciência que vais reconhecendo em ti. E, talvez com o tempo, percebas que não és tu que os utilizas — és tu que te vais tornando disponível para aquilo que cada um deles revela.

No caminho do Karuna, cada símbolo traz uma frequência própria, uma forma de olhar, sentir e transformar. Como é indicado no manual, não se trata apenas de aprender o traço, mas de permitir que a vivência surja, que o símbolo se revele no momento certo .

Começando pelos símbolos do primeiro nível, há um convite claro ao reconhecimento. Zonar conduz-te ao tempo — não ao tempo cronológico, mas ao tempo interior. Aos padrões que se repetem, às memórias que permanecem, às emoções que parecem ter raízes profundas. Ao trabalhares com este símbolo, não estás a apagar o passado. Estás a dar-lhe espaço para ser visto com consciência. E, muitas vezes, isso é o suficiente para iniciar a transformação.

Halu aprofunda esse movimento. Leva-te ao encontro do que não queres ver, do que ficou escondido, das ilusões que construíste para te proteger. Nem sempre é um encontro fácil. Mas é um encontro necessário. Há uma compaixão muito própria neste símbolo — uma compaixão que não evita a verdade, mas que a sustenta.

Depois surge Harth, e algo muda. Há uma suavidade que entra no processo. O coração ganha espaço. A relação contigo e com os outros começa a ser vista de outra forma. Percebes que a compaixão não é apenas um conceito… é uma prática. E, por vezes, é nas situações mais difíceis que ela mais se manifesta.

Rama traz-te de volta ao corpo. À Terra. Ao presente. Depois de olhares para dentro, é necessário enraizar. Integrar. Sem isso, tudo fica apenas no plano da ideia. Rama lembra-te que a transformação precisa de base, de estabilidade, de presença.

No segundo nível, há uma expansão. Já não estás apenas a olhar para o que está dentro de ti — começas a compreender como te relacionas com o mundo.

Gnosa abre a mente, mas não de forma intelectual. Ajuda-te a integrar aquilo que vais aprendendo. A compreender com clareza, mas também com sensibilidade. É um símbolo que te convida a alinhar pensamento e sentimento.

Kriya traz ação. Depois da compreensão, surge o movimento. Mas não um movimento impulsivo — um movimento consciente. Há uma intenção que se torna prática, uma energia que se concretiza. E isso muda a forma como te posicionas na vida.

Iava trabalha algo muito subtil. As histórias que crias sobre ti. As crenças que te limitam sem te aperceberes. Ao aplicares este símbolo, começas a ver com mais clareza o que é real… e o que é apenas construção. E, nesse reconhecimento, nasce liberdade.

Shanti traz quietude. Num mundo onde tudo parece urgente, este símbolo recorda-te da importância da pausa. Da serenidade. Da capacidade de estar contigo sem pressa. Não retira os desafios da vida, mas ajuda-te a atravessá-los com mais equilíbrio.

No terceiro nível, o caminho torna-se mais interior.

Om liga-te ao todo. Não como conceito espiritual distante, mas como experiência. Há uma sensação de pertença, de ligação, de algo maior que te envolve e te sustenta.

Dumo trabalha a transformação interna. A energia move-se, reorganiza-se, limpa. É um processo profundo, que muitas vezes acontece em silêncio. Não é algo que controles — é algo que permites.

Nin-Giz-Zida está associado ao despertar. Ao alinhamento, à ascensão da energia, ao reconhecimento de um potencial mais amplo.

Daikomyo traz a luz da consciência. Não no sentido de “cura” como resultado final, mas como compreensão.

E Raku encerra. Liberta. Corta o que precisa de ser cortado. Ajuda-te a fechar ciclos, a integrar processos, a seguir em frente com mais leveza.

Ao longo deste percurso, talvez percebas algo que também fui percebendo com o tempo. No início, procurava fazer bem os símbolos. Desenhá-los corretamente. Aplicá-los no momento certo. Mas, com a prática, algo mudou. Comecei a sentir que os símbolos não eram algo exterior. Eram expressões de estados internos. E que, quanto mais me conhecia, mais naturalmente eles surgiam.

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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João Magalhães Reiki
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