Estudos sobre Reiki

Reiki como terapia mente-corpo na reabilitação emocional: o que propõe uma revisão abrangente de 2025

Este estudo (2025) é uma revisão abrangente que procura organizar o que a literatura científica tem mostrado sobre o Reiki — não apenas do ponto de vista clínico, mas sobretudo a partir de uma lente psicológica. A autora defende que, embora existam muitos trabalhos a reportar benefícios (sobretudo em sintomas como ansiedade, stress, dor e bem-estar), há uma lacuna recorrente: faltaria uma explicação psicológica coerente sobre como o Reiki funcionaria ao nível psico-emocional e de que modo isso se traduziria em mudanças fisiológicas. Com base numa pesquisa sistemática, a revisão identifica cerca de 120 publicações e propõe um enquadramento interpretativo (“paradigma explicativo-funcional”) em que o Reiki é compreendido como uma ferramenta de auto-regulação emocional, com impacto na resposta ao stress e na estabilidade mente-corpo.

A técnica de Reiki como terapia psicoemocional adaptativa e reguladora mente-corpo para reabilitação: uma revisão abrangente dentro do paradigma psicológico inovador do autor.

Principais benefícios

A revisão descreve benefícios reportados na literatura analisada, com foco em dimensões psicofisiológicas e de reabilitação mente-corpo:

  • Redução de stress e ansiedade, com aumento de tranquilidade e sensação de segurança interna.
  • Melhoria do bem-estar subjetivo (mais relaxamento, melhor humor, menor irritabilidade).
  • Apoio à reabilitação psico-emocional em contextos de crise e trauma (a autora contextualiza fortemente a relevância em cenários de guerra e stress prolongado).
  • Efeitos positivos em indicadores corporais frequentemente associados à resposta ao stress (como normalização percebida de parâmetros fisiológicos), apresentados como coerentes com um mecanismo de regulação emocional.
  • Potencial de integração interprofissional, sugerindo aplicabilidade em contextos educativos e de saúde como técnica complementar de reequilíbrio mente-corpo.

Evidências destacadas

  • A autora afirma ter usado uma estratégia de pesquisa sistemática e identificado 120 publicações em bases como Scopus, Web of Science e PubMed, para sintetizar resultados e tendências pós-2000.
  • Um ponto central do artigo é a conclusão de que existe “ausência” de explicações psicológicas diretas do mecanismo do Reiki na literatura, apesar da acumulação de resultados clínicos/observacionais positivos.
  • O texto propõe um mecanismo psicofisiológico assente em regulação emocional induzida (mudança de reatividade afetiva de estados negativos para positivos), com efeitos em processos corporais associados ao stress (por exemplo, normalização de respiração, pulso e diminuição de tensão).
  • A autora descreve o Reiki como intervenção “emocionalmente orientada” e aproxima a prática de uma forma de trabalho psicoterapêutico/auto-psicoterapêutico (pela reorganização de atenção, expectativas e estado emocional), apresentando isto como um contributo conceptual do artigo.
  • A revisão menciona estudos específicos para sustentar a importância da dimensão emocional (por exemplo, trabalhos em que se observaram aumentos de emoções positivas e diminuição de emoções negativas após Reiki, em comparação com grupos de controlo).

Nota de leitura crítica: a própria autora reconhece que esta é uma revisão “com metodologia menos rigorosa” e defende a necessidade de mais padronização, controlo e consistência nos estudos futuros. Ou seja, o valor principal do texto está tanto na síntese geral como na proposta de um enquadramento psicológico, mais do que numa conclusão definitiva sobre eficácia clínica.

Reflexão final

Há revisões que nos oferecem números; e há revisões que tentam oferecer sentido. Este artigo é, sobretudo, isso: uma tentativa de traduzir o Reiki para uma linguagem psicológica que dialogue com a ciência contemporânea sem reduzir a experiência humana a um único tipo de métrica.

No espírito do Reiki — simples, direto e profundamente humano — pode ser útil olhar para esta proposta como um convite: estudar não apenas se há benefício, mas como o benefício se organiza na pessoa. Porque, quando o corpo se sente seguro, a respiração muda; quando a mente abranda, o organismo reorganiza prioridades; e quando a emoção encontra espaço, o sistema inteiro ganha margem para recuperar.

A investigação futura, como a autora sublinha, precisa de maior rigor metodológico e consistência. Mas a pergunta que ela coloca é valiosa: qual é o mecanismo psicofisiológico plausível que liga uma intervenção de toque/atenção/estado interno a mudanças mensuráveis na saúde? É nessa ponte — entre subjetividade e fisiologia — que muitos estudos sobre Reiki ainda estão a aprender a caminhar.

Ficha técnica (UH-0948)

  • Título: Reiki Technique as a Rehabilitation Psycho-Emotional Adaptive-Regulating Mind-Body Therapy: a Comprehensive Review Within the Author’s Innovative Psychological Paradigm
  • Autora: Andreyanna Ivanchenko
  • Ano: 2025
  • Publicação: Psychology and Mental Health Care (Auctores)
  • Tipo: Revisão abrangente (com estratégia de pesquisa sistemática)
  • Link/DOI: https://doi.org/10.31579/2637-8892/333
  • ID interno: UH-0948

Sobre o PROJETO LUSO-BRASILEIRO DE COOPERAÇÃO E APOIO À INVESTIGAÇÃO SOBRE OS BENEFÍCIOS DE REIKI
Projeto de cooperação criado em Agosto de 2025 por João Magalhães, Prof.ª Dr.ª Amanda Margatho e Prof.ª Dr.ª Mariana Borges, com uma extensa base de dados de estudos sobre os benefícios de Reiki, para apoio à comunidade académica, com principal enfoque em Portugal e Brasil.

Uma reflexão mais aprofundada do estudo

Do ponto de vista metodológico, a autora descreve o trabalho como uma revisão abrangente com estratégia de pesquisa sistemática, centrada em publicações pós-2000 e em revistas com revisão por pares, recorrendo a bases como Scopus, Web of Science e PubMed. A intenção não é apenas reunir estudos; é mapear tendências, tipos de desenho (experimentais, teóricos e revisões) e, sobretudo, notar um padrão que ela considera repetido: muitos artigos discutem resultados clínicos e fisiológicos, mas quase nenhum se compromete com uma explicação psicológica direta sobre como a prática poderia operar no eixo mente-corpo. A revisão, por isso, posiciona-se como uma resposta a essa lacuna: além de sintetizar estudos, propõe um enquadramento (“paradigma explicativo-funcional”) que interpreta Reiki como uma forma de intervenção orientada à regulação emocional, com efeitos em cascata sobre o corpo.

É aqui que surgem as perspetivas que “evidenciam” Reiki, no sentido mais honesto da palavra: não como prova definitiva, mas como linhas de evidência convergentes. A autora insiste que, para compreender Reiki, não basta medir variáveis somáticas isoladas; é preciso olhar para a experiência humana como um sistema integrado, onde emoção, atenção, expectativa, sensação corporal e significado pessoal influenciam diretamente os estados fisiológicos. Nesta lógica, Reiki seria um método capaz de deslocar a pessoa de um estado de hiperativação (stress, medo, dor, ruminação) para um estado de maior segurança interna e relaxamento — e esse deslocamento, por si, já tem um correlato fisiológico conhecido: alterações na atividade autonómica, na respiração, na tensão muscular, na reatividade ao stress e na perceção de dor. O ponto não é “misticizar” o processo, mas reconhecê-lo como um fenómeno de regulação: quando a mente abranda e a emoção deixa de estar em modo de alarme, o corpo tende a reorganizar-se em direção a homeostase.

Um segundo eixo do texto é a tentativa de aproximar Reiki de intervenções já mais aceites, não por equivalência total, mas por analogia funcional. A autora compara parcialmente os efeitos relatados do Reiki aos de práticas como meditação, yoga e técnicas de relaxamento, e chega a colocar a acupuntura como um paralelo histórico: algo que durante muito tempo esteve fora do cânone e que ganhou espaço na medicina através de investigação, padronização e integração progressiva. Neste contexto, Reiki aparece como uma prática com “porta de entrada” plausível no mundo clínico: é simples, de baixo custo, geralmente bem aceite por doentes e profissionais, e frequentemente descrita como útil para sintomas transversais como ansiedade, stress, dor e fadiga — sintomas que, em reabilitação, são muitas vezes determinantes do prognóstico, mesmo quando o diagnóstico principal é outro.

Há ainda uma terceira perspetiva, mais delicada e ao mesmo tempo inevitável: a autora coloca o foco na dimensão psicológica da expectativa, da atenção e da projeção emocional. Em linguagem contemporânea, isto toca em temas como placebo/nocebo, significado, relação terapêutica, resposta de relaxamento e reestruturação de estados internos. O texto chega a sugerir Reiki como uma forma de “psicoterapia” no sentido amplo, não porque substitua uma intervenção psicológica estruturada, mas porque mobiliza processos mentais e emocionais que são terapeuticamente relevantes: foco no presente, indução de tranquilidade, reorientação para estados afetivos positivos, gratidão, sensação de apoio e esperança. Em reabilitação e saúde mental, estes elementos não são acessórios; muitas vezes são o terreno onde a recuperação acontece ou falha. É por isso que, para a autora, “evidenciar” Reiki também passa por estudar seriamente estes mediadores: o que muda na emoção durante e após uma sessão? O que muda na atenção? O que muda na perceção corporal? E de que modo esses fatores explicam uma parte do efeito observado?

Ao mesmo tempo, o próprio artigo é claro em reconhecer limitações: a autora descreve a revisão como tendo uma metodologia menos rigorosa do que o ideal e sublinha a necessidade de mais padronização, controlo e consistência nos estudos futuros. Isso é importante porque dá ao leitor um critério de honestidade científica: o texto não está a declarar um veredicto final, está a defender um programa de investigação. E esse programa, implicitamente, aponta para métodos que poderiam fortalecer a evidência: ensaios controlados com protocolos bem descritos, comparadores adequados (toque simulado, atenção estruturada, relaxamento guiado), avaliação de desfechos psicológicos e fisiológicos em conjunto, e análise de mecanismos (por exemplo, que parcela do efeito é mediada pela redução de ansiedade; que parcela se mantém quando se controla expectativa; que efeitos persistem ao longo do tempo). A autora valoriza também contextos aplicados — educação, enfermagem, ambientes hospitalares — porque são “ecologias reais” onde, muitas vezes, o impacto terapêutico de uma prática complementar se mostra de forma mais clara do que em ambientes artificiais.

No fundo, este estudo defende uma ideia simples, mas exigente: se Reiki tem valor clínico, ele não se explica apenas por uma variável biomédica isolada. Explica-se pela interação entre estado emocional, sistema nervoso, perceção de segurança, significado e corpo. E é precisamente por isso que, quando investigamos Reiki com seriedade, não basta perguntar “funciona?”; é preciso perguntar “para quem, em que condições, com que protocolos, através de que mecanismos, e com que indicadores de mudança?” Quando a ciência começa a formular as perguntas certas, a prática deixa de ser um debate de crenças e torna-se um campo de estudo — e é nessa direção que esta revisão tenta empurrar o olhar académico.

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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João Magalhães Reiki
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