Estudos sobre Reiki

A transmigração de Reiki – o que uma tese académica revela sobre a sua espiritualidade e a sua adaptação cultural

Há estudos que não medem “efeitos” do Reiki com escalas clínicas — medem, antes, a sua viagem cultural: como uma prática nasce num contexto, atravessa oceanos, e se transforma sem deixar de ser reconhecida como “Reiki”. É exatamente isso que Jojan L. Jonker faz nesta dissertação doutoral: reconstruir a espiritualidade do Reiki em três grandes eras — Japão, Havai/América do Norte, e Europa (com foco nos Países Baixos) — para compreender como e porquê o Reiki se adapta ao tempo e ao lugar.

Jonker identifica uma “lacuna” na literatura académica: apesar da popularidade do Reiki, havia pouca investigação no campo dos estudos da espiritualidade e do estudo da religião que explicasse a sua natureza espiritual e as razões da sua expansão global. Para preencher essa lacuna, propõe um modelo interpretativo de espiritualidade e aplica-o comparativamente às várias fases históricas do Reiki.

Reiki: A Transmigração de uma Prática Japonesa de Cura Espiritual

Principais benefícios identificados

Os contributos práticos e académicos que ajudam a compreender o Reiki com mais clareza — algo valioso para praticantes, professores e investigadores:

1) Um mapa para compreender o Reiki para lá das opiniões
A tese oferece uma estrutura para falar de Reiki com rigor: o que muda, o que permanece, e como a prática vai sendo “traduzida” para novos contextos culturais. Jonker descreve a ambição de comparar Reiki em diferentes épocas e países com um modelo analítico próprio.

2) Clareza sobre a “flexibilidade” do Reiki
O autor parte da pergunta central: como é que o Reiki continua a expandir-se, demonstrando “enorme flexibilidade adaptativa” na sua espiritualidade ao longo do tempo e do lugar? Isso ajuda-nos a perceber porque existem tantas formas/estilos de Reiki — sem reduzir tudo a “está certo/está errado”.

3) Uma leitura histórica que liga linhagem, contexto e linguagem espiritual
A tese contextualiza figuras-chave e momentos de viragem, mostrando como as narrativas, os hábitos e até as palavras mudam conforme o ambiente social. Por exemplo, reconstrói o período em que Hayashi visita o Havai (1937/38) e o papel de Takata na transmissão para o Ocidente.

4) Um retrato sociológico do Reiki como prática contemporânea
No caso neerlandês, Jonker observa dados e tendências de crescimento e profissionalização (organizações, registo de praticantes, presença pública), e nota que muitos profissionais combinam Reiki com outras abordagens (coaching, yoga, reflexologia, massagens, etc.).

5) Um contributo para o diálogo com a saúde convencional
Um ponto especialmente relevante: o autor descreve formas possíveis de integração do Reiki no sistema de saúde, incluindo a figura do cuidador espiritual (geestelijk verzorger), introduzida na saúde neerlandesa por volta de 2005, que pode — entre outras intervenções — prestar Reiki.

Evidências destacadas

A lacuna académica e a pergunta que “fica no ar”
Jojan Jonker é explícito: existia um “gap” no conhecimento académico sobre a espiritualidade do Reiki — o que é, como nasceu num contexto xintoísta-budista no Japão do início do séc. XX, como se transformou em algo com tonalidade “New Age” no Ocidente, e como se tornou uma espiritualidade holística em contexto neerlandês no séc. XXI.

O modelo de espiritualidade como ferramenta de comparação
Para comparar eras e países, o autor introduz um modelo interpretativo e coloca a investigação no campo dos spirituality studies e do study of religion, tratando o desenvolvimento do Reiki no Japão, na América do Norte (incluindo Havai) e na Europa.

Na fundamentação do modelo, Jonker recorre, entre outros, a uma proposta com cinco componentes (como “fundamental inspiration”, “self”, “culture and Zeitgeist”, “spiritual exercises” e “fundamental attitude”), defendendo que mudanças num componente influenciam toda a configuração espiritual.

A tese como “viagem” em cinco partes sobre a transmigração
O próprio texto descreve a arquitetura do trabalho: um enquadramento inicial (objetivos, questões, métodos, modelo), seguido das três eras (Japão; Havai/América do Norte; globalização/Europa) e, por fim, conclusões e reflexões.

Integração na saúde: quatro cenários
Ao falar do encontro entre Reiki (como CAM) e saúde convencional, Jonker enumera quatro vias possíveis:

  1. formar enfermeiros/profissionais para aplicarem Reiki;
  2. formar doentes (mais complexo em organização hospitalar);
  3. levar praticantes a visitar pacientes nos hospitais;
  4. incluir Reiki no âmbito do cuidador espiritual.

“Espiritualidade” como algo vivido — e por vezes pouco nomeado
O autor afirma que, embora praticantes e mestres se considerem “espirituais”, muitas vezes surge uma “colcha de retalhos” espiritual (spiritual patchwork) e conceitos como “cura” e “espiritualidade” ficam implícitos — e a tese procura ajudar a dar-lhes linguagem e contorno, contribuindo para uma maturação do campo.

Dados e tendências nos Países Baixos
Em termos quantitativos, Jonker regista crescimento e mudanças organizacionais (incluindo uma referência a um crescimento global de cerca de 31% num conjunto de números apresentados). Também descreve estimativas sobre o número de estudantes formados ao longo de anos e a existência de muitos praticantes sem presença online (o que dificulta medições precisas).

Reflexão final

Há algo profundamente útil — e até terapêutico — em ver o Reiki como uma tradição viva, em diálogo com o mundo. Esta dissertação não tenta “provar” o Reiki; tenta compreendê-lo: como linguagem, como prática, como espiritualidade, como fenómeno social. E isso, para quem ensina ou pratica, tem um efeito subtil mas real: devolve discernimento.

Porque quando percebemos o que mudou (a linguagem, as formas de legitimação, as adaptações culturais) e o que permaneceu (a centralidade da prática, a experiência subjetiva do cuidado, a dimensão de significado), ganhamos maturidade — e a maturidade, no Reiki, quase sempre se traduz em algo simples: mais humildade, mais clareza, mais presença.

Ficha técnica

  • Título: Reiki. The Transmigration of a Japanese Spiritual Healing Practice
  • Autores: Jojan L. Jonker (Johannis Leendert Jonker)
  • Ano: 2016
  • Publicação: Dissertação (Radboud Universiteit Nijmegen)
  • Tipo: Tese de Doutoramento / Dissertation
  • Link de acesso: hdl.handle.net/2066/150150
  • ID interno: UH-0336

Sobre o PROJETO LUSO-BRASILEIRO DE COOPERAÇÃO E APOIO À INVESTIGAÇÃO SOBRE OS BENEFÍCIOS DE REIKI

Projeto de cooperação criado em Agosto de 2025 por João Magalhães, Prof.ª Dr.ª Amanda Margatho e Prof.ª Dr.ª Mariana Borges, com uma extensa base de dados de estudos sobre os benefícios de Reiki, para apoio à comunidade académica, com principal enfoque em Portugal e Brasil.

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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