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Hawayo Takata, a Mestre que criou pontes

A 24 de dezembro de 1900 nascia Hawayo Takata, que trouxe para o ocidente a solidificação das raízes da prática de Reiki, adaptada à nossa cultura e a uma américa do pós-guerra.

Hawayo Takata é a razão pela qual hoje, no Ocidente, sabemos o que é Reiki. Foi ela quem trouxe o ensinamento de Hayashi e Usui para fora do Japão, mantendo-o vivo numa época em que nada fazia prever que esta tradição viesse a atravessar oceanos. Cuidou, ensinou e formou durante mais de quarenta anos, mas fez tudo isto à sua maneira: profundamente prática, oral, intuitiva — e sem deixar manuais escritos. Por isso, grande parte do que sabemos chega-nos através dos seus alunos e dos seus vinte e dois Mestres.

A sua formação com Hayashi foi intensa. Passou um ano no seu estúdio, em Tóquio, entre tratamentos, aprendizagem diária e práticas que começavam sempre pelo corpo, mas iam muito além do físico. Tratava-se de um método completo, que integrava técnica e visão espiritual. Hayashi chegou a partilhar com Takata ensinamentos mais profundos, alcançando Shinpiden e aprendendo o Reiji-ho, confiando-lhe o nível mais elevado do seu sistema. A sua formação finalizou-se no Havai, na viagem que o Mestre Hayashi fez.

Quando regressou ao Havai, Takata dedicou-se a praticar e, mais tarde, a ensinar. Criou o que chamava de “tratamento de base”, uma sequência simples e eficaz sobre o abdómen e a cabeça, a partir da qual ajustava o restante conforme a causa do problema — porque para ela, tratar apenas o sintoma era insuficiente. O corpo fala, e as mãos sabem ouvir: Takata usava a sensibilidade energética e a intuição para encontrar a raiz da condição. Muitas das suas histórias mostram esta abordagem: da jovem que recuperou a visão após 28 dias de tratamentos, ao homem que tinha dores de cabeça cuja origem estava afinal na vesícula.

Insistia em tratamentos completos, diários quando possível, e considerava as reações de cura como parte natural da purificação do corpo. Ensinava também que, para que a cura fosse verdadeira, era preciso “dar o melhor tratamento possível e entregar a Deus o resultado”.

As suas aulas eram intensas, vivas e marcadas pelo rigor. Não permitia notas nem gravações: queria que o conhecimento fosse sentido, integrado e memorizado. Contava histórias, repetia ideias importantes e demonstrava cada posição com precisão quase cirúrgica. Ao ensinar os símbolos, fazia os alunos praticá-los até os fixarem — e queimava as folhas no fim. Para ela, eram sagrados.

Takata valorizava muito o autocuidado: “Tu és o número um”, dizia. Só depois vem a família, os amigos, o mundo. E, ao longo da vida, treinou Mestres de forma muito diferente entre si — alguns durante anos, outros em poucos dias — mas sempre com a mesma orientação fundamental: manter o ensino simples, direto e fiel à essência.

Partiu em 1980, deixando um legado que nenhum de nós consegue medir. Sem livros escritos por ela, o que nos chega é a memória viva dos que aprenderam diretamente com as suas mãos e com a sua presença. E, graças a essa corrente humana, o Reiki espalhou-se pelo mundo e continua a tocar vidas até hoje.

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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João Magalhães Reiki
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