Burnout e stress são os principais desafios da saúde mental na europa
A crescente pressão da vida moderna, exacerbada por incertezas económicas e falhas sistémicas no apoio à saúde, está a levar os europeus a um ponto de rutura emocional. O burnout, juntamente com o stress, deixou de ser um tabu e é agora uma realidade esmagadora no continente.
O inquérito STADA Health Report 2025 capta esta crise, revelando que a maioria dos europeus está a lutar para manter o seu equilíbrio emocional, e que a saúde mental, apesar da sua importância, não é tratada com a mesma paridade que a saúde física.
O Aumento Exponencial do Burnout na Europa
O burnout é agora um fenómeno familiar para a maioria dos europeus. Globalmente, 66% dos europeus afirmam ter experimentado burnout, sentido-se à beira dele, ou pelo menos relatado sentimentos associados. Este valor representa um aumento considerável em relação ao máximo anterior de 60% registado em 2024.
Este esgotamento emocional não afeta todos os grupos de forma igual, revelando profundas divisões demográficas:
- Impacto Geracional: O burnout é especialmente comum entre os mais jovens. 75% dos europeus com menos de 34 anos relatam sentimentos de burnout, em comparação com 71% dos de 35 a 54 anos e apenas 53% dos com 55 anos ou mais.
- Divisão de Género: As mulheres (71%) são consideravelmente mais propensas a experimentar sentimentos de burnout do que os homens (60%).
A principal causa subjacente a este fardo mental reside nas pressões externas. As preocupações financeiras (26%) e o stress relacionado com o trabalho são os fatores mais proeminentes que causam tensão emocional na Europa. O impacto destas preocupações financeiras é claro: 72% das pessoas que enfrentam dificuldades económicas relatam familiaridade com sentimentos de burnout, em comparação com 62% das pessoas com menos preocupações monetárias.
Consequências do Stress e do Esgotamento
O stress crónico não só prejudica a saúde mental (36% dos europeus lutam com o seu bem-estar emocional), como também tem repercussões diretas no ambiente de trabalho e na saúde física:
- Faltas por Stress: 13% dos europeus faltaram ao trabalho no último ano devido ao stress. Entre aqueles que já têm má saúde mental, este número sobe para mais do dobro, atingindo 29%. Este aumento nas baixas por stress entre os jovens (um em cada cinco de 18 a 34 anos faltou ao trabalho) pode sinalizar uma geração menos disposta a “persistir” a todo o custo.
- Risco para a Saúde Física: O stress e a má saúde mental podem levar a alterações biológicas mensuráveis, o que, por sua vez, aumenta o risco de problemas de saúde física.
- Barreira ao Estilo de Vida Saudável: A saúde mental é a base da capacidade de uma pessoa para funcionar e navegar pelos desafios da vida. Aqueles que lutam com a sua saúde mental têm dificuldade em manter hábitos saudáveis: apenas 19% dos europeus com má saúde mental relatam levar um estilo de vida saudável, em comparação com 62% daqueles com boa saúde mental.
Apesar destas pressões, a maioria dos europeus evita procurar apoio profissional, com apenas 17% ativamente engajados em rotinas profissionais ou de autoajuda. Entre os motivos citados está o custo, sendo que 22% referem não o poder pagar.
O Contexto Português: Pressão Financeira e Iniquidade
Portugal reflete de forma amplificada as pressões financeiras e sistémicas que alimentam o burnout na Europa:
- Fardo Financeiro: A falta de rendimento, que é um catalisador principal do burnout em toda a Europa, é uma barreira especialmente sentida em Portugal. O aspeto financeiro de uma vida saudável é “demasiado pesado” para 39% das pessoas em Portugal. Este valor coloca o país como o segundo mais afetado por custos limitantes. A luta financeira torna-se uma barreira para levar uma vida saudável, o que, por sua vez, compromete a resiliência mental.
- Desigualdade Sistémica: A perceção de iniquidade no tratamento da saúde mental é extremamente elevada em Portugal. 70% dos portugueses pensam que a saúde mental e a saúde física não são tratadas igualmente no sistema de saúde. Esta falta de paridade é alarmante, pois a perceção de justiça de um sistema de saúde é significativamente maior nos países onde a saúde mental e física são tratadas igualmente (72%) em comparação com aqueles onde falta essa paridade (43%).
Em suma, embora os portugueses demonstrem uma forte convicção teórica em relação a hábitos saudáveis, as barreiras financeiras e a perceção de que a saúde mental não é uma prioridade sistémica contribuem para um ambiente que perpetua o stress e o risco de burnout, frustrando a sua capacidade de alcançar o bem-estar desejado.
Este relatório pode ser lido em Stada.com


