Ler à Sexta

Ler à Sexta – Como ser um adulto nas relações

O que aconteceria se definíssemos amor como um estado de presença?

Esta é a proposta de Como ser um adulto nas relações, do psicoterapeuta David Richo, através dos seus cinco A do amor.

Bem-vindo, a mais um Ler à Sexta….

Como ser um adulto nas relações, de David Richo

NÃO É POSSÍVEL CONVENCERMOS alguém a amar-nos. Podemos apenas abrir-nos ao amor quando acontece naturalmente. O nosso melhor caminho para tal abertura é ser o mais amável possível e deixar de nos preocuparmos se os outros respondem da mesma forma. Amamos porque amamos, não para persuadir alguém a retribuir esse amor. Paradoxalmente, um amor sem expetativas é o que mais provavelmente despertará nos outros amor por nós. Seja como for, quando a intimidade é real, o nosso parceiro não precisa de ser convencido a amar-nos. Também não está a sacrificar-se submetendo-se a nós, suportando o relacionamento. Revela naturalmente o estilo de intimidade que se enquadra num relacionamento bem-sucedido. Ambos revelamos. Qual é o estilo? É uma interação contínua dos cinco «A» do amor.

Então, quais estes cinco A do amor que nos ajudam a saber construir um compromisso em plena atenção?

Atenção ao momento presente;
Aceitação de nós próprios e dos outros;
Apreço por todas as nossas dádivas;
Afeto demonstrado através da confiança e contacto respeitoso;
Autorização para que a vida e o amor sejam tal como são.

Ao longo do livro, várias pistas de reflexão vão sendo dadas para a criação do estado de atenção plena numa relação e uma que me chamou a atenção foi a de “Perceber claramente”.

PERCEBER CLARAMENTE | Provavelmente, as únicas questoes que tratamos com naturalidade, sem melodrama ou forte reação, são aquelas sem ligação com o nosso passado. Admita para si próprio que existe um elemento na maioria das questões problemáticas que remonta ao seu passado. Enumere no seu diário algumas formas através das quais poderá estar a manter o passado vivo para sabotar o presente. Emily Dickinson escreveu: «As Formas que enterramos habitam, / Familiares, nos quartos (…)» Quando reagimos de forma brusca ao comportamento ou às palavras de alguém, poderemos estar a agir apropriadamente ou a exagerar. Quando tal acontece, é útil perceber, isto é, perguntar a nós próprios: «É a minha sombra? O meu ego? Questões da infância?»

Sombra: A sombra é a parte de nós que renegamos, reprimimos e negamos ao mesmo tempo que a projetamos nos outros. Pode ser a nossa sombra a falar quando percebemos que o outro está a fazer algo que faríamos, mas que não conseguimos admitir que faríamos. Desprezamos ver no outro o que é inconsciente em nos. A nossa tarefa é travar amizade com a nossa sombra, reconhecendo as nossas próprias projeções e reivindicando-as como nossas.

Ego: Conforme já vimos, o ego é neurótico e inapropriado quando é movido pelo medo de não ser aceite ou pela arrogância, retaliação ou prerrogativa. Temos o ego ferido quando dizemos «como te atreves a fazer isto comigo?» ou «hás de pagar por isto.» ou ainda «sabes com quem estás a falar?».

Questões da infância: Poderemos estar a reagir a assuntos inacabados, se dermos por nós a pensar: Estás a repetir o que me fizeram na infância. Vejo-te a recriar um concerto do passado muito pesado para mim. Reajo no presente a um estímulo do passado. «Parece um memória», observou Keats, referindo-se à facilidade de escrever certos versos de poesia. Quando sentimos isto?

As transações que parecem ocorrer no aqui e agora são geralmente regressos ao passado destas três formas. Pense numa experiência recente com alguém a quem, por o ter perturbado, reagiu intensamente. Perceba, conforme descrito nesta prática, e depois admita a quem o perturbou o que descobriu sobre a sua verdadeira motivação.

Pergunte a si próprio: Perturba-me porque estou a projetar a minha sombra nele e a ver, também nele, o pior de mim? Reajo assim porque o meu ego se sente indignado? Terei estes sentimentos porque algo da minha infância está a ser ressuscitado? Esta mesma técnica é útil para explorar qualquer uma das nossas atitudes, crenças, reações, preconceitos ou causas de aborrecimento. Comprometa-se com a técnica para descobrir os três suspeitos internos e trazê-los a céu aberto. De vez em quando, ficamos chateados e não é a sombra, o ego ou as questões da infância. Chateado por vezes significa entris-tecido. Ficamos tristes porque algo não correu como queríamos ou algo ou alguém nos magoou ou dececionou. A tristeza é uma reação que frequentemente deixamos de reconhecer, admitir ou sentir. Preferimos recorrer à ira para encobri-la.

Por exemplo, podemos ficar chateados porque o nosso parceiro não fala sobre os seus sentimentos relativamente a nós e, por isso, estamos sempre a adivinhar as suas reações. Poderemos reagir zangados quando a nossa reação de fundo é a tristeza causada por ele não ser sincero e aberto connosco. O sentimento mais frequentemente disfarçado nos relacionamentos é a tristeza, por isso é útil observar primeiro as nossas reações mais genuínas aos estímulos dolorosos. Troque mágoas com o seu parceiro. Revezem-se completando a seguinte frase: «Fico triste quando tu __» Pode acrescentar: «E estou a esconder a minha tristeza sempre que eu »

O que este livro me trouxe

Considero que as relações têm uma simplicidade que se tornam incrivelmente exigente. Na verdade só precisamos de uma coisa, só procuramos uma coisa, mas cada um dá-lhe vários nomes e atribui-lhe várias formas. Procuramos no outro o que devíamos encontrar em nós. Temos uma relação onde passa o tempo mas nem por vezes observamos as mudanças.

Este é um livro que nos ajuda a construir um dicionário de atenção plena um indicador de pilares para uma relação, o desafio está em nós nos permitirmos a viver também a nossa melhor relação – connosco.

Lê um excerto do livro aqui…
Podes ler mais sobre o livro no site da Penguin

Como ser um adulto nas relações – David Richo

Conhece David Richo

David Richo é psicoterapeuta, professor, escritor e promotor de workshops. O seu trabalho centra-se nos benefícios do mindfulness e da bondade para o crescimento pessoal e o bem-estar emocional. É autor de diversos livros, entre os quais se destacam As Cinco Coisas que Não Podemos Mudar (Marcador, 2014), Triggers (2019) e Ready (2022). Os seus livros e workshops direcionam-se para práticas espirituais budistas e cristãs.

David Richo.
Fonte: Davericho.com

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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João Magalhães Reiki
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