Ler à Sexta – A Prática da Imortalidade, de Ishan Shivanand
“O espírito não nasce nem morre em determinado momento. A sua existência não tem um início nem um fim. Não nasce, é eterno, permanente e primordial. O espírito não se destrói quando o corpo é destruído”. – Baghavad Gita, capítulo 2, verso 20
Confinamo-nos aos limites da nossa mente e por vezes precisamos ser sacudidos para despertarmos. Bem-vindos a mais um Ler à Sexta, com a Prática da Imortalidade, de Ishan Shivanand.
A Prática da Imortalidade, de Ishan Shivanand
Através da sua história de vida, Ishan Shivanand fala sobre o homem e a humanidade, o seu caminho, o seu interior…
O sofrimento ocorre quando não nos conhecemos a nós mesmos. Quando não nos conhecemos, criamos um falso ego, e desse falso ego resultam dor e sofrimento, e depois medo. Se pretendemos conhecer-nos, temos de percorrer todas as emoções que existem por resolver no nosso interior e temos de aprender a deixá-las partir. O prati prasav conduz-nos por este processo até alcançarmos o conhecimento do eu — vidya. Prati prasav é uma expressão sânscrita que significa «nascimento invertido» ou «voltar à fonte». Trata-se de um conjunto de técnicas yóguicas que restabelecem a nossa ligação com a fonte original das nossas emoções ou experiências para que as possamos experienciar plenamente e deixá-las partir. Assim, podemos libertar bloqueios emocionais, traumas e padrões negativos armazenados tanto no corpo como na mente. Os elementos individuais do prati prasav estão à disposição de todos nós. Incluem:
Pranayama: técnicas de respiração, utilizadas para apaziguar a mente e o corpo.
Meditação: concentrar a mente num único elemento, como a respiração, um mantra ou uma imagem, de modo a cultivar a paz interior e a lucidez.
Asanas de yoga: movimentos e fluxos para libertar emoções e bloqueios no corpo, bem como estimular o fluxo energético.
Também através das histórias ancestrais do panteão hindu, ilustra-nos o caminho para a excelência, para o yoga.
Arjuna, um príncipe que viveu anos exilado, é motivado por um desejo de justiça contra aqueles que fizeram mal à sua família. Ao longo de todos aqueles anos de exílio, treinou para, quando tivesse oportunidade, derrotar os seus inimigos e finalmente fazer justiça por si e pela sua família. Por fim, no campo de batalha de Kurukshetra, os exércitos enfrentam-se, e Arjuna encontra-se na presença de parentes seus, pois quem lhe fizera mal fazia parte da sua família. Cavalgando no seu carro, Arjuna é acometido por dúvidas e inquietude. A sua determinação fraqueja; os joelhos cedem. Treme de ansiedade e deixa cair o arco. Quis o destino que o próprio Vishnu fosse o cocheiro de Arjuna. A par de Shiva e Brama, Vishnu é um dos três grandes deuses. Neste caso, surge sob a forma da encarnação de Krishna. Naquele momento de crise, Arjuna confessa a Vishnu enquanto Krishna: «Não estou preparado para isto! Não consigo erguer uma seta contra os meus próprios mestres, os meus tios, os meus pri-mos. Qual é o sentido de toda esta destruição?» Arjuna está dividido: parte dele sabe que o conflito é justif-cado, mas outra parte deseja apenas fugir dali e evitar o sofrimento que se aproxima. Assim começa o ensinamento de Krishna no Bhagavad Gita, destinado a esclarecer Arjuna, para que se aperceba da natureza transitória da sua vida. Krishna explica a Arjuna que, quando compreender a natureza temporária do corpo, poderá aprender a estabelecer uma ligação com a alma eterna, o ser eterno: o quarto shivling. Só então será capaz de cumprir o seu dever (dharma) sem apegos, em vez agir por desejos egoístas (karma).
A prática da imortalidade é um livro que cruza a vida, a cultura e espiritualidade indiana, com a nossa cultura ocidental, ilustrando a união com a espiritualidade e transcendência.
Na minha cultura, acreditamos que existem formas mais eficazes de comunicar do que através de palavras. Segundo os Vedas, existem quatro níveis de comunicação: vaikhari, pashyanti, madhyama e paravani. Vaikhari é o discurso comum, do tipo que utilizamos todos os dias. Pashyanti e madhyama são formas de comunicação não-verbal: o nosso diálogo interior e reações sensoriais. Mas além destas três formas existe o paravani: a vibração interior, a voz divina. Paravani é a palavra que não pode ser comu-nicada; só pode ser recebida. Dizem que, se uma pessoa estiver no caminho espiritual e se confinar ao vaikhari, ou ao pashyanti, ou ao madhyama, nunca aprenderá verdadeiramente. A arte a dominar é a do paravani.
Esta é uma verdade comummente aceite. Se for à filosofia ou à teologia, vai encontrá-la. A Bíblia diz que no início era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. E como falar de vibração porque — o que é uma palavra? O que é um som?
O som é uma vibração. Analogamente, dizem que as escrituras antigas indianas, os Vedas, não foram escritas; foram ouvidas.
As pessoas conseguiram estabelecer uma ligação com o seu eu imortal, com os seus átomos, com as suas vibrações, e nessas vibrações ouviram a sabedoria do universo.
O que este livro me trouxe
Foi um regressar à juventude, às práticas de Yoga, foi também um regresso à India e ao escutar o interior e as coisas simples que nos ensinam tanto. Algo que apreciei bastante foi a progressiva prática de Samadhi ao longo de cada capítulo que ia sempre acrescentando cada vez mais profundidade.
Para se gostar deste livro, tem que se gostar de ler o relato de vida, as experiências reais ou imaginárias e daí, conseguir tirar a melhor sabedoria possível.
SAMADHI – PRÁTICA DE MEDITAÇÃO
Visualize o chakra da coroa, no topo da sua cabeça, como um lótus de mil pétalas. Agora imagine esse lótus como o assento do ser supremo. Nesse assento, invoque, aceite e visualize o ser supremo.
Enquanto inspira com o mantra ohm, sinta a luz de Deus a fluir do topo da cabeça até à base da coluna. Enquanto expira com o mantra ohm, direcione a sua consciência da base da coluna até ao deus no topo da cabeça.
Medite sobre a ideia de que, a cada inspiração, recebe a luz divina do seu deus e, a cada expiração, aumenta a sua consciência e se entrega ao ser supremo.
Lê um excerto do livro aqui…
Lê mais sobre o autor e o livro no site da Penguin…
Conhece Ishan Shivanand
Ishan Shivanand é um monge, investigador de renome na área da saúde mental, professor especializado em modalidades meditativas não invasivas e fundador do Yoga of Immortals – um programa de yoga e meditação que combina práticas tradicionais com conhecimentos modernos da neurociência e da psicologia.
Nasceu na Índia e obteve a sua formação primordial em mosteiros dos Himalaias.
O seu trabalho conta com o reconhecimento de governos, instituições, empresas e universidades de topo. Shivanand idealiza um futuro onde os sistemas de conhecimento ancestral indianos se harmonizam com a medicina moderna. A sua abordagem, sustentada na investigação, procura oferecer bem-estar holístico e curas duradouras ao unir ciência e espiritualidade.



