Ler à Sexta – Respira, de James Nestor
“Mas porque preciso respirar? Tenho respirado a vida toda.” É a partir desta pergunta que James Nestor desenvolve o seu livro Respira, através das pesquisas que foram realizadas nas últimas décadas, mas também recorrendo a sabedorias ancestrais. Respira é um livro que poderá ajudar a mudar a forma como observas a importância da respiração e, quem sabe, ajudar-te a mudar algo de substancial em ti. Bem-vindo a mais um Ler à Sexta…
Respira, de James Nestor
Um dos tipos de respiração que considero mais importantes é exatamente a respiração coerente resultante de uma investigação realizada por Patricia Gerbarg e Richard Brown.
Em 2001, os investigadores da Universidade de Pavia, em Itália, reuniram duas dúzias de indivíduos, cobriram-nos de sensores que mediam o fluxo sanguíneo, os batimentos cardíacos, os sinais do sistema nervoso, e depois pediram-lhes que recitassem um mantra budista, bem como a versão latina do rosário e um ciclo de ave-maria, que é metade recitada por um padre e metade recitada pela congregação. Os cientistas ficaram estupefactos ao constatar que o número médio de respirações a cada ciclo era «quase exatamente» o mesmo, apenas um pouco mais acelerado do que o ritmo das orações hindus, taoistas e nativo-americanas: 5,5 respirações por minuto.
Ainda mais surpreendente, porém, foi o que este tipo de respiração fez aos indivíduos. Sempre que seguiam este padrão de respiração lenta, o fluxo sanguíneo no seu cérebro aumentava e os sistemas do corpo entravam num estado de coerência, com o funcionamento do coração, da circulação e do sistema nervoso coordenados para alcançarem a máxima eficiência. Assim que os participantes regressavam à respiração espontânea ou voltavam a falar, os seus corações batiam de forma um pouco mais errática e a integração destes sistemas acabava por se desfazer lentamente.
Com mais algumas respirações entas e descontraídas, ela era retomada. Uma década depois dos testes de Pavia, dois conceituados professores e médicos de Nova Iorque, Patricia Gerbarg e Richard Brown, usaram o mesmo padrão respiratório com pessoas que sofriam de ansiedade e depressão, mas sem as ora-ções. Alguns destes pacientes tinham dificuldade em respirar devagar, pelo que Gerbarg e Brown lhes recomendaram que começassem com um ritmo mais fácil de inspirações de três segundos, com expirações que tivessem, pelo menos, a mesma duração.
À medida que os pacientes iam ficando mais à vontade, começavam a inspirar e expirar mais lentamente. Veio a revelar-se que o ritmo respiratório mais eficiente se dava quando tanto a duração das respirações como o número total de respirações por minuto adotava uma simetria desconcertante: inspirações de 5,5 segundos, seguidas de expirações de 5,5 segundos, perfazendo, exatamente, 5,5 respirações por minuto. Este era o mesmo padrão do rosário.
Os resultados desta respiração foram profundos, mesmo quando apenas praticada durante cinco a dez minutos por dia. “Já vi pacientes transformados pela prática regular de exercicios de respiração», disse Brown. Ele e Gerbarg até usaram esta técnica de respiração lenta para recuperar os pulmões de sobreviventes dos ataques do 11 de Setembro, que sofriam de uma tosse crónica e dolorosa causada pela inalação de detritos, um problema de saúde terrível a que se dá o nome de «pulmões de vidro estilhaçado». Não havia cura para essa doença, mas, ao fim de apenas dois meses, os pacientes obtiveram melhorias significativas simplesmente ao aprenderem a praticar algumas rondas de respiração lenta por dia.
O autor dá várias perspetivas, desde a respiração de Wim Hof, à ancestralidade Indiana. Tocou-me também uma sua passagem do texto de Sung-Shan:
Já no século 1 a. C., os habitantes do território que corresponde à atual Índia descreviam um sistema de apneia cons-ciente, que, segundo eles, restituía a saúde e garantia uma vida longa. O Bhagavad Gita, um texto espiritual hindu escrito há cerca de 2000 anos, traduziu a prática respiratória pranayama como «transe induzido ao cessar toda a respiração». Alguns séculos depois disso, académicos chineses escreveram vários volumes descrevendo em pormenor a arte de conter a respira-ção. Um texto intitulado Um Livro sobre a Respiração pelo Mestre do Grande Nada de Sung-Shan oferecia o seguinte conselho:
“Todos os dias, deita-te, pacifica a mente, interrompe os pensamentos e bloqueia a respiração. Fecha os punhos, inspira pelo nariz e expira pela boca. Não deixes que a respiração se torne audível. Torna-a o mais subtil e delicada possível. Quando tiveres inspirado até ao fim, bloqueia a respiração. O bloqueio (da respiração) irá fazer as plantas dos teus pés suarem. Conta cem vezes «um e dois». Depois de bloqueares a respiração até ao limite, expira-a suavemente. Inspira um pouco mais de ar e bloqueia (a respiração) novamente. Se (te sentires) quente, expira com «Ho». Se (te sentires) frio, sopra ao expirares e fá-lo com (o som) «Ch’ui». Se conseguires respirar (deste modo) e contar até mil (com a respiração bloqueada), deixarás de precisar de pão ou remédio.”
O que este livro me trouxe
Comecei a minha prática de yoga (Raja Yoga) aos 17 anos que me levou a um outro estágio de meditação e também à vontade de praticar o Hata Yoga. Aí, aprendi as várias técnicas de respiração que me ajudaram a compreender que quando inalamos, não é apenas ar que entra. Com a prática de Reiki compreendi muito mais esse conceito e a relação entre respiração e energia. “Respira”, trouxe-me o reavivar de conceitos e o aprofundar de muitas mais técnicas, assim como os fundamentos e experiências de cada uma delas.
É um livro que considero muito interessante e importante, pelo contexto de investigação e pelas sugestões práticas que realmente nos podem ajudar a viver melhor.
Podes ler um excerto do livro aqui…
Lê mais sobre o autor e a sua obra no site da pergaminho…
Conhece James Nestor
James Nestor é um repórter premiado que já colaborou com a Scientific American, The Atlantic, The San Francisco Chronicle e The New York Times, entre muitas outras publicações de destaque. O seu livro Respira foi bestseller do The New York Times e já vendeu mais de 3 milhões de exemplares em todo o mundo. James Nestor vive e respira em São Francisco.
Podes ler mais no site do autor…





2 comentários
Sonia Correia
Como posso adquirir?
João Magalhães
Olá Sonia, está disponível nas livrarias físicas e online também.