Quando o corpo abranda: o que um estudo com adolescentes com DM1 sugere sobre Reiki, relaxamento e sistema nervoso autónomo
Efeito do Reiki no sistema nervoso autónomo e nos fatores de risco cardiovascular em adolescentes com diabetes tipo 1 (DM1)
Este trabalho (Brasil, UNESP/UNIMAR) avaliou 15 adolescentes (12–17/18 anos) com diabetes tipo 1, acompanhando o impacto de 4 sessões de Reiki (com intervalo semanal) em marcadores fisiológicos e autonómicos. O desenho é descrito como prospectivo, longitudinal, intervencional, controlado, não aleatorizado e aberto. O foco principal foi perceber se o Reiki poderia influenciar variabilidade da frequência cardíaca (VFC) — um indicador indireto do equilíbrio simpático/parassimpático — e alguns fatores de risco cardiovascular e bioquímicos.
Principais benefícios identificados
- Aumento de indicadores parassimpáticos (relaxamento autonómico) em sessões específicas: o estudo reporta aumento de RMSSD e HF (componentes associados à modulação vagal/parassimpática) sobretudo nas sessões 2 e 4.
- Redução da pressão arterial sistólica após o período de intervenção (4 semanas) — e este foi o efeito mais consistente no “pós-intervenção”.
- Melhoria em ajustes autonómicos à mudança postural (testes de função autonómica), sugerindo um possível efeito funcional na capacidade de adaptação do coração a stress fisiológico (ex.: levantar/alterar postura).
Evidências destacadas
- Amostra e intervenção: 15 adolescentes com DM1, com 4 sessões e reavaliação.
- VFC (RMSSD e HF): há indicação de aumento destes índices em sessões específicas (2 e 4), interpretado como maior modulação parassimpática durante/após aplicações isoladas.
- Glicemia: o trabalho descreve uma diminuição acentuada na sessão 2, mas reconhece que o efeito não se manteve ao fim das quatro sessões.
- HbA1c e glicemia de jejum (efeito “crónico”): no segundo artigo, a conclusão é clara: 4 semanas não alteraram de modo significativo a glicemia de jejum nem a hemoglobina glicada, apesar de haver melhoria em parâmetros autonómicos (mudança postural).
- Pressão arterial sistólica: aparece como o único efeito que se manteve após 4 semanas.
Reflexão final
Este estudo é particularmente interessante porque coloca o Reiki num terreno onde a ciência costuma ser exigente: o sistema nervoso autónomo. A leitura mais prudente é esta: o Reiki parece associar-se a efeitos agudos de relaxamento fisiológico (aumento de marcadores parassimpáticos em sessões isoladas) e a uma redução sustentada da pressão arterial sistólica após quatro semanas, mas não demonstrou mudanças significativas em HbA1c nesse período. UH-0486 – The effect of Reiki o…UH-0486 – The effect of Reiki o…
Numa linguagem simples: pode haver aqui um sinal de que o corpo “aprende a abrandar” — e quando o corpo abranda, o coração regula-se melhor, a pressão pode descer, e a adaptação ao stress (como uma mudança postural) pode tornar-se mais eficiente. Ao mesmo tempo, a gestão metabólica do DM1 é complexa e multifatorial; por isso, Reiki não aparece como substituto, mas como um possível apoio complementar para regulação do stress fisiológico e autonómico, que é um dos eixos silenciosos das complicações cardiovasculares no DM1.
Ficha técnica
- Título: The effect of Reiki on the autonomic nervous system and cardiovascular risk factors in diabetics (trabalho com dois artigos; DM1 em adolescentes)
- Autores: Glauco César da Conceição Canella; Jesselina Haber; Mariana Cristina da Silva; Eduardo Federighi Baisi Chagas; Robison José Quitério
- Ano: 2019
- Publicação/Instituição: UNESP / UNIMAR (Brasil); artigos formatados para Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia e Jornal de Pediatria
- Tipo de estudo: prospectivo, longitudinal, intervencional, controlado, não aleatorizado e aberto
- Link de acesso: UNESP
- ID interno: UH-0486


