Ler à Sexta – O Poder Curativo do Nervo Vago, de Stanley Rosenberg
Se procuras uma perspetiva diferente que te possa auxiliar a lidar com ansiedade, fobia, e perturbações no sistema nervoso, este livro de Stanley Rosenberg, terapeuta corporal, irá trazer-te exercícios muito interessantes para experimentares os conceitos da teoria polivagal. Bem-vindo a mais um Ler à Sexta.
O Poder Curativo do Nervo Vago
O livro traz-nos conceitos sobre o nosso sistema nervoso e a importância do nervo vago na ligação entre cérebro e intestino. Ao longo do livro, Stanley Rosenberg, apresenta-nos várias abordagens para conhecermos e trabalharmos o nosso nervo vago, como é o caso da respiração:
Uma boa respiração diafragmática é um importante elemento de envolvimento social. Todas as pessoas que observei na minha clínica, que estão em estado de stress ou atividade vagal dorsal, têm um padrão de respiração afetado.
A respiração normal deve envolver um movimento para cima e para baixo do diafragma. Para avaliar se isto está a acontecer, pouso as mãos levemente nos lados do peito ao nível das últimas duas costelas.
Se existir respiração diafragmática consigo detetar um movimento lateral das duas costelas inferiores de ambos os lados. Contudo, no caso de existir uma hérnia do hiato, consigo sentir movimento lateral do lado direito mas quase nada do esquerdo.
Quando não conseguimos inalar com uma descida normal do diafragma respiratório encontramos maneiras alternativas de ganhar espaço para a expansão dos pulmões. Uma muito comum é erguer os ombros e as costelas superiores. A isto se chama respiração costal («costal» diz respeito às costelas). Este padrão respiratório está associado a emoções de medo, ansiedade e pânico.
Outro padrão comum é a respiração não diafragmática, inalando com os músculos abdominais. Por vezes, quando temos falta de ar, a barriga fica distendida, mole e flácida. Os músculos da barriga são demasiado macios e, quando ficam flácidos, os intestinos descem, puxando também para baixo os pulmões. Por vezes, as pessoas chamam a isto «respirar com a barriga» e interpretam-no como um bom sinal porque conseguem ver que a respiração está a decorrer no abdómen. No entanto, isto não envolve, ativamente, uma flexão do diafragma respiratório.
As pessoas que respiram desta maneira fletem frequentemente os músculos do estômago ao inspirar e os músculos do abdómen ficam tensos. Este padrão de respiração está associado à raiva.
O ideal é que o abdómen e o peito se expandam e contraiam rit-micamente, ao mesmo tempo. As duas costelas inferiores (C71 e (12) movem-se para o lado, para baixo e para trás com a expansão. As cinco costelas seguintes (C6 a C1o) oscilam para os lados; este movimento lateral é comparado ao da «pega de um balde». O grupo seguinte de costelas acima dessas (C5 a C1) ergue-se, juntamente com o esterno, num movimento descrito como «pega da bomba».
Se perdermos a tonificação ótima no nosso diafragma também perdemos a tonificação ótima em todo o sistema musculoesquelé-tico. Tendemos a colapsar dentro do nosso próprio corpo e exibir a respiração de alguém que está em paralisação e que manifesta um comportamento depressivo. Se, por outro lado, fletirmos o diafragma e empurrarmos em direção ao estômago, temos o corpo e a respiração de alguém em estado de raiva.
O nervo vago tem fibras simultaneamente sensoriais e motoras que afetam, e são afetadas, pelos movimentos da respiração. Existem quatro vezes mais fibras nervosas sensoriais (aferentes ou de transmissão interna) no ramo respiratório do nervo vago do que há nervos motores (eferentes ou de transmissão para o exterior), e estes estão constantemente a monitorizar o funcionamento do diafragma respiratório.
O adequado funcionamento das fibras motoras do vago ventral é necessário para facilitar uma respiração relaxada e eficaz. Quando o diafragma respiratório não está a funcionar adequadamente, e não desce quando inspiramos, utilizamos os músculos ativados pela nossa corrente simpática espinal ou pelo circuito vagal dorsal, por isso um padrão respiratório que seja incapaz de utilizar adequadamente o diafragma irá comunicar através das fibras nervosas sensoriais que estamos ameaçados ou em perigo. Este é um exemplo de como o feed-back dos ramos sensoriais dos nervos cranianos infuencia o estado do nosso sistema nervoso autónomo.
Assim como o relacionamento das emoções com o nosso sistema nervoso autónomo. Estas são reflexões que Stanley Rosenberg faz, através da sua larga experiência e que complementa perspetivas médicas.
AS EMOÇÕES E O SISTEMA NERVOSO AUTÓNOMO
Somos abertos, amigáveis, comunicativos e cooperantes? Somos fechados, deprimidos ou apáticos? Ou somos furiosos, agressivos, ansiosos, temerosos ou solitários? Como reagimos às outras pessoas quando estamos nestes diferentes estados?
O modo como as outras pessoas respondem a nós tem por base uma combinação do estado em que estão e do estado em que estamos. As nossas emoções desenrolam-se na interação entre o estado do nosso sistema nervoso autónomo e o delas.
Enquanto mamíferos somos animais sociais e necessitamos dos outros. Todos enfrentamos desafios e incertezas de tempos a tempos, e para melhorar as nossas oportunidades de sobrevivência e de realização dependemos das nossas interações com os outros – famílía, amigos, vizinhos, colegas de trabalho e a nossa rede social. Como nos sentimos numa dada situação ou em relação a uma pessoa específica é um fator no nosso comportamento. Será que alguém necessita da nossa ajuda? Gostamos de partilhar algum tempo com ela? Essa pessoa costuma apoiar-nos? Estamos dispostos a ajudá-la? Trabalhamos bem juntos? Sentimo-nos seguros? Haverá alguma hipótese de cooperação, partilha e amizade?
Se formos solteiros e namorarmos com alguém, haverá alguma hipótese de intimidade e de estabelecer um laço de longo prazo com a outra pessoa como parceiro potencial? E se formos casados, ou tivermos uma relação duradoura, passamos tempo suficiente juntos quando estamos ambos socialmente envolvidos? Quanto mais bons momentos partilharmos, mais teremos a quem recorrer quando as coisas se tornarem difíceis.
O adequado funcionamento dos nervos cranianos no envolvimento social é central à nossa comunicação e ao estabelecimento de laços com os outros. Estes cinco nervos facilitam a nossa audição, dão forma aos sons do nosso discurso e ajudam-nos a compreender o que as outras pessoas estão a dizer. Conseguimos olhar para o outro calma e diretamente ou afastamo-lo do nosso campo de visão? Se nos sentirmos felizes e seguros seremos, em geral, capazes de levar a cabo uma normal conversa bidirecional, ouvir o que está a ser dito e olhar para a outra pessoa para trocar com ela pistas visuais significativas.
Considero que o sistema nervoso autónomo e os estados emocionais são os dois lados da mesma moeda. Se quisermos melhorar o nosso estado emocional, de modo a ajudarmo-nos ou aos outros, podemos fazê-lo com ações físicas que melhoram o estado do nosso sistema nervoso autónomo e nos fazem avançar de um estado vagal dorsal ou de um estado de stress para o envolvimento social.
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O que este livro me trouxe
Os conceitos de tratamento do nervo vago sempre me suscitaram interesse pois é ao longo dele e em especial em determinados locais, que noto grandes alterações da energia. Apesar de não ir manipular fisicamente a pessoa, o conceito de locais apropriados para tratar veio ajudar-me a compreender melhor o cuidar e quem sabe, promover um maior bem-estar à pessoa.
Conhece Stanley Rosenberg
Stanley Rosenberg é um autor e terapeuta corporal nascido nos Estados Unidos e a viver na Dinamarca. Terapeuta sacrocraniano desde 1987, estudou osteopatia, assim como persas disciplinas ligadas ao movimento e à relação corpo-mente, como o ioga, a meditação ou o tai chi. Além da sua atividade como terapeuta, trabalhou também no teatro, dando formação a atores nas áreas de ioga, acrobacia e voz, em instituições como a Universidade de Yale, a Universidade Brandeis, o Swarthmore College e as escolas nacionais de teatro da Dinamarca e da Islândia.
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Stanley Rosenberg. Foto: site do autor




