2022 - 100 anos de Reiki, Cultivar a Tolerância

Ética – Podemos recusar tratar um familiar ou amigo?

Quando um familiar está numa situação em que Reiki seria benéfico para ele, é muito natural pensar que o praticante se deve oferecer para o tratar, mas será que tal é sempre possível? Será que eticamente levanta alguma questão?

A opção de atender ou não familiares e amigos é inteiramente tua e há alguns pontos que te podem ajudar a refletir melhor para a tua tomada de decisão.

Tratar familiares e amigos numa perspetiva ética

No Código de Ética da Associação Portuguesa de Reiki é dito nas “Responsabilidades do terapeuta” que este deve ter uma atitude de “Integridade, imparcialidade e respeito para com todos os seres vivos.”, assim como nos “Direitos do Terapeuta”, “O terapeuta tem o direito de recusar a consulta ou adiá‐la se não tiver condições para tal”. Estes dois pontos são importantes para este caso pois apresentam duas situações:

  1. A necessidade de objetividade;
  2. A validade da recusa de consulta na ausência de condições.

A necessidade de objetividade

Muitas vezes um familiar ou amigo vem pedir-nos conselho ou mesmo “preciso que me trates”. Por princípio moral, todos sentimos que não se deve recusar Reiki a ninguém. No entanto, questões éticas podem surgir impedindo a melhor doação ou capacidade de presença por parte do praticante de Reiki.

Por vezes a situação é delicada e torna-se demasiado envolvente para o praticante, ou a sua opinião sobre a situação familiar ou de amizade, é contrária à do seu utente. Havendo um laço que os une, por vezes torna-se difícil a objetividade que se consegue com outra pessoa.

Então, quando o terapeuta sente que a sua objetividade estará em causa, poderá antes recomendar um colega para o atendimento.

Pode parecer descabido numa primeira leitura, mas na verdade, todos sabemos que Reiki está dependente da coerência que alcançamos. Se a nossa mente está perturbada, não flui a energia da melhor forma. Como podemos estar a fazer um tratamento numa situação para a qual somos transportados por familiaridade?

Claro que aceitando o tratamento será também uma forma de crescimento para o terapeuta, mas será que ele conseguirá dar o que a pessoa verdadeiramente precisa de forma objectiva?

A compaixão e a bondade, de forma harmoniosa, requerem de nós essa mesma harmonia.

A validade da recusa de consulta na ausência de condições

A ausência de condições pode ser expressa quando os assuntos familiares entram na esfera da intimidade e do particular, fazendo com que o terapeuta sinta perder a sua objetividade e profissionalismo. Principalmente quando tudo se passa no seu gabinete, uma memória pode perdurar e tornar-se intrusa em futuros atendimentos.

O praticante de Reiki não é isento de emoções, de sentimentos, de pensamentos que poderão levar a um desfecho não muito positivo para o percurso terapêutico.

Também não devemos “terapeutizar” uma relação próxima. As pessoas precisam de nós pelo que somos num todo e surgindo apenas como um terapeuta poderá distanciar o laço afectivo.

Claro que tudo é uma opção por parte do praticante de Reiki, mas ele deve compreender claramente tudo o que está em jogo quando aceita tratar um amigo ou um familiar, compreendendo se conseguirá lidar com as situações de forma objectiva e se aplicará Reiki na melhor das condições para a pessoa, não causando um esforço para si mesmo.

Devemos ainda observar que em algumas situações o praticante pode entrar numa “crise de compaixão”, pelo seu envolvimento demasiado próximo com a pessoa e a situação. Neste caso, o cuidador precisará também de ser cuidado.

O Método de Reiki é algo de maravilhoso, profundo, complexo e saudável. Dá-nos espaço para as nossas escolhas, mas lembra-te sempre do sentido de missão que o Mestre Usui te deixou: “A missão do Usui Reiki Ryoho é guiar para uma vida pacífica e feliz, curar os outros, melhorar a sua felicidade e a nossa”.

Portanto, se de alguma forma sentires que a tua objetividade ou algo estará em causa, não existe qualquer tipo de problema ético em indicares outra pessoa para tratar o teu amigo ou familiar.

Sou Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador da revista "Budismo, uma resposta ao sofrimento". Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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