Este é um tempo de grande sofrimento e tentar negá-lo é criar mais sofrimento sem o resolver

Faço parte de uma geração que não viveu grandes desafios na sociedade. Conhecemos a austeridade económica, desemprego, por vezes uma infância mais exigente, mas fomos seguindo o caminho do nosso pensamento e o percurso natural da sociedade.

Chegamos a uma época de oportunidades, de consumo, do lugar ao sol que todos podiam ter (ou quase todos), até que o nosso pensamento pareceu acreditar que tudo de bom era possível.

Conhecemos algo que se chama COVID-19, que afeta todo o planeta, mas mesmo assim, não queremos acreditar que existe, que é assim tão mau, até vemos o lado positivo quando não somos afetados.

Mas para quem sofre, o sofrimento pode ser atroz. No passado, quando alguém estava doente num hospital, era visitado poucas ou muitas vezes, mas recebia visitas, agora não as pode ter. É um sofrimento em isolamento. É uma dor para quem sofre e para aqueles que amam essa pessoa.

Fora desse nicho de sofrimento, continua-se a não acreditar, a não pensar que temos uma responsabilidade para connosco e para com os outros. O que será preciso para compreender o sofrimento e que o bem dos outros também depende de nós?

O que podemos fazer num tempo de grande sofrimento?

Este tempo requer de nós grandes reflexões transformadoras e uma prática que pode mudar tudo o que já fizemos até agora:

  1. Compreender que nós sofremos, deve também levar-nos a compreender que os outros sofrem – o nosso sofrimento não é mensurável nem pode ser pesado numa balança, ele é vivido e como tal precisa ser aliviado;
  2. Reconhecer o meu espaço de conforto é também reconhecer o espaço de conforto do outro – Não quero que me incomodem, ou não quero que passem os limites que imponho, sabendo isso, devo também o reconhecer nos outros e a isto se chama o entendimento do Respeito. Como é bom respeitarmos a harmonia – a nossa e a dos outros e como ainda é melhor a sabermos cultiva;
  3. Se não quero sofrer, não devo levar o sofrimento aos outros – Reconhecer que sofremos é importante e o próximo passo e sabermos que devemos parar de levar o sofrimento ao outros. Cria bondade, partilha harmonia, gera entendimento.
  4. Se acho que há inconsciência, devo cultivar mais consciência – Ficarmos zangados ou irritados, apenas traz doença a nós próprios. Ver o que não achamos correto deve ser uma chamada de atenção, não um acumular de sofrimento. Faz a tua parte, influencia os que possam a fazer a sua parte. Como as ondas de uma pedra que cai num lago, o seu efeito ecoa até à margem mais distante.
  5. O mundo precisa de ti, de todos nós.

Este tempo traz-nos o reconhecimento das nossas necessidades e também o entendimento que, muitas vezes, elas são as necessidades dos outros. Quando nos identificamos sem diferenças, quando reconhecemos que somos parte de um problema e a solução do mesmo, o esforço de cada um de nós faz a sua diferença e a tomada de consciência faz uma diferença ainda maior.

O que nós praticantes de Reiki podemos fazer? Praticar.

O treino, de acordo com a lei natural deste mundo, desenvolve a espiritualidade humana.

Quando te convenceres de que isto é verdade, o teu treino empenhado trará a unificação com o universo. As palavras que falas e as ações que tomas tornam-se unas com o Universo e trabalham sem esforço, como o absoluto ilimitado.

Esta é a verdadeira natureza do ser humano.

Mikao Usui

Devemos despertar em nós o que está adormecido, deixar cair o pó e limpá-lo, reconhecer que podemos ser os nossos maiores amigos e que não há ninguém que não seja um igual a nós próprios. Por isso mesmo, Reiki é Responsabilidade, Respeito e Resiliência. Não há obrigação, há construção de consciência; não há indulgência, mas sim humanidade; não há rigidez, mas sim flexibilidade.

Só por hoje… Por ti, pela tua família e amigos, por todos.

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