Reiki: uma terapia aceite, porém incompreendida (entrevista)

Patrícia Rodrigues é aluna do 3° ano da licenciatura de Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa e realizou uma entrevista a João Magalhães, enquanto presidente da Associação Portuguesa de Reiki.

REIKI: UMA TERAPIA ACEITE, PORÉM INCOMPREENDIDA

Mestre de reiki e fundador da Associação Portuguesa de Reiki. João Magalhães, explica como esta filosofia de vida pode beneficiar o quotidiano das pessoas e também, como esta terapia é vista pela sociedade, nos dias de hoje.

Entrevista por Patrícia Rodrigues

Tudo começou através da experiência e vivência espiritual do mestre japonês Mikao Usui. Pode explicar o que é o reiki?

O conceito de reiki está dividido em duas partes: energia vital universal e/ou o método que pratica essa energia – Usui Reiki Ryoho. Como energia, pode-se dizer que o reiki é a força vital que existe em tudo e está presente em todo o lado, mesmo no ar que respiramos. Em relação ao método, este foi criado pelo mestre Usui, em março de 1922, após a sua experiência ao percecionar essa energia vital que entrou dentro de si e sentiu que saía através das mãos. Podia aplicar em si mesmo ou nos outros e com isto, encontrar bons resultados no equilíbrio e harmonia.

Quem pode beneficiar desta terapia?

Em principio, pode ajudar todas as pessoas e até mesmo, animais. A única condição é se quem recebe, requer, realmente, este tipo de energia, mas, para além disso, não existe qualquer tipo de limites. Por exemplo, o reiki pode ser aplicado em alguém que esteja em fim de vida, pode ser também aplicado numa grávida ou até numa pessoa com uma lesão.

Reiki não cura, ou seja, não há qualquer tipo de promessa de cura.

João Magalhães

O reiki é útil para todos?

É sempre útil, no sentido de proporcionar o equilíbrio e harmonia. Reiki não cura, ou seja, não há qualquer tipo de promessa de cura. Aquilo que a energia faz é, unicamente, proporcionar a capacidade autocurativa que a pessoa já tem e promover o equilíbrio e harmonia na pessoa.

No sentido oposto, qualquer pessoa pode fazer reiki?

Sim, o próprio mestre Usui indicava isso muito claramente. Qualquer pessoa pode aprender reiki, no entanto, isto não quer dizer que faça sentido a todas as pessoas.

A que pessoas é que esta prática pode fazer mais sentido?

Por exemplo, a pessoas que estejam à procura de se conhecerem melhor e à procura, também, de uma forma de poderem cuidar um pouco delas mesmas, incluindo também pessoas que possam querer encontrar uma filosofia de vida orientadora.

Para além da tradicional, existem vários tipos de terapia. Enquanto terapia, como é que o reiki pode ser caraterizado?

O reiki deve estar, sempre, enquadrado enquanto terapia complementar e integrativa. Nunca deve ser definido como terapia alternativa (reforça), ou seja, o reiki nunca é uma alternativa a nada, mas sim um complemento integrado com qualquer outra medicina ou terapia.

É através da mudança de carater e atitude que se consegue ter uma melhor saúde – uma mente sã pode levar a um corpo são.

João Magalhães

Como é referido pelo João em vários dos seus livros e blog, reiki não é apenas uma terapia, mas também um estilo de vida. Pode explicar o porquê de uma terapia ser também considerada um modo de vida?

Em primeiro lugar, reiki é mesmo uma filosofia de vida. O propósito do Usui Reiki Ryoho é aquilo que, em japonês se diz “shin shin kaizen”, ou seja, a melhoria do corpo e da mente. Esta melhoria é proporcionada através da mudança de atitude e essa mudança é proporcionada pelos cinco princípios. É através da mudança de carater e atitude que se consegue ter uma melhor saúde – uma mente sã pode levar a um corpo são.

De facto, o reiki é uma filosofia de vida não tendo qualquer tipo de ligação ou carater religioso ou espiritualista. Depois sim! É um método que tem, também, uma prática terapêutica associada.

Esta prática terapêutica pode ser associada ao campo mental e físico?

Exatamente! No conceito japonês, o mental representa o mental e o emocional, ou seja, os dois são indissociáveis. Quando o mestre Usui faz referência à melhoria do corpo e da mente, o corpo é referente ao nosso físico e a mente é o complexo mente/emoções.

Uma vez que envolve energia, as pessoas têm a ideia que o reiki é sinónimo de cura. O que tem a dizer disto?

É verdade que existe essa perceção e até mesmo, crença. Claramente, todos nós queremos encontrar alguma coisa que nos traga cura imediata, mas reiki não se trata disso. Eu posso tratar uma pessoa que está, por exemplo, com uma constipação e ela, rapidamente, ficar bem, mas, não fui eu que curei, nem foi reiki que curou. O que curou a constipação foi a própria capacidade autocurativa da pessoa. Mas como? Através da energia que pôde fluir para essa pessoa.

Como em tudo, há mentalidades mais abertas que outras. De que modo é que o reiki é aceite em Portugal?

Há um misto: por um lado é muito bem aceite porque as pessoas começam a ver o reiki como algo que as pode ajudar, mas por outro lado, ainda não é compreendido e é contestado por alguns médicos ou até mesmo, pela parte religiosa. Da nossa parte, temos que compreender e aceitar. Assim como há médicos que recomendam, vivamente, que se vá receber reiki, também há médicos que contestam a falta de evidências científicas. Mas isso é como em tudo, pois, é preciso haver alguém que é capaz de fazer um trabalho científico, nesse sentido, para ajudar a comprovar aquilo que nós observamos.

Hoje em dia, já muitas pessoas vêm o reiki como uma componente de filosofia de vida e de transformação pessoal, […]João Magalhães

Desde que se iniciou nesta prática, houve até agora alguma evolução?

Completamente! Quando comecei a praticar reiki, esta prática era algo em que colocávamos as mãos e tratávamos as pessoas. Por vezes, reiki era visto como algo esquisito que era misturado com espiritismo. Hoje em dia, já muitas pessoas vêm o reiki como uma componente de filosofia de vida e de transformação pessoal, unicamente, relacionada com energia. Isto nada tem a ver com crenças pessoais ou aculturações que foram feitas ao longo do tempo.

Porém, há muitas pessoas que sentem uma certa desconfiança sobre isto, aliás até já saiu um artigo sobre os cuidados a ter com as terapias alternativas e novamente, reforço que reiki não é uma terapia alternativa. A verdade é que existem pessoas que são enganadas e outras que evitam esse tipo de abordagem, mas nós não temos que estar a empurrar nada para ninguém, pois só deve receber quem realmente pretende. Para além disso, tudo deve ser feito dentro de uma grande ética e dentro de uma grande consciência profissional.

Abordando, na mesma, o assunto da aceitação, como é que a Entidade Reguladora de Saúde olha para o reiki?

Há uns anos atrás, tivemos uma reunião com a organização e o esclarecimento que fizemos teve uma grande aceitação. Mesmo assim, abordaram uma tónica que a Associação Portuguesa de Reiki tem sempre tentado esclarecer e reforçar junto de todas as pessoas e praticantes: é necessário haver uma regulamentação. Ou seja, dentro da associação ou até mesmo fora, quem é que pratica reiki? Essa pessoa está ou não qualificada? Com condições é que esta prática é feita? – estas foram as preocupações da ERS.

É possível haver um rigor científico no reiki?

É possível haver um rigor científico. Aliás, nós temos centenas de estudos que o comprovam. Porém, existem vários pontos que podem fazer falhar um estudo: o primeiro é aquilo que é estudado e o outro é quem é que está a servir como terapeuta para esse mesmo estudo. Muitas vezes, o difícil é encontrar voluntários e quando se encontram, não quer dizer que estes estejam capacitados para o fazer e com isto, o estudo e o objeto que é estudado pode ficar em risco. O que também acontece é as pessoas lançarem-se em estudos, quando na verdade não têm condições para os realizar ou aquilo que fazem são estudos qualitativos que nunca são considerados.

No entanto, já existem certos hospitais a integrar esta terapia como um tratamento. Através do Sistema Nacional de Saúde, acha que esta integração pode vir a evoluir?

Eu acho que sim, pois temos casos muito positivos, como o Hospital do Fundão que é um exemplo a nível mundial. Aqui são feitas consultas de reiki e qualquer pessoa pode-se inscrever para receber uma consulta e isto, não existe em lado algum. Também temos um projeto que é muito bom no Hospital de Faro, onde diversas pessoas com doença oncológica recebem reiki. Para além destes, também existem outros projetos como o “Amigas do Peito” onde o reiki também é praticado para ajudar as pessoas com cancro da mama. Isto mostra que existem diversas iniciativas que provam que esta prática auxilia bastante ao nível da redução dos efeitos secundários e do equilíbrio da pessoa.

O bem-estar interior é algo que não é mensurável. Qualquer pessoa pode dizer que se sente bem e até pode quantificar isso, mas mesmo assim, não existe nenhuma máquina que quantifique. Portanto, é algo que é qualitativo. Cada um de nós, chega a um ponto da sua vida e percebe que o sofrimento não faz sentido e que estar doente e a sofrer, ao mesmo tempo, pior ainda. Reiki pode auxiliar na intervenção do sofrimento e por isso, esta prática é uma grande mais valia no apoio ao Serviço Nacional de Saúde, para ajudar a pessoa.

“Só por Hoje” – Só por hoje sou calmo, confio, sou grato, trabalho honestamente e sou bondoso.

João Magalhães

Quais são os princípios desta prática?

Nós temos cinco princípios orientadores da filosofia de vida e estes trazem sempre uma lembrança de que os devemos praticar no momento presente, ou seja, no aqui e agora. Por isso, todos estes princípios começam por “Só por Hoje” – Só por hoje sou calmo, confio, sou grato, trabalho honestamente e sou bondoso.

Sendo presidente da associação nacional portuguesa de reiki, é possível olhar para esta prática como uma profissão ou como uma vocação?

(Pausa longa). É uma pergunta bastante exigente (risos). Isto pode ser uma profissão, mas sem vocação, pode ser um desastre. O curso vai sempre influenciar, uma vez que dá, à pessoa, a experiência da prática de reiki, seja na aplicação ou na filosofia de vida, a si mesmo ou nos outros. A falta de sensibilidade e de sabedoria própria para a prática de reiki, equivale à falta de interpretação de um músico ao tocar determinada música.

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