O que é valorizar

O que será valorizar e que valor damos realmente às coisas? Será que precisamos pensar nestes assuntos, ou tudo o que temos tido como educação e exemplo é o suficiente?

Já sentiste que te apreciam pouco, como pessoa ou o que fazes? Ou que alguém não sabe valorizar o que fizeste? Crês que o que aprendeste sobre valorizar está correto e não precisa de mudanças?

Então, poderá ser necessário reavaliar como tens estado a valorizar os pensamentos, emoções e mesmo atos, teus e de outros, assim como os conceitos que os definem

Valorizar é trazer consciência à vida

Há algo de extraordinário que alcançaste na vida – a própria Vida!

O Mestre Usui tinha um especial foco na nossa capacidade de saber viver, poderás compreender isso através das suas palavras:

«O treino, de acordo com a lei natural deste mundo, desenvolve a espiritualidade humana. Quando te convenceres de que isto é verdade, o teu treino empenhado trará a unificação com o Universo. As palavras que falas e as ações que tomas tornam-se unas com o Universo e trabalham sem esforço como o absoluto ilimitado. Esta é a verdadeira natureza do ser humano.» 

Mikao Usui

A espiritualidade humana significa o desenvolvimento da consciência, não apenas o crescer da erudição, mas saber levar a inteligência à sabedoria. Saber conjugar as emoções e lidar com as nossas e com as dos outros. Compreender que não estamos sós e que nem tudo é apenas sobre nós.

Este treino que o Mestre Usui indica, é a nossa capacidade de autoentendimento e alcance de consciência, regressando a um estado capaz de reconhecer o momento presente – isto fazemos através dos cinco princípios, da atitude meditativa e da prática terapêutica, ou seja, alinhamos consciência, postura na vida e equilíbrio de corpo, mente, espírito.

Então, o praticante de Reiki começa por saber valorizar os cinco princípios – ou seja, compreender que é importante construir e viver em calma, confiança, gratidão, honestidade e bondade.

Nas suas interrelações e perante a própria vida, ele precisa compreender se quer todas as vitórias na vida.

Não queiras para ti todas as vitórias, sabe assumir também as derrotas.

Ven. Mestre Hsing Yun

Nestas palavras do Mestre Hsing Yun, encontramos uma reflexão importantíssima – será que eu apenas quero tudo para mim? Todo o conforto, todo o benefício, todas as bênçãos? E então o outro?

As vitórias são o tudo que queremos e as derrotas representam não uma perda para nós, mas sim uma tomada de consciência que nos ajuda a afirmar a nossa própria vitória na vida.

Por exemplo, se uma pessoa dá aulas de yoga e um dia me oferece uma aula, eu não posso esperar que ela sempre me ofereça, pelo contrário, para honrar a sua bondade, eu até devo comparticipar, não só valorizando o bonito gesto, como também valorizando o que eu mesmo passarei a fazer.

Quando uma pessoa amiga pinta um quadro que gostamos, elogiamos e até gostaríamos que essa pessoa nos desse. Ela até poderá ter vontade de dar, mas se ela o faz como forma de vida, poderá ficar prejudicada. Valorizar a sua vida, amizade e qualidade de trabalho é dar um valor monetário. Isto é saber assumir as “derrotas” e não querer todos os benefícios para nós.

Por vezes uma pessoa pode querer aprender Reiki, mas não tem dinheiro para tal e de seguida vai de férias para a Turquia quinze dias. Fez o curso sem o pagar e usufruiu das férias. Há uma serenidade entre todos os intervenientes, mas cada um precisa compreender o valor que cada coisa tem por si.

Mesmo um grande amigo precisa ser valorizado pelo seu trabalho, apesar da nossa necessidade. O pouco que damos, dá-lhe valor e isso “regressará” a nós, na forma de leveza na vida, retribuição indireta e, principalmente, uma noção de que não se tem dívidas.

Querer tudo para nós pode fazer de nós um glutão emocional. Imagina-te em todos os momentos em que queres tudo só para ti, o reconhecimento, o valor, as coisas gratuitas, isto poderá fazer surgir cada vez mais uma mágoa sempre que tal não aconteça e uma necessidade de cobrança.

Para uma pessoa a oferta de limões é algo de muito valor, para outra é apenas um ocupar da despensa. O ato de dar tem valor, assim como o ato de receber. No entanto, também devemos saber quando indicar que é algo que não nos faz sentido, o que não desvaloriza o que é dado.

Assim, teremos uma economia de consciência, sustentável, assente em valorização – Saber reconhecer o valor do que os outros fazem, saber reconhecer o que se recebe. Não querer todos os benefícios da vida e reconhecer que também devemos saber dar.

Valorizar é um ato muito importante, não só saber valorizar a nós próprios, pelo que somos, pelo que fazemos de bom, como pode ser orientador para melhorar o que ainda há a melhorar.

Valorizar os outros é tão importante quanto o fazermos a nós próprios.

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