Cultivar e desenvolver os nossos seis sentidos
No Budismo existe um conceito chamado as seis raízes que dizem respeito aos nossos órgãos dos sentidos, onde temos olhos, nariz e língua, sendo o tato representado pelo corpo e como sexto sentido – a mente.
É uma abordagem extraordinária e que faz um sentido imenso, precipalmente se o aliarmos ao conceito dos “seis ladrões”, que são as seis portas por onde nós nos podemos perder ou desviar do nosso caminho de crescimento e cultivo.
Assim, partilho contigo as palavras do Ven. Mestre Hsing Yun, sobre este tema de desenvolver e cultivar os nossos seis sentidos, indicando os seus prejuízos no caso de desleixo e os seus benefícios quando os desenvolvemos.
Cultivar as seis raízes
Frequentemente ouvimos as pessoas dizer, “devemos cultivar a nossa mente e nutrir a nossa natureza”. Atualmente, cultivarmos apenas a nossa mente, não é suficiente. As nossas seis raízes, ou órgãos dos sentidos – olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente – estão sempre em contato com os “seis pós”, obstruindo-se nas condição externas que continuamente nos tentam para cometer todos os tipos de karma prejudiciais. Assim, as escrituras Budistas descrevem as seis raízes como seis ladrões que constantemente roubam os méritos do que cultivamos. Como podemos evitar o mal que as nossas seis raízes nos causam? Devemos cultivá-las bem. Apresento as seguintes linhas orientadoras para o fazer:
- Usa os olhos para ver as tuas próprias deficiências. A maior parte das pessoas usa os seus olhos para ver as falhas dos outros, mas não as suas próprias inadequações. Assim, elas desgostam todos os que vêem. Se pudermos mudar a nossa visão e examinarmo-nos sobre os nossos defeitos e erros, estaremos a cultivar os ossos olhos;
- Usar os nossos ouvidos para escutar palavras desagradáveis. De acordo com o ditado, “Bom remédio é amargo para a boca; bom conselho é barulho para os ouvidos”. A maior parte dos ouvidos das pessoas podem escutar apenas palavras de agrado e de coisas positivas sobre si. No entanto, são alheios ao conselho sincero de amigos ou podem até ficar chateados ao escutá-los. Se estamos dispostos a aceitar o conselho de outros ou até mesmo ser felizes a aprender sobre as nossas próprias falhas, então estaremos a cultivar os nossos ouvidos;
- Usar o nosso nariz para cheirar a fragância do que é sábio e sagrado. O nosso nariz procura fragâncias e deteta odores. É como um agente secreto numa perseguição. O nosso nariz é muito sensível. No entanto, o nariz da maior parte das pessoas está ocupado a perseguir aromas de comida e bebida. Se pudermos, ao invés, detetar a fragância do que é sábio e sagrado, estaremos a cultivar o nariz;
- Usar a nossa língua para provar o sabor da verdade. Ser capaz de saborear os sabores gourmet neste mundo é considerado uma grande fortuna. No entanto, “a doença entra pela boca; problemas saem pela boca”. Este é um saber comum que todos apreciamos. Consequentemente é melhor para a nossa língua apreciar verdadeiramente o sabor do Dharma. Mais ainda, devemos desenvolver-nos na forma como propagamos a verdade sobre o Dharma com a nossa boca. Isto é o que se pretende através do cultivo pela língua;
- Usar o nosso corpo para estar em contato com a pureza. O nosso corpo prefere temperaturas confortáveis e gosta de coisas gentis e suaves ao toque. Assim, gostamos de descansar em sofás de suave veludo, dormir em camas acolhedoras e desfrutar do ar condicionado durante o período do calor e calor durante os meses de inverno. Se pudermos ir a um templo de tempos a tempos para meditar, honrar Buda, caminhar direitos e sentar direitos, permitindo os nossos corpos estarem em contato com um ambiente calmo e espiritual, então podemos cultivar o nosso corpo;
- Usar a nossa mente para pensar no contentamento, emanando compaixão e harmonia. Há um ditado popular que diz, “se as pessoas são egoístas, então o céu e a terra irão amaldiçoá-los”. Muitas pessoas pensam como podem ganhar mais, tornarem-se famosas, ganhar o jackpot, ou serem bem sucedidas no que quer que estejam a planear. Atualmente precisamos pensar sobre como nos tornarmos mais compassivos e justos, trabalhando para a paz e ajudando os outros. É especialmente importante para nós nos comprometer-mos em “aliviar o sofrimento dos seres sencientes e não focar no alcance da nossa própria paz e felicidade”. Tal é o cultivo da mente.
O nosso desenvolvimento não é apenas algo dito de boca, ou apenas um pensamento. Não devemos dizê-lo apenas para o benefício dos outros. É uma prática e aplicação honesta e realista. No nosso cultivo e desenvolvimento, não precisamos discutir a libertação do renascimento. O que precisamos é de primeiro cultivar as nossas seis raízes porque ao fazê-lo iremos receber méritos intermináveis.
Ven. Mestre Hsing Yun, “The mind of a practitioner”.
Poderás ler mais sobre esta e outras práticas budistas em O Caminho para a Iluminação, do Ven. Mestre Hsing Yun.


