Nas imperfeições do outro eu revejo as minhas – como crescer com as aprendizagens

A grande sabedoria surge quando conseguimos aprender pela história e também com o percurso de vida dos outros. Não só os bons exemplos são inspiradores, mas também as imperfeições podem fazer-nos entender o que há a mudar em nós próprios.

Como a imperfeição do outro me pode ajudar a crescer e a construir um mundo em harmonia

Todos nós lidamos com pessoas mais ou menos complicadas e, em determinados momentos da nossa vida, encontramos pessoas verdadeiramente complexas. Olhamos para elas e vemos muitas questões, detalhes de imperfeição na sua forma de agir e de ser, que trazem danos a si mesmas e por vezes mais aos outros.

Pensarmos em imperfeição pode querer dizer que procuramos perfeição, mas esta pode ser uma palavra incorreta e uma atitude que nos cultivará irrequietude e insatisfação.

Este bichinho que não pára, dentro de nós, por querermos algo perfeito, pode levar-nos a julgar arduamente os outros e a nós próprios. Então, esta não é uma perfeição positiva ou um procurar de perfeição com uma intenção correta.

Compreendendo que não existe perfeição e que se alguma vez esta for alcançada nós estaremos em paz e não precisaremos de a fazer valer, então significa que o que nos inquieta por os outros não serem perfeitos ou nós próprios, não é algo de bom.

Vendo de um outro ponto de vista, precisamos sim cultivar aceitação e entendimento. Ao observar o ato impensado do outro, as suas atitudes irresponsáveis ou pouco humanas, se agirmos com dor, tristeza, sofrimento ou raiva, não estaremos a fazer bem. Isto porque é um movimento tipo dominó. O outro não está bem, eu não estou bem, eu irei afligir outros que me conhecem e por aí adiante… um verdadeiro dominó, o qual começa responsavelmente por mim, se eu tiver a consciência disso.

Sabendo cultivar a atitude positiva dos cinco princípios, eu compreendo que a imperfeição do outro sobre mim, ou mesmo sobre os outros, poderá trazer-me grande crescimento.

Tudo aquilo que ressoar em mim, serão também as minhas próprias fragilidades, ou seja, a incorreção existirá sempre, mas a minha forma de lidar com ela é que terá que mudar. Se eu vir crianças em pobreza, mas não tiver as condições para as tirar dessa pobreza e apenas sofrer, então não estarei a fazer nada de bom, mas se eu tiver uma atitude construtiva e, dentro daquilo que sei, ajudar da melhor forma possível, então estarei a construir um mundo melhor.

Esta imperfeição circular faz-nos entender que somos todos interdependentes, ou seja, dependemos uns dos outros. Se tu estás triste, eu não estarei 100% bem. Se eu não estou bem, outros também não ficarão bem e assim sucessivamente. Por isso mesmo, quando em consciência agimos em compaixão, ou seja, com sabedoria, sabemos que ajudaremos aquele que não está bem da melhor forma e assim cultivamos um novo terreno, para que novas sementes sejam plantadas e uma nova colheita seja possível.

É através da imperfeição do outro que eu vejo a minha própria, é através dessa sabedoria, que muito pode ser transformado.

Resumo da sabedoria pelas imperfeições

  1. O outro e eu somos um

    Mesmo que outra pessoa tenha um comportamento incorreto, todos nós fazemos parte desta vida comum e, de alguma forma, todos somos úteis nela. Compreender este ecossistema humano ajuda-nos a alcançar harmonia e serenidade.

  2. Cada vida é diferente, mas as lições poderão ser as mesmas

    É importante observar as lições dos outros, não por curiosidade pela vida alheia, mas sim para construir noções sobre as dificuldade e como ultrapassá-las. O instinto de sobrevivência está sempre presente no ser humano, há que usá-lo corretamente.

  3. O desejo pode tirar-nos do bom propósito

    Se desejas perfeição em tudo, será muito difícil alcançá-la. O Mestre Usui compreendia o sentido da vida quando indicava que “a missão do Usui Reiki Ryoho é guiar para uma vida pacífica e feliz…”.

  4. A perfeição é desnecessária quando alcançada

    Quando somos diligentes para a nossa mudança, mas o fazemos com harmonia e confiança, compreendemos como não vale a pena nos apegarmos aos conceitos. Pensar na perfeição é como correr 1000 metros num percurso infinito. Se alguém alcança a perfeição é porque certamente não tem ansiedade para tal, ou seja, não sofre mental, emocional e fisicamente para essa perfeição, mas vive uma vida que merece ser vivida e respeitada. Então, o maior esforço não é alcançar algo, mas é sim saber viver.

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