A crise da compaixão

Já te sentiste exausto de tanto dar? Se sim, a isso se chama a crise da compaixão e significa que neste momento, tens que parar.

O que poderá ter causado essa exaustão, se em ti é tão natural o dar?

Compreender e tratar a crise da compaixão

O nosso coração, ou mais corretamente, o nosso Chakra Cardíaco, contém em si e gera, a compaixão, a bondade, o amor próprio, a caridade, entre muitas outras virtudes.

Ele é como um jardim que pode ser riquíssimo e poderá trazer grande felicidade, mas se esse jardim ficar despido ou descuidado, nada conseguirás partilhar dele. O problema é quando se continua a querer partilhar algo que já não se tem para si próprio.

Na nossa educação, sabemos que “devemos dar sem olhar a quem”, que a caridade é uma virtude e que devermos estar sempre atentos ao outro, mas nem sempre essas virtudes são benéficas, principalmente quando nos esquecemos de nós próprios de tal forma, que não nos conseguimos mais encontrar, ou quando em extremo demos tanto que nada ficou para nos nutrir.

Mas porque precisamos de ter para nós, aquilo que queremos dar aos outros?

A crise da compaixão surge, muitas vezes, pelo desconhecimento de que devemos saber nutrir-nos e capacitar-nos daquilo que queremos dar aos outros.

Como poderei eu dar bondade, se não for bondoso para com os outros?

Ou como poderei ser generoso, se não o souber ser para mim também?

Poderás dizer que já foste muito bondoso e generoso, apesar de não o seres para ti e claro que tens razão. Ninguém poderá tirar o mérito da tua boa ação, no entanto, para que não sofras com a crise da compaixão, é necessário que comeces também a cultivar para ti a bondade que dás, ou a generosidade que ofereces.

Isto é muito importante mesmo, pois se não o fizeres, um dia quando estejas um pouco mais em baixo, irás cobrar pela tua bondade a quem a ofereceste e, possivelmente, se essa pessoa não te puder retribuir como desejas, poderás sentir uma certa tristeza ou desilusão, mas se souberes nutrir-te com a tua própria bondade, a mesma que dás aos outros, surge em ti uma determinada sabedoria e entendimento.

Essa sabedoria diz que há alturas em que nós também precisamos daquilo que costumamos dar e que, em determinado momento, temos que saber dizer não. Não é uma recusa de dar, é sim saber indicar que não é o momento certo para dar.

Quando este entendimento se torna claro em nós, compreendemos que dar e receber fazem parte da vida, que é uma troca natural. Há alturas em que damos um copo de água e depois recebemos um limão, de uma pessoa completamente diferente e que nada nos pediu. Se soubermos aceitar esse limão, estamos a compreender que tudo faz parte de uma partilha natural na vida.

Quando estamos em equilíbrio, não surge a crise da compaixão. Quando estamos conscientes, compreendemos os limites do dar e receber. Aprendemos a valorizar e também a ajudar os outros de uma forma bem mais sustentada e real.

Se és praticante de Reiki, precisas ter um cuidado especial com a crise da compaixão. Não devemos estar sempre a querer “dar Reiki“, é preciso também saber receber.

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