A grande maioria de praticantes de Reiki é do sexo feminino, podemos quase dizer que é algo à volta de 70% dos praticantes. Tendo em conta os preconceitos da cultura portuguesa, torna-se difícil o trabalho de um mestre de Reiki que seja do sexo oposto.

Os desafios e cuidados a ter de um mestre Reiki sobre os seus alunos

Deparamo-nos hoje com uma sociedade muito destruturada. Por um lado convivemos com valores milenares enraizados subconscientemente na cultura, por outro lado sofremos de aculturação e de uma mistura de culturas muitas vezes com atitudes, formas de estar, opostas às nossas, ainda tentamos lidar com a realidade que vivemos diariamente, que muitas vezes nada tem a ver com qualquer cultura e no meio disto tudo, tentamos manter-nos intactos e sãos. Por exemplo, ao nível cultural, temos pessoas de países mais quentes que são mais afáveis e tocam, temos pessoas de países mais frios, um pouco mais distantes e que não tocam, temos as excepções à regra, temos também religiões pelo meio. E como encontramos tudo isto num curso de Reiki?

Uma turma de Reiki pode ser constituída, com sorte, com metade homens, metade mulheres, em alguns casos, até mais homens que mulheres, mas em algumas circunstâncias temos só mulheres. Vamos então ver algumas situações que surgem e como lidar com elas.

  • Os abraços;
  • O vestuário;
  • A desconfiança do conjugue do aluno;
  • O próprio conjugue do mestre.

Os abraços e a prática de Reiki

Não sei como, mas foi-se adquirindo o hábito de dar muitos abraços nos cursos de Reiki.

De alguma forma, as pessoas dão abraços e se alguém vinha a mim para me dar um abraço eu respondia da mesma forma e dava-o, algo a que fui chamado à atenção para não fazer, num encontro em Delães, possivelmente em 2009/2010 e assim fui deixando de dar abraços. Nem sempre é contornável, pois há quem seja mais rápido que a nossa capacidade de reacção, mas o que decidi fazer foi dar abraços de lado ou não estar mesmo em contacto com a pessoa.

É uma decisão bastante desagradável, porque por um lado algumas pessoas sentem-se ofendidas, por outro dizem que não estou a ser aberto como devia ser na prática de Reiki, que nada tem a ver, mas muitas pessoas começam a compreender porque não dou abraços.

Existem vários problemas com os abraços, talvez não entre as pessoas, mas sim com quem está a observar:

  • O abraço a um pode ser mais prolongado que a outro e leva a pessoa a pensar em quem se gosta mais;
  • O abraço pode ter um contacto físico mais próximo e quem observa pode julgar ser outra coisa;
  • Até mesmo que vai abraçar pode ficar com outra intenção.

Claro que estou a dar perspectivas muito negativas, mas elas acontecem e por isso mesmo, nada como termos cuidado para evitar chatices desnecessárias. É pena pois muitas teorias surgem à volta do abraço como sendo curador, porque há pessoas que genuinamente sabemos que precisam de um abraço, porque há pessoas por quem temos profunda amizade e carinho, mas…

O vestuário

Felizmente ainda estamos num pais em que há uma certa liberdade no vestuário, no entanto, nas empresas existe um código de vestuário, mais ou menos explícito. No CENIF Amadora criamos um código de atitude perante o vestuário, que simplifica muito a nossa forma de estar e nos ajuda a cumprir a ética. Ele é:

  • Quem trouxer saias acima do joelho, não pode ficar de frente para mim, nem no ângulo de visão, em alternativa pode colocar uma manta;
  • Não são aconselháveis decotes acentuados, porque quando vão para marquesa, quem for tratar pode ficar num ângulo de visão mais evidente para alguma situação ética;
  • Ao praticar em marquesa, nas situações de saias mais curtas e decotes mais acentuados, usamos uma manta para tapar o corpo e assim não ter qualquer tipo de situação que outro pudesse considerar fora da ética da prática.

Ou seja, cada um pode vir vestido da forma como entender, mas na prática de Reiki, então adoptamos resoluções que nos evitam situações éticas. Não que elas surjam, mas o olhar do outro é sempre crítico.

Felizmente, no tempo quente, os alunos podem todos vir de calções.

Cinco formas de lidar com o conjugue do aluno

Por vezes surgem algumas questões com o conjugue, muito naturais. Por exemplo, o praticante felizmente tem muitas atividades para se desenvolver e então poderá estar menos tempo em casa, neste seu processo de crescimento, ou seja, começa a mudar o seu padrão o que poderá trazer desconfiança no conjugue. Por outro lado, começa a estar mais atento, consciente, começa a querer estar mais feliz e a distribuir essa felicidade, que poderá ser também uma mudança de padrão, o que pode trazer desconfiança.

De forma até cómica por vezes perguntam-se, “como sai tanta mulher feliz por estar uma hora e meia com um tipo gordo e careca?”. Bom, felizmente saem homens e mulheres felizes, fazem-no porque estiveram a praticar e isso tocou-os interiormente. Pela mesma razão, possivelmente o conjugue devia aprender para também alcançar o mesmo. O tempo perdido com questões que apenas cultivam venenos, tira anos de vida e felicidade, mais vale aprender Reiki.

Portanto, quando existe desconfiança porque não convidar o conjugue a ir assistir a uma aula? Muitos já foram e muitos também já se tornaram praticantes de Reiki. Aliás, uma prática consciente da filosofia de vida no Reiki ajuda na vivência do casal.

Mas temos cinco formas para lidar com estas situações, aplicando os cinco princípios. Aqui fica a sugestão para reflexão como casal:

  1. Só por hoje, sou calmo – Mas porque perdeste o teu equilíbrio, o que te tornou desconfortável?
  2. Confio – Porque perdeste a tua confiança em ti mesmo? E em mim?
  3. Sou grato – Que lições aprendemos com esta situação? Individuais e como casal?
  4. Trabalho honestamente – Estaremos a comunicar correctamente?
  5. Sou bondoso – Como podemos resolver esta situação de forma bondosa para ambos?

Nada melhor que o diálogo, no entanto, se o conjugue não conseguir escutar, nem conseguir sair desse processo, talvez seja melhor dares um tempo ao Reiki e irem a uma terapia de casal. Não é apenas desistir das coisas para satisfazer a insatisfação do outro, que sempre a terá, é sim irem aprender a crescer em conjunto e mudar o que há a mudar de ambos os lados.

Como lidar com o conjugue do próprio mestre

O próprio mestre poderá ter problemas em casa, porque se é homem e maior parte dos alunos for mulher, a própria esposa poderá sentir-se de alguma forma colocada em causa com tanta atenção que for dada a mulheres.

Se assim for e se a vivência em Reiki não for o suficiente para o entendimento, nada como a terapia de casal ou mesmo considerar mudar de profissão.

Este tipo de situações não surge apenas com Mestres que são do sexo masculino, o mesmo tipo de questões surge também com Mestres do sexo feminino.

A cultura portuguesa ainda está num caminho que necessita de muito crescimento e temos que, forçosamente, ir ao ritmo do mais lento. Felizmente temos os cinco princípios e a prova que Reiki é mesmo a Arte Secreta de Convidar a Felicidade. Podemos praticar, com ética e atenção, isso não nos impede de sermos compassivos e bons praticantes.

Como vês, ser Mestre de Reiki não é fácil.