Filosofia de Vida

Aprender a valorizar é viver com mais valor

Que valor damos às coisas e de que forma aprendemos a nos valorizar?

Se este tipo de aprendizagem existisse desde cedo, muitas questões de autoestima seriam evitadas. Mas porque não sabemos valorizar e como poderemos fazê-lo?

O valor de saber valorizar

Para compreendermos que todas as coisas têm o seu valor, primeiro precisamos compreender três aspectos:

  1. O significado de valor;
  2. A aceitação do valor próprio;
  3. A aceitação de que o outro também tem o seu valor.

O significado de valor

Valor representa um conjunto de características que tanto podem ser meritórias, únicas, distintas, que poderão representar talento, dedicação, coragem, compaixão, e feitio que leva a pessoa a saber interrelacionar-se e a agir de forma correta e construtiva no meio onde está. O valor de uma pessoa não pode ser propriamente quantificado, mas sim reconhecido pelos seus pares e principalmente por ela mesma.

Reconhecer o valor significa compreender que todas as pessoas têm características únicas que se forem colocadas para o bem comum, terão grande impacto na vida em sociedade. Também as coisas têm valor, apesar de serem menos importantes que o valor de uma pessoa, elas são feitas por uma pessoa que lhes atribui um valor, ou seja, confere-lhes uma determinada característica à qual coloca uma condição para aquisição ou existência. A um objeto é conferido valor por quem o cria ou por quem o deseja, numa pessoa esse valor deve primeiro existir implicitamente, mas sendo também atribuído pelos outros.

A aceitação do valor próprio

O nosso valor é muitas vezes mal entendido. Por um lado podemos não conseguir atribuir-lhe a apreciação correcta, por outro, podemos não compreender o que faz de nós pessoas com valor. Este tipo de autodesvalorização ou incapacidade de valorizar, vem da falta de ensino social que temos e da colocação correta dos valores humanos. O simples exemplo é que muitas pessoas dizem “eu ter valor? Valor tinha a Madre Teresa de Calcutá, eu não faça nada comparado com ela”. Este tipo de afirmação tanto poderá revelar uma falsa modéstia para tentar alcançar a valorização por parte de outra pessoa, como poderá revelar uma genuína incapacidade de encontrar e validar o seu próprio valor.

Se queres considerar-te com valor, não queiras desvalorizar o outro.

A aceitação de que o outro também tem o seu valor

Olhar para o outro e saber que tem valor é importante, mas nem sempre fácil. Estamos habituados a comparar e isso umas vezes traz sentimentos de inferioridade e outras vezes, superioridade. Temos sempre julgamento porque fomos ensinados, mesmo que indirectamente, a julgar e a valorizar, ou melhor, desvalorizar. “Que disparate de roupa…”, “Sempre atrasado…”, “Que básico…”, “Não sabes ver que preciso…”, “Aquele carro é melhor…”, “Tem um relógio novo…”, entre muitos e muitos outros julgamentos, que por vezes nem nos passa pela cabeça que fazemos.

De facto, da boca para fora, até podemos dizer que aceitamos e valorizamos, mas muito enraizada em nós, está uma cultura de depreciação e desvalorização.

Alcançar e reconhecer o valor do outro, é algo que depende da aceitação do nosso próprio valor, assim alcançamos a equidade e a equanimidade. Compreendemos que todos estamos cá para o mesmo, para viver e que a vida convém que seja feita de uma forma mais feliz e pacífica. Todo o nosso trabalho, é o vivermos esse caminho de vida. Para eu reconhecer no outro valor, sem dúvida que tenho que reconhecer em mim mesmo valor.

Aceitar que o valor individual de cada um é diferente é importante, mas devemos alargar essa visão para o valor que cada um leva à comunidade e à sociedade, se o fizermos, teremos um exercício mais fácil para compreender e aceitar, para valorizar o valor oculto que cada um tem.

E se não nos souberem valorizar?

Se não te souberem valorizar, não te preocupes, lembra-te dos cinco princípios e destes três aspectos sobre o valor. Tu sabes o que representa o valor, tu sabes e aceitas o teu valor próprio e se o outro não aceita o teu valor, então é uma aprendizagem que ele terá que fazer.

Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar a forma como o encaramos e a forma como nele vivemos. Assim como a raiva que nos queima pela desvalorização, podemos também ficar queimados por nos deixarmos envolver por essas situações. Valor é um bem precioso, saber valorizar é uma virtude.

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador da revista "Budismo, uma resposta ao sofrimento". Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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