No número de Julho/Agosto de 2017 da revista da Ordem dos Médicos, surge um artigo de opinião, interessante, de Jorge F. Seabra de Coimbra, cujo título é “Ciência sem “alternativas”. Claro que este artigo não aborda apenas Reiki e eu poderei apenas falar sobre o que entendo, ou seja, Reiki. Mas antes de iniciar o esclarecimento sobre alguns tópicos convém reforçar alguns aspectos para entendimento geral:

  1. Reiki enquadra-se como terapia complementar e integrativa, ou seja, complementa todo e qualquer tipo de tratamento e integra-se nas práticas comuns de saúde. Reiki não é nem medicina complementar, nem medicina alternativa, nem medicina tradicional;
  2. O sentido de terapia é aplicado no conceito de tratamento, conforme a etimologia da palavra e não abrangente ao campo médico dos dias de hoje;
  3. O âmbito do tratamento é o da energia, observando a pessoa como um todo, como tal nada tem a ver com os campos das Medicinas e Terapias convencionais;
  4. O terapeuta de Reiki não pretende ou não deve pretender ocupar o lugar dos profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, psicólogos, entre muitos outros. O âmbito do seu trabalho nada tem a ver com esse campo profissional;
  5. O Usui Reiki Ryoho, o método através do qual se aplica Reiki, tem em primeiro lugar uma filosofia de vida, como tal, não se enquadra no contexto convencional das medicinas e terapias, nem o pretende fazer.

Ciência sem “alternativas”*

Programa da tarde, na RTP1, com um entrevistado, um homem simples e crédulo, que afirma tratar doentes com terapia Reiki, conseguindo enviar à distância mensagens energéticas e curativas. O site da Associação Portuguesa de Reiki – Monte Kurama, esclarece que o Reiki se situa “no âmbito das terapias e medicinas de Campo Bioenergético”, “realizada através do toque suave ou a curta distância do corpo do doente, sendo transmitida a Energia Universal (Rei-energia; Ki-universal) para as zonas mais necessitadas da pessoa”.

É um facto, o conceito do envio de Reiki à distância é muito singular e causa sempre discussão. Mas tendo tanto para falar sobre Reiki, porque falar sobre o envio de Reiki? De facto é preciso ter atenção ao que se diz, ao que se faz, ao que se pratica. Como nota de pequena correção, “(Rei-universal; Ki-energia)”.

Serviço público da RTP1? Educação da população para a cultura e respeito pelo conhecimento científico? Ou propaganda de “métodos alternativos” como se fossem ciência, dando credibilidade ao que, no passado, se consideravam tretas de bruxas e charlatões? Na realidade, programas como o da RTP1 com outras “terapias” para libertação da “energia vital”, tratamentos “naturais” ou “dons transcendentais”, sucedem-se com invulgar frequência, deseducando os cidadãos culturalmente mais frágeis, divulgando crendices primárias algumas inventadas em séculos passados, dando-lhes o enorme crédito da presença no pequeno ecrã, coisa que nem a TV salazarenta fazia.

O serviço público significa que é um serviço de informação que deve abranger vários campos informativos, não apenas aquele que poucos entenderem como os melhores para muitos. Aqui parece que apenas poderíamos ter como serviço público documentários científicos, telenovelas científicas, “Bom dia Portugal” científico, “o preço certo” científico, entre outros. Leia-se um pouco o que é o serviço público em contrato para a RTP1

No serviço público, surge quem é convidado, por alguma razão, mas faz parte do discernimento do espectador filtrar o que é correcto ou não. Novamente isso faz parte de uma formação de consciência e não uma limitação do que alguém pode ou não pode ver, senão estaríamos numa ditadura da ciência, em termos televisivos. Felizmente como este é um pais laico e democrático, todos podem ter a sua opinião, mesmo que ela possa parecer tendenciosa e restritiva.

Todos sabemos que este é um dos assuntos sensíveis e que tem despertado uma interminável polémica, mas esse facto mostra apenas que, em Portugal, como em muitos países ditos avançados, há um atraso cultural que persiste e se espalha envergando novos trajes e nomenclaturas modernas. Mas o maior paradoxo é que este desrespeito pelo conhecimento científico se passa numa época em que ele se afirma em todo o nosso quotidiano, do avião ao automóvel, do computador à célula fotoeléctrica que abre a porta à nossa aproximação (um milagre há algumas décadas atrás…) ou ao medicamento que cura a hepatite C. A discussão sobre as bases científicas da homeopatia – uma das “terapias alternativas” mais divulgadas – travada há cerca de um ano no jornal Público, mostra que essa falta de cultura e rigor atinge mesmo alguns dos nossos intelectuais que, apesar do prestígio alcançado nas respectivas carreiras, abandonam o respeito pela Ciência e pelos seus métodos, assumindo convictas posições de fé, dispensando provas e racionalidade. Na Ciência, contudo, o simples argumento da autoridade não conta. E, como bem referiram nesse debate Carlos Fiolhais e David Marçal, “os cientistas podem ter opiniões mas a Ciência não é as opiniões dos cientistas” (Público 25-2-2015), porque é preciso provas que os seus pares possam confirmar. Caso exemplar dessa dissociada atitude entre a ciência e a fé, é o de Steve Jobs, o mago da investigação computacional da Apple que morreu com um tipo de cancro do pâncreas tratável e curável por se ter fiado nas “medicinas alternativas” (dieta vegan, acupunctura, remédios “naturais”), tendo-se arrependido quando já era tarde.

Infelizmente há uma tendência em apenas aceitar a ciência como meio de vida e que quem não o fizer só pode estar contra a ciência, algo que parece um pouco extremista, quase a roçar um Estalinismo científico. Não existem dúvidas no benefício da ciência, mas também conseguimos compreender que nem tudo é feito de ciência. Até a economia é ciência, tão bem fundamentada que conseguiu gerar a crise de 2012 que ainda hoje estamos a pagar por ela. Também os medicamentos são estudados cientificamente e os seus efeitos colaterais…

Sobre Steve Jobs é um exemplo claro que não devemos abandonar o tratamento convencional. Mas quem sugere que isso seja feito? É por isso mesmo que deve haver inteligência e não oportunismo. Aqui sim ainda falta muito esclarecimento. Falando de Reiki, nunca em caso algum e isso é bem claro no código deontológico, que alguém deve deixar de ser acompanhado pelo médico da especialidade, ou que não deve procurar um médico caso tenha um problema. Então onde está a questão? Se o terapeuta de Reiki é correcto, não existe questão.

Como então afirmou o Dr. Barrie Cassiled, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, “a sua fé nas medicinas alternativas custou-lhe a vida”. A ideia base da homeopatia de que uma substância infinitamente diluída mantém a suas propriedades graças a uma “memória da água”, formulada em meados do século dezanove, desafia as leis da Física e da Química e nunca provou a sua eficácia nem a reprodutibilidade dos seus alegados efeitos. Em Março de 2015, o National Health and Medical Research (NHMR), organismo oficial australiano, após análise de 1.800 artigos, considerou que “não havia estudos de boa qualidade e bem desenhados com um número suficiente de participantes para suportar a ideia de que a homeopatia tem melhores resultados que um placebo”. A NHMR salienta que o estudo utilizou “métodos internacionalmente aceites para avaliar a qualidade e a fidelidade do grau de evidência” e “atendeu às diversas visões sobre este tópico e o público foi convidado a submeter informações ou provas tendo sido todas analisadas pela Comissão que efectuou o estudo”. Por seu lado, o National Center for Complementary and Intergrative Health (NCCIH), dos Estados Unidos, afirmou em 2015 que “há poucas provas que suportem a homeopatia como tratamento para qualquer condição específica” chamando a atenção para que “alguns produtos rotulados de homeopáticos contêm quantidades significativas de substâncias activas e por isso podem causar danos colaterais”. Já em 2005, a prestigiada revista Lancet tinha proposto que se acabasse com a perda de tempo e de dinheiro em investigações a essa “terapia” uma vez que, ironizava, “quanto mais se diluem as provas a favor da Homeopatia mais parece crescer a sua popularidade”. Mais recentemente, em Novembro de 2016, a Federal Trade Commition, dos USA, decidiu que os medicamentos homeopáticos devem ter avisos sobre a sua (nula) eficácia, referindo que “em mais de dois séculos esse método não provou ser mais eficaz do que tomar um gole de água com açúcar”. Apesar disso, a indústria homeopática atinge, nos USA, um valor próximo dos mil milhões de euros (1,2 biliões de dólares), o que explica a força desse lobby na sua divulgação. E que dizer de outras “alternativas”, como a acupunctura, a fitoterapia, a medicina tradicional chinesa, a naturopatia, a osteopatia ou a quiropraxia, referidas (com a homeopatia) na lei 45/2003 que pretende “estabelecer o enquadramento da actividade do exercício dos profissionais que aplicam terapêuticas não convencionais”?

Portanto existem lobbies… só do campo alternativo? Então lobbies são grupos de pressão e se existem no campo da ciência, qual a necessidade se a ciência é obvia e claramente boa para todos? Aqui já entramos em campos que nada tem a ver com a nossa prática e que cada vez mais nos fazem ter vontade de estar bem longe de enredos e políticas que nada têm a ver com algo que é simples – cuidar de uma pessoa ou ajudar uma pessoa a cuidar de si, como forma de caminho complementar. Olhar e respeitar uma pessoa como ela é, uma pessoa e não apenas um conjunto de átomos, ou tecidos, ou órgãos onde um químico servirá para isto e outro químico servirá para diminuir o efeito secundário do primeiro e mais um terceiro para… Vale a pena observar o documentário Resurface, da Netflix. Um veterano de guerra mostra a sua farmácia… Por outro lado, mostra o que o Surf tem feito por ele. A questão é que surf não é ciência.

Delas, como também da Homotoxicologia, Bromatologia, Biotrofologia, Iridologia, Hipnologia (a lista parece infindável), pouco há a aproveitar, mas o que tinha alguma lógica e eventual eficácia foi testado e investigado, porque uma boa parte do que se faz na Medicina ou se sintetiza nos laboratórios químicos “convencionais”, começou na natureza com o conhecimento empírico e tosco de outros tempos, tanto do Ocidente como do Oriente. Prova de que quando há verdadeira eficácia a medicina “clássica” também a aproveita sem preconceitos, a acupunctura deve ser diferenciada de outras “terapias naturais” ou “orientais” que nada fazem, por desempenhar um papel no tratamento da dor e da ansiedade, embora não se deva alargar a sua indicação a outros sintomas ou patologias, ao contrário do que tantas vezes acontece. Há cerca de quarenta anos, em Londres, tive a oportunidade de ouvir a conferência de dois médicos que tinham estado alguns anos na China a investigar os efeitos da acupunctura, tendo chegado à conclusão de que originava uma libertação de endorfinas, substâncias químicas que aliviam a dor e causam bem-estar. E esse é o seu campo de actuação que não se deve estender abusivamente a outros em que a sua eficácia nunca foi comprovada. E quanto à osteopatia, criada nos USA em 1874, e à quiropraxia surgida também nos USA poucos anos depois (1895)? Na realidade, desde há muito a medicina “convencional” reconhece e utiliza as massagens e manipulações da coluna para melhorar ou aliviar uma percentagem significativa de dores lombares ou cervicais, como também usa a mobilização e massagem dos membros para melhorar a circulação, actos que, para muitos, se confundem com a osteopatia e a quiropraxia, retirando-lhes o especulativo âmbito original de tratamento de outras maleitas (ex: tumores, doenças gástricas, intestinais ou respiratórias) através da manipulação vertebral, só compreensível pelo baixo nível de conhecimento médico e científico da altura. E há, naturalmente, que considerar o “efeito de placebo”, também ele estudado e usado pela medicina “clássica”.

Uma experiência há quarenta anos é já um clássico, se pensarmos que uma média de vida poderá ser os oitenta anos, possivelmente já qualquer coisa de fundamento terá sido feito sobre essas áreas. Mas sobre o campo da acupuntura e osteopatia, nada sei, portanto não poderei emitir uma opinião fundada.

Contudo, nenhuma metástase vertebral ou escoliose idiopática progressiva irão melhorar com o espetar de agulhas, massagens ou manipulações vertebrais. Assim com nenhum carcinoma do intestino poderá melhorar com chás naturais ou massagens no abdómen.

E que tal se pensarmos que uma terapia ou medicina complementar servirá para ajudar a pessoa em sofrimento? Ou será que o carcinoma existe, mas a pessoa não sofre? Ou apenas o sofrimento dela é melhor passar com inibidores de emoções? Sem conhecer a experiência pessoal do autor do artigo de opinião, posso dizer que pela minha experiência pessoal agradece-se toda a ajuda e mais alguma para que haja um pouco de paz interior e alívio do sofrimento. Não é alívio da dor, é do sofrimento, porque as pessoas sofrem, curiosamente existe um livro intitulado “Prazer e Sofrimento no Trabalho do Enfermeiro Hospitalar”, de Marco Aurélio Ramos de Almeida, mas não sei se sofrimento está comprovado cientificamente.

Para caucionar as “medicinas alternativas”, é por vezes falaciosamente invocada a posição da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre Medicinas Tradicionais e Complementares. Mas quem leia o relatório da OMS de 2014, compreenderá facilmente que esta organização nunca abandona uma abordagem científica dos cuidados de saúde considerados numa perspectiva global, sublinhando o importante papel da medicina tradicional numa extensa parte do mundo que tem níveis de desenvolvimento muito baixos e em que a maior parte da população não tem acesso a uma assistência médica moderna e especializada, nem a cultura de a utilizar.

Da mesma forma, a OMS não pode “reconhecer” uma medicina tradicional ou não convencional, como por vezes se crê, isso compete a cada governo de cada país por si. Mas concordo, por vezes é usado abusivamente a posição da OMS, que nada tem a ver com as decisões que cada país deve tomar por si, democraticamente, espera-se.

Como afirmou a Directora Geral da OMS, “Nos contextos em que a medicina tradicional possui sólidas raízes históricas e culturais […] é inquestionável que esta modalidade de atenção mitiga as queixas, trata muitas afecções comuns, reduz o sofrimento e alivia a dor. Além do mais, reduz o congestionamento nas clínicas e salas de urgência provocado pela afluência dessas pessoas que padecem de queixas ou doenças sem gravidade…

Contudo, estas vantagens contribuem para uma crítica à medicina tradicional: a crença de que os curandeiros tradicionais são a primeira e mais eficaz linha de defesa contra alterações e doenças, pode provocar emergências médicas graves que comprometam a vida humana, em especial quando esta crença impede ou atrasa o acesso à medicina clássica” (OMS, Margaret Chan, Agosto de 2015).

Mas e as vacinas contra a gripe? Os efeitos secundário, os casos que falham e as pessoas passam muito tempo com sintomas, são indicados como coincidências, mas poderão ser muitas coincidências.

Também as “medicinas complementares” (não baseadas nas tradições populares) são referidas no relatório da OMS no mesmo item das medicinas tradicionais, no sentido de deverem ser regulamentadas e controladas dentro do contexto específico de cada país ou região. Nada justifica, por isso, que em Portugal e no século XXI, no noticiário da RTP de 22 de Julho de 2016, um representante da Direcção-Geral de Saúde, instituição que devia constituir, por vocação e obrigação, um inabalável reduto da defesa dos métodos científicos de controlo e de prova e da Ciência Médica, se descredibilize referindo que essas terapias se baseiam em “outras cientificidades” – como se houvesse um outro conhecimento científico, um outro método que dispensasse a prova, uma outra Ciência (talvez baseada na fé?…). O representante da DGS devia saber que regulamentar e controlar é muito diferente de “cientificizar” e credibilizar. Ao contrário do que acontece em muitos países desenvolvidos em que as “terapias alternativas” estão a ser combatidas e vêem definhar os apoios estatais, Portugal parece querer enveredar por um caminho inverso. Como se pode propor (artigo 3º da lei 45/2003) a “promoção da investigação científica nas diferentes áreas das terapêuticas não convencionais”, quando é a própria investigação científica que desmente a existência de qualquer lógica e enquadramento científicos em praticamente todas elas, como atrás foi exposto mais detalhadamente em relação à homeopatia? Com que autoridade se podem responsabilizar médicos e outros profissionais de Saúde que não apliquem o “estado da arte” do conhecimento científico “clássico”, se todos estes “terapeutas alternativos” (equiparados a médicos pelo representante da DGS!…) podem usar “outras cientificidades” à vontade, num regabofe de delirantes “terapias” sem qualquer validação ou controlo? Espero, para bem de todos, que os arquitectos que projectaram os edifícios da Direcção Geral de Saúde e da RTP não tenham seguido essas “outras cientificidades” de que o representante da DGS falou. Se não, qualquer dia, o tecto cai-lhes em cima…

É por isso mesmo que Reiki nada tem a ver com medicina ou com a necessidade de ser aprovado cientificamente. Há sim pessoas que estudam os efeitos de Reiki, de forma científica e com um propósito. Uns para que se compreenda um pouco mais o que é isto de energia, outros para que se possa descredibilizar de vez as práticas com energia.

É por isso mesmo que também não devemos entrar neste tipo de tentativas de credibilização pela ciência se a “ciência” não pretende que tal aconteça. De facto é uma realidade, para que é preciso haver credibilização se isso apenas fará com que surja perseguição e fomento de incompreensão?

Um exemplo muito claro disso é ouvir dizer em plena conferência sobre as Medicinas Integrativas que a acupuntura é perigosa, mata! Mas que se for feita por um médico já pode ser benéfica. Será que um dia também vamos ouvir dizer que Reiki é perigoso e mata, mas que se for feito por um médico é benéfico? Muito possivelmente porque já existem movimentos de restrição e exclusividade da prática em alguns ambientes. Ou seja, alguém aprende Reiki num fim-de-semana, mas por ser profissional de saúde é automaticamente isento. Mas quem é praticante há anos, nunca o poderá fazer. É por isso mesmo que devemos separar “as águas”. Um praticante de Reiki não se equipara a um profissional de saúde como hoje em dia se interpreta a profissão. Então o que será um praticante de Reiki ou um terapeuta de Reiki, ou um voluntário em terapia Reiki? É isso mesmo que ele é, um praticante, um terapeuta, um voluntário, dentro daquilo que é um método, criado em 1922, no Japão e ponto final. Um médico pode vir a ser um praticante de Reiki, um praticante de Reiki nada tem a ver com um médico, a não ser que estude para isso. No entanto, também convém que para se considerar praticante de Reiki o profissional de saúde se aplique e estude, pois não é num fim-de-semana que alcança a compreensão e proficiência na prática, muito longe disso.

P.S.- Já depois de este artigo ter sido escrito, aconteceu o lamentável episódio dos casos de sarampo, consequência directa ou indirecta de infundadas e aberrantes ideias antivacina que, infelizmente, foram entrando na moda. Trata-se apenas de uma pequena amostra do desastre a que nos pode levar a falta de uma constante e coerente pedagogia dos média (e das autoridades da Saúde) que sublinhe e reforce, junto da população, o valor do conhecimento científico, sem transigir com crenças e expressões de fé, próprios da maior ou menor religiosidade de cada um, mas que, como é evidente, não pertencem ao mesmo campeonato.

Foi lamentável, mas também é lamentável estar a pisar as pessoas e não reforçar a necessidade de compreender o surto que surgiu em outros países além de Portugal. Este oportunismo cínico, para valorizar o “conhecimento científico” é o mesmo de ouvi há uns anos atrás? “ah, já morreu? não sabia… pois…”. O médico passou a desconhecer a pessoa desde que passou do consultório privado para o público, felizmente os enfermeiros cuidaram até ao fim.

Resumindo:

  • Existe um grande respeito e deve sempre existir, pelos profissionais de saúde;
  • Reiki não se pretende estar dentro da mesma área, não há que ter medo de concorrência;
  • Reiki não pretende ter lobbies, pois tal iria contra a sua filosofia de vida. Sabendo isto percebe-se que Reiki não é para usar batas em hospitais ou centros de saúde;
  • Deve existir um equilíbrio no campo cientifico muito necessário – o de reconhecer a pessoa como sendo uma pessoa. Ela não é uma doença, ela não é um doente, é uma pessoa que atravessa um momento e esse momento requer uma atenção que possa aliviar todo e qualquer sofrimento dessa pessoa, pois ninguém merece viver em sofrimento;
  • Devemos todos escutar quem está a sofrer e não apenas querer defender ideias, ideologias, próprias;
  • Devemos saber que há algo que deve estar acima de lobbies – a saúde pública, o bem estar de todos, uma vida sem sofrimento. Cartesianamente falando, será que é isso que acontece hoje em dia?
  • Reiki não é uma moda, não queiram aprender Reiki para ver o que é;
  • Existem muitos médicos e enfermeiros a fazerem um excelente trabalho no apoio à pessoa e apoiar o melhor possível com práticas integrativas. Que possam ter força no seu trabalho e consciência humana.

* resumo do artigo original publicado no jornal on line AbrilAbril

Fonte: Revista Ordem dos Médicos 181