Voltar a nós mesmos – um brado na meditação

No início da meditação Chan, em Kaohsiung, todos nos sentavamos em silêncio, recolhidos ainda no corpo que não tinha totalmente acordado, banhados pela luz difusa que entrava pelas pequenas janelas. Os olhos semicerrados, as mãos em posição. O Mestre Supervisor bravada algo como “FUUUUUUUUU”, um som poderoso, assustador. Em cada corredor, passava rapidamente um Mestre com a sua espada de madeira e iniciavamos mais um período de meditação.

A este brado vigoroso, chama-se He em chinês ou Katsu em japonês 喝. Ele serve para acordar a consciência e trazê-la ao aqui e agora, ao momento presente. À espada de madeira dá-se o nome de Xiang Ban ou Keisaku 警策, é a espada que corta as amarras da nossa ignorância.

A meditação é o voltar a nós mesmos

Apesar de o brado e a espada serem acessórios, eles indicam a predisposição e condições que devemos criar na meditação – a entrega, o estar, o despertar da consciência. Com a meditação, encontramos o espaço e tempo necessários para esvaziarmos o peso interior, cessar o constante fluxo de pensamentos e promover um mente luminosa, num coração compassivo.

Quando fores meditar, entrega-te. Solta um brado interior que te traga ao momento presente, corta as amarras das ilusões e apegos externos. Entrega-te. Este é o momento de geração e presença da consciência. Vale a pena meditares.

1 thought on “Voltar a nós mesmos – um brado na meditação”

  1. Olá, João Magalhães
    Esta breve descrição sobre este momento único de entrega na meditação, levou- me a um lugar fantástico onde só consigo transportar – me quando estou a ler ( um dos prazeres que tenho), e me entrego totalmente à história,desempenhando um papel activo.
    O mesmo aconteceu,com este pequeno trecho…
    Soube a pouco,mas foi tão intenso e maravilhoso.
    Grata por esta viagem.

    Sara Chaves

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