Porque já não nos importa aquilo que alcançamos no caminho para a felicidade e paz duradoura

Um praticante de Reiki segue o caminho da Arte Secreta de Convidar a Felicidade. Ao longo desse caminho, vai tendo uma percepção das coisas que não estão bem em si, da interligação com os outros, do próprio caminho do mundo. O praticante, compreende que ele faz esse caminho para encontrar a felicidade e a paz duradoura, que isso é o que há de mais valioso, precioso e humano. Ao procurarmos a felicidade, correctamente, estamos num caminho de despertar, elevação da consciência, iluminação.

Ao longo do nosso crescimento, teremos vários momentos de consciência. Por vezes teremos gosto em apreciar o nosso crescimento e principalmente que os outros o apreciem. Não é errado e faz parte, é uma lição. Depois, começamos a ter o entendimento correcto que não precisamos da necessidade de ter apreciação e louvor por parte dos outros. O Sutra do Diamante, um texto budista, tem uma interpretação muito interessante deste aspecto, relatada por um dos dez discípulos principais de Buda, cujo nome é Subhuti, cujo nome significa Boa Existência e que se tornou um perito em compreender o vazio.

Subhuti, o que pensais, pode um santo dizer a si mesmo ‘eu obtive a perfeita e completa iluminação?’”. Subhuti diz “não, honrado pelo mundo, porque não há nenhuma condição tal como perfeita iluminação. Se um santo de perfeita iluminação disser ‘eu sou perfeitamente iluminado’, ele necessariamente participaria da ideia de uma ego entidade, um ser ou uma individualidade separada”. Vajracchedika Sutra

Este conceito vai de acordo com o interser, com todos estarmos interligados e “dependentes” uns dos outros, de todas as coisas, não havendo uma necessidade de destaque, por parte própria, em relação aos outros. Por exemplo, um Mestre de Reiki pode querer destacar-se de um outro praticante, indicando-se como Mestre de Reiki, mas não se reconhecendo como tendo o nível 3 de Reiki. Subhuti continua o seu discurso e ajuda-nos a compreender melhor o desapego e a iluminação:

Honrado pelo mundo [diz Subhuti], quando Buda declara que eu sobressaio entre os homens santos na yoga da perfeita aquiescência, na atitude recolhida e na superação das paixões, eu não digo para mim mesmo ‘eu sou um santo de perfeita iluminação, livre de paixões, honrado pelo mundo’, se eu dissesse para mim mesmo isso, vós não poderias declarar: ‘Subhuti encontrou felicidade abrigando-se na paz em reclusão, no coração da floresta’. É por isso que Subhuti não reside em lugar nenhum, portanto ele é chamado ‘Subhuti: o feliz, abrigado na paz, residente na reclusão da floresta'”

É por isso mesmo que existem muitas pessoas que são iluminadas e ninguém as conhece e, numa postura natural da sua vida, não lhes faz qualquer sentido dizer que estão acima de algo, ou que alcançaram algo, tanto que o que alcançaram faz parte de todos e na verdade, o seu desejo é encontrar a mesma condição em todos os seres.

Esta história ajuda-nos a compreender que no Reiki não há uma verdadeira importância nos níveis. Eles representam técnica, prática e crescimento, mas a nossa atitude poderá não honrar o que cada um desses níveis representa. É por isso mesmo que tudo é uma certa aprendizagem e que essa mesma nos aproxima cada vez mais do entendimento de uns e de outros, para termos em nós mesmos felicidade e paz, para que as possamos levar aos outros.

2 thoughts on “Porque já não nos importa aquilo que alcançamos no caminho para a felicidade e paz duradoura”

  1. Olá João…tenho conhecido algumas pessoas no caminho do Reiki…alguns “mestres” , mas sempre tenho tido esta ideia: o verdadeiro mestre não se identifica como tal…contra mim falo, pois já me tenho identificado como mestre de Reiki com todo o ego possivel…e depois, quando me observo, tomo consciencia do que fiz e ups…deixas-te que o teu ego te dominasse…
    Quando alguem me fala de outro muito especial, que diz que tem “poderes”, que foi escolhido, etc., a minha resposta é logo que, o verdadeiro mestre não precisa dizer essas coisas. O verdadeiro mestre reconhecesse pelos seus actos…é por isso que cada vez me identifico mais com o teu pensamento e muito grata pelos teus ensinamentos…porque, sem mestre, tu tens sido o meu “farol”.
    O mais engraçado disto é que quando penso assim, às vezes questiono-me se estarei a ser egoista ao pensar que esta ou aquela pessoa não é mestre…e depois, vens tu com este artigo,que, para mim, fez todo o sentido e, afinal, o meu pensamento está correcto.
    ACTOS E NÃO PALAVRAS… Madre Teresa de Calcutá dizia que eram mais santas as mãos que ajudavam do que as que rezavam…
    Namastê amigo…aquele abraço. Bertila

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