A compaixão é um termo já tão amplamente usado como o era a misericórdia, a piedade e o amor incondicional. Hoje em dia, muito trabalhamos para a compaixão e vemos essa virtude a ser desenvolvida na prática de Reiki, Karuna e Meditação.

Um grande mestre dizia que quando a mente estava vazia, o coração preenchia-se. Isto significa que quando nos desapegamos dos pensamentos, do desejo, das emoções, que o nosso coração atinge o seu estado natural de paz tendo como cada pulsar um amor verdadeiro pela vida. Esta vida é representada por todos os seres, incluindo o planeta onde habitamos. No fundo, este amor verdadeiro pela vida é a compreensão da própria vida.

Infelizmente, na vida, não encontramos apenas Amor mas muito sofrimento. Sabemos que ele existe, nem sempre compreendemos a sua causa, nem sempre sabemos como o podemos evitar ou ultrapassar. Então surge a compaixão, que é a vontade, é um voto. Esta é a vontade de libertar todos os seres sencientes do sofrimento, ou seja, auxiliar o meu próximo perante o seu sofrimento. Para que isto aconteça, precisamos tomar vários passos na nossa própria vida – estarmos conscientes é o primeiro deles, libertarmo-nos do nosso próprio sofrimento é o segundo e o terceiro é realmente compreender a compaixão e os seus vários níveis.

Estar consciente significa que me compreendo e entendo o meu percurso de vida. Fazendo-o compreendo também o percurso dos outros e o nosso interrelacionamento. Assim, sei que devo deixar o sofrimento e para tal, tenho que compreender os meus desejos, entender que eles trazem sofrimento. Entrando nesse caminho, soube ter compaixão por mim mesmo e como tal, prosseguirei com essa mesma compaixão para todos aqueles que a queiram. Os vários níveis de compaixão têm a ver com o nosso compromisso perante a vida.

A consciência, o estar desperto, é sem dúvida uma parte fulcral na compaixão pois senão, o meu papel poderá ser apenas o de conivência. Isto quer dizer que não estarei a aliviar sofrimento algum, muitas vezes estarei sim a proporcionar um ainda maior, criando a ilusão de um estado de bem-estar, segurança e felicidade para comigo ou para com o outro. Desta forma, precisamos estar muito atentos ao nosso estado de conivência que é apenas uma forma ilusória de compaixão. Mas, muitas palavras não irão ajudar-te a compreender a diferença, por isso mesmo é preciso que te questiones e pratiques três simples passos:

  1. Está consciente dos teus actos, pensamentos e sentimentos;
  2. Desenvolve a compaixão por ti mesmo;
  3. Só depois, desenvolve a compaixão pelos outros, compreendendo o desapego.

O percurso não é fácil mas traz uma incrível liberdade. A compaixão é uma responsabilização para com a vida. Se eu vivo, de que forma hei-de agradecer por essa vida?