O desapego da procura na meditação
A procura pode trazer-nos apego e esse, sabemos, traz-nos sofrimento quer pela ansiedade, pela frustração ou pelo simples desejo de mais. Como podemos, no nosso crescimento pessoal, tão cheio de perguntas, meditar e não nos apegar ao resultado?
O desapego da procura na meditação
Dizia Henry Miller que «ao expandirmos o campo do conhecimento apenas aumentamos o horizonte da ignorância». Ou seja, quanto mais sabemos ou mais queremos saber, mais perguntas surgirão. Então, podemos tentar ver algo que nos auxiliará no nosso desapego – o contentamento. Ficar feliz por algo é importante, principalmente quando essa felicidade é bem colocada. Neste caso, não precisamos ficar felizes pelo resultado, isso traz-nos apenas expectativa mas, pelo contrário, podemos ficar felizes pela capacidade de colocar perguntas, pelo caminho que estamos a percorrer. Já pensaste que no meio da tua frustração está algo de extraordinário? É a tua própria capacidade de colocar questões, interrogar, sentir, querer, seguir. É neste contentamento que iremos pegar para trabalhar o desapego na procura.
Se quiseres, realiza os exercícios que fizemos ontem, na procura de nós mesmos. Reserva o teu tempo, pelo menos 15 minutos e um espaço que te seja agradável. Tenta não colocar música, fica apenas contigo mesmo, sem teres que ter «companhia». Nesta meditação, vais tentar criar felicidade por colocar uma pergunta e depois, abandonar essa mesma pergunta.
- Inicia este processo com inspirações e expirações profundas mas sem te causar esforço. Sente como o ar entra para o teu corpo e te preenche de vida e sente como ele sai e te torna mais leve;
- Esvazia a mente, como se fosse uma sala que ficasse vazia e coloca-te no seu centro. Sente como é bom estares nesse momento vazio e permanece nele;
- Mantém-te na respiração profunda e no vazio da mente por algum tempo;
- Sente-te, sente o teu corpo e o teu interior, a tua essência;
- Sente-te feliz porque vais colocar uma pergunta. Sente essa felicidade a iluminar o teu sorriso e o rosto, a expandir-se por todo o corpo;
- Coloca interiormente a questão que tens, como se fosse uma pergunta que envias para o universo, para a própria vida que te alimenta;
- Mantém-te no silêncio e deixa que os teus lábios sorriam;
- Imagina que o teu rosto se ilumina, como se tivesses uma pele feita de sol;
- Sente o mesmo para os teus braços e mãos; para o peito e costas; abdómen, bacia; pernas e pés. Sente todo o teu corpo iluminado;
- Se ainda estás «preso» à tua pergunta, imagina que ela se transforma em pequenas estrelas luminosas que desaparecem no céu;
- Permanece tranquilo, na tua respiração profunda, na sala vazia e no brilho da tua pele;
- Quando quiseres terminar, agradece.


Um comentário
Maria Filomena Franco de Almeida Pessanha Isidoro
que marasvilha.Obrigada João <3