Meditação e compaixão segundo Chagdud Tulku Rinpoche

Podemos dizer que meditação e compaixão estão intimamente relacionadas, interligadas e, de certa forma, uma é a forma que faz a outra crescer. Com a meditação, olhamos para a nossa condição, compreendemos quem somos, crescemos como o observador e como Ser Humano. Transformamos as emoções negativas e desenvolvemos um sentido para a felicidade e paz duradoura. A compaixão leva-nos a querer terminar o sofrimento dos outros, sendo muitas vezes uma virtude desperta pela meditação (consciente ou inconsciente). Todos sabemos, no nosso íntimo, que a verdadeira felicidade apenas pode ser atingida quando todos a atingirem. O Rinpoche Chagdud fala-nos sobre a Compaixão e a Meditação, de uma forma simples, como caminho para a felicidade e paz da mente e coração.

“Quando olhas para as condições dos outros, sentes compaixão. Compaixão significa desejar que o sofrimento dos outros possa terminar. Ter compaixão cultiva as boas qualidades dentro de ti e ajuda-te a perceber a tua própria boa fortuna. Os problemas, embora reais, não são esmagadores; tu podes lidar com eles. Saber isso libertará algum do stress e da tensão na tua vida.

Se contemplares como é estar na pele dos outros seres e então voltares à tua própria experiência da realidade, encontrarás tranquilidade na mente — um lugar onde há conforto e calma, onde percebes que os teus problemas não são tão esmagadores. Deixa a tua mente descansar nesta tranquilidade tanto quanto dure. Quando a agitação, as inquietações e preocupações surgirem de novo, volta os pensamentos de regresso às condições dos outros. Então, vai ao lugar da calma e relaxa. Este é um tipo de meditação.

Compaixão e Meditação segundo Chagdud Tulku ལྕགས་མདུད་
Compaixão e Meditação segundo Chagdud Tulku ལྕགས་མདུད་

A meditação tem dois propósitos: remover a ilusão da mente e então acentuar o que é natural na mente. Muitas pessoas pensam que meditação significa limpar a lousa da mente e sentar tranquilamente sem pensamentos, até que experimentam algo agradável. Este tipo de meditação pode ser feita por um curto período de tempo, mas há muito mais do que isto a ser feito. Uma mente descansada e confortável é algo que cultivamos. Não é um estado de relaxamento que impomos à força numa mente perturbada.

Essencialmente, há duas coisas que nos sobrecarregam e nos causam uma falta de paz: medo e esperança. Essas emoções estão constantemente a empurrar-nos, puxando-nos para uma direcção e depois para outra. Tememos isto ou queremos aquilo todo o tempo. Sentar em quietude por algum tempo ajuda, mas não produz mudança durável.

O que produz uma transformação profunda começa com a contemplação. A nossa mente ordinária é como uma fita que passa num gravador. Já foi gravada com os pensamentos e com a fala de todos à nossa volta — os pais, professores, colegas de trabalho. Todas as nossas experiências de vida estão na fita. Quando sentamos e meditamos por um instante, é como colocar o gravador em “pausa”. Mas logo que paramos de meditar — tão logo o botão de “pausa” é desapertado — o mesmo velho barulho começa a tocar de novo pela nossa mente e novamente somos empurrados e puxados sem socorro pela esperança e pelo medo.”

Chagdud Tulku Rinpoche

De facto a meditação não pode ter só um papel de encontro com o vazio. Este é importante para adquirirmos consciência mas a mesma deve ser trabalhada perante os desafios da vida quotidiana e dos pensamentos e emoções resultantes. Meditar é também tratar.

A Meditação Terapêutica Integral une perspectivas de vários sistemas de meditação, praticados ao longo de mais de 20 anos para trazer equilíbrio, harmonia e percursos terapêuticos.
A Meditação Terapêutica Integral une perspectivas de vários sistemas de meditação, praticados ao longo de mais de 20 anos para trazer equilíbrio, harmonia e percursos terapêuticos.

1 thought on “Meditação e compaixão segundo Chagdud Tulku Rinpoche”

  1. Angela Vescovi

    _/\_ Chagdud Rinpoche, um dos meus Mestres ! O artigo está exelente! No Yoga alguns autores tratam os Yamas e Nyamas ( a questão ética consigo mesmo e com a sociedade), sobre este parâmetro: sem compaixão não há ética! Namastê!

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