Em Portugal temos vários sistemas de Reiki. Eles representam os diferentes tipos de ensinamento, algumas vezes com contextos e finalidades diferentes mas, com o mesmo tipo de base – o Usui Reiki Ryoho.

Para falarmos de Reiki, temos que compreender a sua origem. Podemos encontrar as palavras do Mestre Usui, na tradução do seu manual, o Usui Reiki Ryoho Hikkei. O entrevistador pergunta-lhe «como funciona o Usui Reiki Ryoho?» e o Mestre dá uma resposta clara «Eu nunca recebi este método por ninguém, nem estudei para obter algum poder ou energia para curar. Acidentalmente percebi que recebi o poder de cura quando senti o ar de forma misteriosa durante o jejum. Então, tenho dificuldade em explicar exatamente o mesmo, apesar de ser o fundador.»

Por aqui conseguimos esclarecer alguns mitos:

  1. Mito – «Reiki é uma prática milenar» – O Reiki em si não, segundo o que o Mestre Usui diz. Prática milenar é a invocação de energia e cura de outros através da mesma. Basta ver uma prática budista, encontrada no ano 900, muito similar ao que fazemos no Reiki, no entanto, não era chamada de Reiji mas sim Kaji.
  2. Mito – «Mikao Usui procurou em muitas terras como curar» – Segundo o próprio «Eu nunca recebi este método por ninguém, nem estudei para obter algum poder ou energia para curar.»

mikao-usui-2Tendo em conta, no mínimo, estes dois pontos, se queremos falar de Reiki temos que pegar no que foi ensinado por Mikao Usui, como ponto de partida e o seu ensinamento foi primeiramente intitulado Usui Do (a maneira de fazer Usui) e depois chamado de Usui Reiki Ryoho.

Sabemos que quem conta um conto, acrescenta um ponto, por isso não existe uma história exacta, ela vai-se construindo e isso deve servir como perspectiva de sabedoria, tendo uma postura de humildade – ninguém é o detentor da verdade ou daquilo que verdadeiramente o Mestre Usui teve como percepção. Por aí, devemos respeitar todos os sistemas e ensinamentos.

Sabemos também que Reiki é vivido de uma forma muito interior, logo, ao ser ensinado, é-o também de uma forma muito interior. Vemos o caso do Mestre Hayashi, que fez a sua própria escola, ou de Toshihiro Egushi que tinha ideias próprias sobre o tratamento e rituais com os alunos que posteriormente aplicou no seu Teno Hira Ryoji (curiosamente muito assente sobre os gyosei do Imperador Meiji).

Alguns dos sistemas de Reiki mais populares em Portugal

A Portugal chegaram, em primeiro lugar, duas linhas – a do Reiki tibetano (Canadá e Estados Unidos) e a do Reiki essencial (mais comum no Brasil). Cada uma delas, com símbolos diferentes no terceiro nível e por vezes até com diferenças no primeiro símbolo. A história era a contada pela Mestre Takata «Mikao Usui era um padre cristão» e tudo era mais simples. Sem nomes para técnicas e muitas vezes sem técnicas. Os princípios do Reiki não eram a base da prática mas sim o tratamento que este fornecia. Muitos procuravam o Reiki porque permitiria curar outros.

Depois dos anos 2000 temos já várias linhas de sistemas, com a vinda de Mestres estrangeiros:

  • Reiki Essencial / Usui Shiki Ryoho
  • Reiki Tradicional / Usui Reiki Ryoho
  • Reiki Tibetano
  • Jikiden Reiki

Depois começaram a surgir muitos mais, com a divulgação via internet e as sintonizações à distância, como o Reiki Ouro, Reiki dos Golfinho, Lightarian Reiki, Celtic Reiki, entre centenas de outros.

Será que existem diferenças nos sistemas de Reiki?

Sim, existem e podem ser bastantes as diferenças.

As maiores estão assentes sobre a história do Reiki, os “complementos” ensinados além do Reiki, novos símbolos fora do Usui Reiki Ryoho e níveis de ensino.

Se isso é realmente importante? Não, não é na medida em que tudo evolui e o saber não ocupa lugar. Mas, poderá ter se for uma desvirtuação do que é a base do Reiki meramente para usar o Reiki, que tem vindo a fazer o seu caminho para a credibilização, como plataforma válida para outros ensinamentos e práticas que nada têm a ver.

Há algum sistema melhor que outro?

Não. O ideal é o praticante praticar Reiki e o Mestre ensinar Reiki.

Cada vez mais alguns mestres dos sistemas comuns (os quatro indicados acima) têm adicionado e refrescado as informações sobre o que é Reiki e as técnicas existentes. Podemos dizer que, hoje em dia, há informação mais que disponível sobre esses temas e só mesmo quem quer ficar agarrado às heranças do passado é que assim se mantém. Essas opções devem ser respeitadas.

Cada pessoa tem mesmo uma forma própria de encarar o Reiki e cada um tem uma forma própria para transmitir aquilo que acredita, sabe e pratica. Mesmo alguém que aprenda com determinado Mestre ensinará de forma diferente desse Mestre, por isso não deve haver também um preconceito de credibilização ou descredibilização do praticante só por causa do seu Mestre. Isto tudo nem faz parte do Reiki, faz sim parte da sabedoria que a pessoa e que a sociedade deve atingir. Se queremos um Reiki respeitado, temos que ajudar na construção do seu respeito e para isso basta interiorizarmos os Gainen:

«O método secreto para convidar a felicidade
O remédio milagroso para todas as doenças.
Só por hoje, não te zanges,
Não te preocupes. Com apreço,
Faz o teu trabalho. Sê bondoso para as pessoas.
Na tua vida, faz gassho como a tua mente te lembra
(o Gainen).
Sistema Usui para ligação com o teu eu ancestral, através do corpo-mente.
O fundador
Mikao Usui»

E lembrar as palavras de Mikao Usui «O meu Usui Reiki Ryoho é original, não há nada como isto no mundo. Eu gostava de lançar este método para o público, para benefício de todos e esperança para a felicidade de todos.»

Reiki é para todos, para o benefício de todos, na esperança que todos alcancem a felicidade 🙂