Reiki

Reiki é comércio, serviço ou doação?

Desde que iniciei a prática em 2000 que sempre me deparei com a grande questão – Reiki é comércio? Deve-se pagar, é gratuito?

Quando iniciei as minhas práticas de tratamento, aos 16 anos, o meu avô educou-me de uma forma exemplar que ainda hoje se traduz nos pilares do meu ser. A sua perspectiva, conforme a ele também lhe tinha sido ensinado é que o trabalho espiritual não deve ser pago, pois é-nos dado de forma gratuita. E assim, o que ele me ensinou, nas alturas que o pratico em outros, não cobro.

Depois encontrei o Reiki e no final do meu terceiro nível, dei consultas durante dois anos, num gabinete próprio, gratuitamente. Muitas lições aprendi ao longo desse tempo. Desde aqueles que consideravam que por ser gratuito eu não devia perceber o que fazia, outros que achavam que tomavam o meu tempo e por isso não me queriam ocupar, outros que sobreocupavam como se se tratasse de tomar uma aspirina.

Quando alguém me pergunta se o Reiki deve ser pago ou gratuito, ou se alguém tem posições mais extremistas quer para um lado quer para o outros, eu digo – “deixa estar que a vida vai-te mostrar”.

Reiki não pode existir sem doação – é amor incondicional. Nós não podemos viver sem comer e o supermercado não nos dá comida em troca de amor incondicional nem se aceita a renda pela mesma troca. Então, tudo deve ter um equilíbrio – viver com dignidade, sem excessos, viver com doação.

Ilustro a situação com outra perspectiva. A minha profissão é ser designer. Consideramos que é um trabalho mental e manual. Será? Não, é um trabalho que exige de mim tudo o que sou, tudo o que aprendi nas várias dimensões da minha vida, para cumprir um objectivo. É errado pensar que compartimentamos a vida – se fizermos tal, seremos infelizes. Não posso ter apenas um trabalho mental ou emocional ou espiritual – o trabalho é total. Quando nos empenhamos totalmente em algo, com toda a força e energia, aí sim fazemos a diferença. Portanto, se considerar que o trabalho espiritual não se paga, irei morrer à fome porque também não receberei pelo meu trabalho como designer.

No Reiki, não se paga a energia. Paga-se o tempo, as despesas, o saber. Ao longo destes anos nunca parei de estudar e aprender mais sobre Reiki e, por cada curso sempre paguei e honrei esse compromisso. Pelo que me foi dado, também honrei esse compromisso.

Há três meses que tenho vindo a estudar, em maior profundidade, a vida do Mestre Hayashi e Takata. Em vários estudos o Mestre Hayashi conta o desapontamento que Mikao Usui teve com os pedintes a quem doou Reiki – era mais fácil pedir, que ter de trabalhar de sol a sol. O próprio Mestre Hayashi não dava cursos gratuitos ou sessões gratuitas por achar que havia desvalorização do trabalho. A Mestre Takata também aprendeu por si várias lições, por ter ensinado gratuitamente e depois essas pessoas terem ido pedir a ela que tratasse dos filhos, quando eles o poderiam fazer. São histórias mas, quem está há tempo suficiente no Reiki e na sua vivência, conhece vários casos.

Na minha perspectiva, devemos em primeiro lugar saber cuidar de nós. Ter a cabeça e coração no lugar certo. Devemos compreender verdadeiramente o que é isso da espiritualidade, ser espiritual, ou ter um espírito. Devemos aprender a respeitarmo-nos e a respeitar os outros. Praticar, Pratica, Praticar. Doar, dar a quem mais precisa, dar sem pedir de volta mas ter isto bem assente e não num contexto de hipocrisia ou autoilusão que depois leva a descompensações emocionais. Cobrar quando entender, para sua sobrevivência, para poder continuar a fazer bem o seu trabalho e dar cada vez mais.

Por tudo isto, se Reiki é comércio, está na consciência de quem o está a fazer e a vida irá dar-lhe as melhores indicações sobre a acção. Se faz bem o que faz e por isso leva o seu preço e se sabe doar, então também a vida dará as suas respostas.

Só por hoje sou grato, por todas as minhas experiências.

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador da revista "Budismo, uma resposta ao sofrimento". Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

9 comentários

  • VERA RAMOS

    Meu irmão joão,
    Que Deus conserve a sua sabedoria , proteja sua trajetória para que sirvas de exemplo pra as pessoas que entram em contato contigo. Quanto ao tema, penso exatamente assim. Fui iniciada a primeira vez com o objetivo de doar o meu tempo disponível a pessoas necessitadas, e assim fiz por um bom tempo. Depois, veio a necessidade de ampliar os conhecimentos não só com o Reiki mas em outras terapias , entre elas várias técnicas de massagens terapêuticas. Nestas formações passei por dinâmicas que me fizeram entender que em todo trabalho feito com amor, dedicação, responsabilidade , tempo e custo , estamos doando a nossa energia e a energia divina que nos dá sabedoria , nos move, alimenta ,nos mantém vivos e que pra isso necessitamos também de cuidados e alimentos físicos .Portanto, o conceito de não cobrar pelos nossos serviços é um grande equívoco, fundamentado no passado, que dinheiro é sujo, e só nos despojando dele entraremos no Reino dos Céus… conceito estabelecido pelos governantes da época e se mantém no inconsciente coletivo da humanidade sendo muito difícil de ser trabalhado. Porém, o que não podemos é nos distanciarmos do equilíbrio e negar ajuda aqueles que necessitam e não podem pagar. Mesmo assim, é necessário estabelecer regras pra ser valorizado e nestes casos, somos pagos pelo bem estar que nos aquece a alma.
    Um forte abraço.
    VERA RAMOS

  • Célia Regina

    Li o texto com muita atenção, estudo e sei que é pago. E isso não me incomoda nem um pouco.
    Tem o seu valor e o dinheiro representa um valor.

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