Karuna

Karuna e compaixão

compassion_by_dorjejampel-d60ifkwKaruna significa compaixão, em tibetano diz-se Nying jé ou snying rje. Como temos cada vez mais presente a cultura oriental, olhamos com outros olhos para o que é compaixão. No jainismo, por exemplo, é vista como “amizade fraternal”, no budismo, como o chegar ao outro para que este atinja emoções positivas e mudança de atitude, vida. Na nossa cultura judaico-cristã, a compaixão era encarada como um misto de piedade, beatismo, onde muitas vezes a atitude é quase de “superioridade” em relação ao outro. Na sua compaixão, a pessoa ajuda o coitado mas, sem lhe querer trazer a mudança, apenas colmatando a sua necessidade – e isso não é compaixão.

Compaixão implica observação atenta, escuta atenta, compreender o outro e perceber o que o faria feliz (Feliz), de forma a, dentro do seu saber, o ajudar a mudar para alcançar a felicidade. Se é um desafio na questão de relações entre seres, é igualmente um desafio na prática de karuna.

Quando praticamos o tonglen, dar e receber, devemos firmar-nos no desapego. Na compaixão damos. Recebemos. Não retemos.

Não existe sofrimento na compaixão

Se ao praticar karuna, ou simplesmente ao ter um acto de compaixão, tal trouxer sofrimento ao praticante, então é porque não está a firma-se nos princípios da compaixão. O caminho de cada um é exclusivo. Podemos ajudá-lo nessa transformação mas não seremos nós que teremos a doença pela pessoa, a tristeza por ela, o sofrimento por ela. Senão, precisaremos também que alguém tenha compaixão por nós. Não estamos a ajudar na transformação, estamos apenas a contribuir para o aumento da necessidade de transformação.

Desapego na compaixão

Quando sabes quem és, o que és, o que necessitas, sabes quem é o próximo e o que ele necessita. Sabes que de nada adianta apegar às coisas e aos estados. Não te apegues à pessoa melhorar ou à pessoa agradecer – isso é apego e poderá trazer sofrimento. Será que necessitas de ter esse resultado ou feedback? Porquê?

É importante compreendermos os nossos apegos e “contratos” implícitos. Encontrar essa sabedoria ajudará a sermos mais equilibrados e felizes, autênticos geradores de compaixão.

Imagem: Dorge Jampel

Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e fundador da Ser - Cooperativa de Solidariedade Social. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki», «Reiki Usui», entre muitos outros. Fundador do Instituto Educação pela Paz. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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João Magalhães Reiki
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