Reiki no tratamento do cancro – uma terapia humanizadora

270979_346404275482920_714682297_nA 4 de Fevereiro, celebramos o Dia Mundial Contra o Cancro, uma lembrança desta doença que entre 2005 e 2013, foi responsável pela morte de 84 milhões de pessoas em todo o mundo. O sofrimento causado a quem é doente oncológico e às suas famílias é dos efeitos secundários mais devastadores e, muitas vezes, um grande contributo para o agravamento do estado clínico ou surgimento de outras doenças. O doente não deve ser encarado como a doença, ou como um número, a família não deve ser encarada como os transportadores, prestadores ou mensageiros. A saúde requer humanização. Esta humanização é uma ação exclusiva do ser humano, um tornar humano, uma transformação do estado de espírito. Numa ação que denota bondade, doação, troca de experiências (REMEN,1993)

Como podemos falar do Reiki no tratamento do cancro e como o abordar como uma terapia humanizadora?

Reiki é uma terapia complementar, no campo bioenergético e é uma filosofia de vida para os seus praticantes. Não requer crenças religiosas ou espirituais. Lidamos com energia. A espiritualidade, essa é de cada um, é própria do indivíduo, assim como a bondade e o amor incondicional, são transversais à humanidade mas praticados apenas por quem se identifica nesses valores.

A prática de Reiki é feita ao longo de três níveis de crescimento e desenvolvimento pessoal, nos quais, além do praticante aprender a trabalhar com Reiki e com as suas técnicas não invasivas, deve realizar profundas alterações em si mesmo e na sua consciência. Reiki é em primeiro lugar para o praticante.

Neste desenvolvimento pessoal é natural decorrer a necessidade de ir ao encontro do outro, do seu próximo, de quem necessita de ajuda e equilíbrio. Com o saber e experiência suficientes, o praticante pode aplicar Reiki nos outros e até iniciar uma via de doação pelo voluntariado ou profissional, sendo terapeuta. Muitas vezes estas duas vias coexistem e fazem sentido na mesma pessoa pois no Reiki há sempre um sentido de doação.

Reiki no tratamento do cancro é dizer apenas Reiki no equilíbrio das várias dimensões da pessoa. Não tratamos doenças, tratamos pessoas. A energia vital que flui, ela atua transversalmente em todas as dimensões da pessoa, os seus corpos físico, mental, emocional e espiritual. E como espiritual, entendemos a mais profunda consciência da pessoa, a sua identificação de si mesma além do corpo ou dos seus pensamentos.

Reiki é uma terapia de toque, é pessoal, é próxima. O seu aspeto humanizador vem exatamente daí, da envolvente relação de empatia, criada entre terapeuta e pessoa. Mesmo dentro da objetividade de uma sessão de Reiki, os nossos pilares e princípios estão sempre presentes.

A dúvida da eficácia

Muitas vezes surge a dúvida – será Reiki um placebo?

Possivelmente os pacientes oncológicos que já o receberam terão algo a dizer sobre isso.

“No final da sessão ele «sentiu- se mais leve mas acima de tudo mais relaxado.»
A partir desse dia, e a pedido dele disse-me que queria continuar com as sessões. Sentiu- se  melhor  física, emocional e espiritual.”

No Dana-Faber Cancer Institute o Reiki teve uma actuação positiva, na gestão de sintomas como dor, ansiedade, náusea e distúrbios de sono, nas mais de 100 sessões realizadas.

Naturalmente uma direção hospitalar pode duvidar de uma prática que é tão pouco evidenciada cientificamente, ou até dos seus praticantes que não necessitam ter cursos de equivalência médica. Não necessitam nem devem necessitar, pois Reiki está disponível para todos e não só para alguns que por algum acaso ou opção foram ter a determinada formação académica. Esta é outra das vertentes humanizadoras do Reiki – o alcança a todos e apenas pratica quem realmente é capaz.

Competências distintas

Hoje em dia, a ADL leva o Reiki aos seus associados, no Hospital de São João, pelas mãos de praticantes de Reiki, sendo eles de formação na área da saúde, por estar a ser realizado dentro de um hospital. Será que um profissional de saúde aplica melhor Reiki que um praticante que não o seja?

Um outro olhar da saúde

O fato de existir um público muito grande de profissionais nas mais diversas especialidades e setores, que atuam diretamente com o paciente, acarretando uma fragmentação na assistência do mesmo, não proporcionado o
atendimento integralizado\holístico. A enfermagem em sua grande maioria adotou um modelo curativo na sua prática assistencial, direcionando o tratamento apenas para as doenças, deixando de lado a dimensão pessoal do paciente. – Esta é uma declaração feita nos anais do II Congresso de Humanização (2011).

Hoje em dia, com a crise e a exigência estranguladora da redução de custos, a humanização está ainda mais em risco. Não há tempo, não há paciência, e os próprios profissionais de saúde encontram-se em estados de stress que se tornam graves para a sua própria saúde. Tudo leva a um enorme esforço para que continuem a prestar o melhor serviço e a melhor atenção para com a pessoa.

De facto, muito deve ser mudado no PNS e no SNS, muito até mesmo nas próprias crenças dos profissionais, na sua abordagem à doença e, principalmente à pessoa. Por vezes, quem já teve que recorrer aos serviços é que se apercebe das situações e encontra as fragilidades. Quem está dentro da máquina, é uma rotina reativa.

O papel das terapias complementas e neste caso do reiki no tratamento do cancro é ir ao encontro da necessidade de um papel humanizador, de intervenções não intrusivas, de respostas a todas as dimensões da pessoa.

O terapeuta e voluntário de Reiki, nunca substituirá o médico, o enfermeiro. É um complemento em todo o processo terapêutico, no caminho para a cura.

Como funciona o Reiki

O Reiki por si não cura. O efeito do Reiki é o de aumentar a capacidade autocurativa da pessoa. Tal pode ocorrer nas seguintes formas:

  • Produzindo um profundo estado de relaxação que pode aliviar o stress que sofre,
  • como consequência da sua enfermidade
  • Aumentar as defesas do corpo de modo a que ajude a superar, por exemplo, uma
  • infeção, estimulando o seu sistema imunológico
  • Aliviar estados de depressão e cansaço
  • Eliminar ou reduzir os efeitos secundários de fármacos, sobretudo da quimioterapia
  • Acelerar a eliminação de toxinas
  • Reduzir a ansiedade
  • Aumentar a sua capacidade de recuperação depois de uma intervenção cirúrgica, ou
  • doença
  • Como se aplica um tratamento de Reiki
  • Pode ser aplicado ao paciente estando ele sentado ou deitado, sempre com a roupa
  • vestida
  • O praticante passa as suas mãos sobre o paciente em determinadas posições, sem
  • exercer pressão ou manipulação de algum tipo
  • O praticante pode pousar as suas mãos em pontos que o paciente peça, caso tenha
  • dores mas seguindo um rigoroso código de ética
  • As sessões podem durar entre 30 minutos e 1 hora e meia, dependendo das
  • necessidades do paciente.

Reiki em Hospitais

A prática de Reiki, como terapia complementar, em Instituições de saúde, nos Estados Unidos da América, como o Hartford Hospital, Portsmouth Regional Hospital, Memorial Sloan Kettering Cancer Center, Dana-Faber Cancer Institute, entre outros, é uma realidade nos nossos dias. A apresentação do caso do Dana-Faber C.I. serve para ilustrar a realidade da prática de Reiki nesse instituto e o efeito nos seus pacientes, com cancro.

O Instituto Dana-Farber, em Boston, é um Instituto dedicado ao tratamento de cancro que providencia aos seus pacientes a possibilidade de experimentar terapias complementares, tais como o Reiki. Os pacientes podem chegar a esta terapia por duas vias, através do conselho do seu Médico ou por auto-referência. Os tratamentos são realizados através do Centro para Terapias Integrativas Leonard P. Zakim ou pelo Programa de Dor e Cuidados Paliativos. Os tratamentos são realizados em quartos privados com uma duração entre 45 a 60 minutos. A prática de Reiki é disponibilizada antes e depois da radioterapia, quimioterapia ou intervenção cirurgica.
Durante o primeiro ano de tratamentos com Reiki, foram realizadas mais de 100 sessões. O número de mulheres que usa este serviço é superior ao dos homens, num racio de 9:1. Mais de 80% dos indicadores, onde o Reiki teve uma actuação positiva, foram a gestão de sintomas como dor, ansiedade, náusea e disturbios de sono. Não foram indicados efeitos colaterais negativos

Autor: João Magalhães

Sou Designer, Mestre, Terapeuta de Reiki, Mestre de Karuna, Presidente da Associação Portuguesa de Reiki e co-fundador do CENIF. Autor dos livros «Reiki Guia para uma Vida Feliz», «O Grande Livro do Reiki» e «Reiki - Elevação da Consciência». Professor de Meditação Terapêutica Integral. Acima de tudo quero partilhar contigo o porquê de Reiki ser a «Arte Secreta de Convidar a Felicidade».

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